Boa sorte ?

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O que você pensa quando diz ou ouve votos de boa sorte? Que as forças do acaso se alinhem para satisfazer seus desejos? Esse anseio pode até ser atraente, mas para a psicologia a sorte está mais associada à maneira como vivemos as experiências do que aos fenômenos em si. Se por um lado essa visão convida ao abandono de expectativas sedutoramente mágicas, por outro nos confere maior autonomia. Obviamente existem percalços, frustrações e dor no caminho de qualquer um, mas a quantidade de apego que creditamos ao sofrimento pode mudar nossa história – para o bem ou para o mal.

Segundo pesquisadores , não se apegar ao azar parece ser um dos mais eficazes segredos dos sortudos. “Sorte é acreditar que somos sortudos”, afirmou o dramaturgo Tennessee Williams. O psicólogo inglês Richard Wiseman garante que suas palavras são sábias. E fala com propriedade, já que há anos estuda o funcionamento mental tanto de pessoas que acreditam ter uma “boa estrela” quanto daqueles que têm convicção de serem acompanhados pela vida afora por uma nuvem cinzenta. Ou seja, o que as pessoas chamam de "sorte" , está mais ligado a suas crenças sobre você, e suas capacidades em conseguir algo do que algo místico ou mágico.

 Quando você acredita e tem uma alta autoestima, consegue enfrentar os problemas e resolver as coisas de forma mais simples simplesmente por que acredita no seu potencial, o que aparentemente parece uma questão de sorte para quem está de fora. Além disso, se você se fixar apenas nas coisas ruins, sua mente será levada a acreditar sempre que tudo dá errado, apenas por uma questão de hábito. Hábito de pensamentos. A " sorte" dessa forma, pode ser vista como uma capacidade de r conhecer as oportunidades e se apropriar delas, ao invés de ficar reclamando da vida, ou como algo que eu posso enfrentar porque acredito em mim.

Outra frase interessante sobre o assunto é atribuída a Louis Pasteur, o inventor da pasteurização e da vacina antirrábica: “O acaso só favorece a mente preparada”. Tudo a ver com serendipidade. A palavra árabe vem do vocábulo Sarandib, antigo nome da Ilha do Ceilão, atual Sri Lanka. O termo foi empregado pela primeira vez pelo escritor inglês Horace Walpole para falar da possibilidade de encontrar coisas boas, mesmo que não estejamos procurando exatamente por elas. Ele cita uma história persa, Os três príncipes de Serendip, na qual os personagens são agraciados com o que chama de descobertas felizes, por acidente ou pela própria esperteza. Mas isso só acontece quando se permitem desfrutar da oportunidade de receber esses “presentes” – que ganham valor quando são reconhecidos como tais e os protagonistas se apropriam psiquicamente deles.  

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O Que é Psicologia Clínica?

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Dentre as áreas da ciência psicológica o fazer mais conhecido pelo senso comum é a psicologia clínica, muitos ainda associam a imagem do psicólogo somente ao modelo tradicional de terapeuta, clínico, aquele que escuta e faz pontuações. Portanto, alguns conceitos são pertinentes à prática clinica, bem como à escuta, a subjetividade, o sofrimento psíquico, aceitação incondicional, o comportamento.

A clínica em psicologia é um espaço criado para atender o outro em sua singularidade, ouvi-lo, orientá-lo, apontar caminhos a fim de proporcionar alívio emocional, autoconhecimento, ajustamento criativo, etc. O psicólogo é esse profissional mediador que propicia o encontro do sujeito consigo mesmo a partir da fala.

A partir dos estudos, é possível dizer o que é a psicologia clínica, o que ela abrange e como faz o seu trabalho. No entanto, sabe-se muito pouco sobre aquilo que ela não é; assim torna-se um assunto mais delicado tendo em vista o grande número de posturas metodológicas frente ao objeto de estudo que se encontra em interminável oposição.

É oportuno esclarecer que toda a amplitude do fazer clínica está direcionada a atender às diversas demandas, bem como crianças, adolescentes, adultos, idosos, visando ajudar na recuperação do sujeito em sofrimento psíquico, na reestruturação de seu bem estar biopsicossocial e, sobretudo, na promoção da saúde.

Origens da Psicologia Clínica

A história da psicologia clínica remonta desde o final do século XIX, o termo psicologia clínica foi usado pela primeira vez pelo americano Lightner Witmer. Ele fundou a primeira clínica de psicologia na Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos em que eram tratadas algumas crianças com queixas escolares.

A clínica psicológica tem suas raízes no modelo médico, no qual, ou seja, cabe ao profissional observar e compreender para, posteriormente, intervir, isto é, remediar, tratar, curar. Tratava-se, portanto, de uma prática higienista. Dessa maneira, a clínica psicológica esteve, por um bom tempo, distante das questões sociais.

De início a clínica psicológica caracterizou-se por um sistema de atenção voltada ao indivíduo, esse atendimento esteve vinculado ao modelo médico, sobretudo na década de 30 com a evolução do psicodiagnóstico. Segundo  a concepção clássica de psicologia clínica afirma ser esta uma disciplina que tem como preocupação o ajustamento psicológico do indivíduo e como princípios o psicodiagnóstico, a terapia individual ou grupal exercida de forma autônoma em consultório particular sob o enfoque intra-individual com ênfase nos processos psicológicos e centrado numa relação dual na qual o indivíduo é percebido como alguém a-histórico e abstrato.

Nessa época existia uma preocupação em caracterizar o sujeito, uma espécie de rotulação, o que era necessário apontar algum tipo de patologia no indivíduo. Nesse sentido, aspectos como a história de vida, a escuta qualificada e outras técnicas não eram levadas em consideração.

O que é Psicologia Clínica?

A psicologia clínica é a parte da psicologia que se ocupa em estudar transtornos mentais e suas manifestações psíquicas. Essa área inclui (prevenção, promoção, psicoterapia, aconselhamento, avaliação, diagnóstico, encaminhamentos, dentre outros).

"Entendemos que a psicologia clínica se distingue das demais áreas psicológicas muito mais por uma maneira de pensar e atuar, do que pelos problemas que trata. O comportamento, a personalidade, as normas de ação e seus desvios, as relações interpessoais, os processos grupais, evolutivos e de aprendizagem, são objeto de estudo não só de muitos campos da psicologia como também das ciências humanas em geral" (MACEDO, 1984, p.8).

A psicologia clínica deve considerar-se uma atividade prática e em simultâneo, um conjunto de teorias e métodos. Pode ser definida como a sub-disciplina da psicologia que tem como objetivo o estudo, a avaliação, o diagnóstico, a ajuda e o tratamento do sofrimento psíquico, qualquer que seja a causa subjacente.

Habitualmente, o que diferencia a psicologia clínica das outras áreas de atuação do psicólogo, é, sobretudo, por ser uma prática que consiste numa observação individual e singular: a escuta clínica. É um o espaço em que o paciente\cliente se apoia para expressar seus conflitos, medos, inquietações e sofrimentos a fim de buscar alívio emocional.

Clínica Atual

A configuração contemporânea trouxe um lugar para a Psicologia Clínica, um lugar em que o psicólogo se coloca numa postura de escuta do excluído, daquele que não tem um direcionamento efetivo e que procura o auxílio desse profissional.

A psicoterapia constitui-se em uma técnica moderna, em que o desvelamento se dá ao modo do desafio. Então, o eu do homem também é tomado como um recurso a ser explorado, no sentido de tornar-se produtivo, bem-sucedido, feliz para sempre. Neste aspecto, a psicoterapia pauta-se numa perspectiva positivista, subjetivista, que consiste na organização de técnicas e estratégias cujos resultados visam à produtividade, à adequação com a exigência da publicidade, do impessoal, ao desenvolvimento no sentido do socialmente aprovável. A psicoterapia, deste modo, pauta-se na extração dos recursos de que o homem dispõe para atingir o sucesso socialmente determinado como tal, e é estruturada como utilidade prática.

O que se define como psicologia clínica na atualidade está vinculada a sua história e surgimento, porém, com algumas especificidades. No que tange à compreensão dos problemas do homem, do seu bem-estar, busca-se uma não patologização, pautando-se em um acolhimento e escuta ativos para bem ajudar o outro que se encontra em sofrimento psíquico através de um processo psicoterapêutico.

As psicoterapias foram criadas para todos os indivíduos que sofrem de algum distúrbio ou mal-estar que desejam corrigir, entretanto, estas também visam o aprimoramento pessoal e autoconhecimento, ainda que não sofram de distúrbios manifestos.

O Psicólogo Clínico

Sabe-se que a psicologia clínica é uma especialidade da ciência psicológica, esse profissional está habilitado para realizar atendimentos ou psicoterapias, ficando livre para o psicólogo optar por uma abordagem teórica que irá embasar e nortear a sua prática.

A identidade do psicólogo clínico, define-se pelo domínio de teorias, métodos compatíveis entre si, cujo objetivo é tentar atingir a “verdade” psicológica do sujeito observado para se poder direta ou indiretamente encetar um processo de intervenção.

O psicólogo clínico está apto a realizar atendimentos com diversas demandas e faixas etárias, bem como atendimentos voltados à crianças, adolescentes, adultos, idosos, famílias. Assim, os seguintes atendimentos podem acontecer tanto a nível individual quanto grupal, como o objetivo de auxiliar os sujeitos a se conhecerem melhor e a lidar de forma mais assertiva com seus conflitos e tomada de decisões.

O principal do trabalho desse profissional é esclarecer aquilo que caracteriza o ser psicológico. Nesse ponto, é necessário ter um bom embasamento teórico-clínico que confira sentido ao que é observado, bem como um conjunto de métodos estratégicos para bem conduzir o processo terapêutico e ajudar na resolução dos problemas.






Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-clinica/o-que-e-psicologia-clinica © Psicologado.com
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Você sabe qual é a frase mais persuasiva da linguagem humana?

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O cientista do comportamento Nicolas Gueguen, da Universidade da Bretanha do Sul, na França, testou como uma pessoa poderia obter mais facilmente o que quer. O resultado aponta que tem uma frase simples que apela na psicologia do ser humano.


“Você provavelmente vai recusar, mas …”

320 homens e 320 mulheres de aproximadamente 30 a 55 anos de idade foram recrutados nas ruas de duas cidades na costa sul da Bretanha para participar do estudo. Os voluntários foram parados e os pesquisadores solicitaram dinheiro para uma organização de caridade que atuava na saúde de crianças. Na condição experimental, as pessoas ouviram a frase “Você provavelmente vai recusar”, e então foram convidadas a fazer uma doação. Na condição de controle, os participantes apenas ouviram o pedido de dinheiro.

Os resultados mostraram que mais participantes cumpriram o pedido na condição experimental (cerca de 39% das pessoas, versus 25% na condição de controle).A teoria da reatância foi usada para explicar o fenômeno. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a sensação de que alguém é livre para cumprir ou não um pedido é um requisito para obter conformidade.

Teoria da Reatância

Reatância psicológica é uma teoria da psicologia que busca explicar a resistência à persuasão criada por Jack Brehm. A teoria fornece o que é provavelmente a mais conhecida explicação motivacional de resistência à persuasão. Esta teoria afirma que quando os indivíduos percebem sua liberdade, para assumir ou não, algum comportamento, ameaçada ou eliminada, eles experimentam a reatância, que vem a ser um estado de incitação motivacional que os leva a tentar restabelecer sua liberdade ameaçada ou perdida. Em relação a persuasão, afirma que as pessoas querem se sentir livres para adotar posições particulares sobre os assuntos, ou não adotar nenhuma posição. Sob determinadas condições, as mensagens persuasivas que tentam influenciar os receptores a adotar determinadas posições particulares, podem ser percebidas como ameaçadoras a liberdade de escolha de atitudes individual. Além disso, quanto maior a importância da liberdade de atitudes que é ameaçada e quanto maior a pressão coercitiva exercida sobre o indivíduo para assumir uma posição determinada, maior será a magnitude da resposta de reatância experimentada. Assim a teoria prediz que quando as pessoas recebem mensagens persuasivas que elas interpretam como ameaças a sua liberdade de atitudes, elas tentam reafirmar sua liberdade mantendo suas posições iniciais, ou de maneira mais provocativa, mudando suas opiniões e atitudes em uma direção oposta a posição defendida na mensagem, uma troca denominada efeito bumerangue.

Tais atitudes induzidas por reatância devem ser mantidas com o passar do tempo, a menos que as ameaças a liberdade de atitudes sejam removidas. Se tais ameaças são eliminadas, as pessoas podem ser mais favoráveis a posição de uma mensagem. Há quatro elementos importantes para a teoria de reatância: liberdade percebida, ameaça à liberdade, a reatância e a restauração da liberdade. Liberdade não é uma consideração abstrata, mas sim um sentimento associado a comportamentos reais, incluindo ações, emoções e atitudes.

Ou seja...

Quando alguém diz que você vai provavelmente recusar algo, é como se estivesse tirando seu senso de liberdade. Para recuperá-lo, a pessoa se torna mais propensa a fazer exatamente o que alguém disse que ela iria recusar.

Também, qualquer ameaça à autoimagem das pessoas é uma boa técnica para ajudar a reduzir sua resistência.

Esse tipo de manipulação funciona com outras frases também, como “Não se sinta obrigado, mas…” ou “Você é livre para aceitar ou recusar” e “Faça como desejar, mas…”.



Você pode ler o artigo de Nicolas Gueguen sobre o estudo :  Clique aqui
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Se sentido desanimado ? Conheça 4 dicas que que você pode fazer para se animar, segundo a Neuropsicologia.

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Essas recomendações têm explicações comprovadas com base no funcionamento do cérebro, e foram publicadas no livro The upward spiral: using neuroscience to reverse the cause of depression, one small change at a time, escrito pelo neurocientista Alex Korb, da Universidade da Califórnia.


1. Dê uma ajudinha ao cérebro

Se na hora de dormir você fica lembrando todas as situações vergonhosas que já passou na vida, isso pode ser por que seu cérebro está tentando ativar – sem sucesso – o centro de recompensa.

De acordo com Korb, “apesar das diferenças, orgulho, vergonha e culpa ativam circuitos neuronais similares, que incluem o córtex pré-frontal dorso medial, a amigdala cerebelosa, o lobo da ínsula e o núcleo accumbens. Isso explica por que em alguns momentos não conseguimos nos livrar das memórias vergonhosas, já que eles acabam ativando o centro de recompensa do cérebro.

O mesmo acontece com a preocupação obsessiva. A preocupação estimula o córtex pré-frontal e diminui a atividade da amigdala cerebelosa, o que traz certa satisfação. A hipótese do autor é que apesar da preocupação ser reconhecida como um desperdício de energia, aparentemente o cérebro a considera melhor do que não fazer nada quando você está ansioso.

Então o que fazer para controlar melhor as emoções? Segundo Korb, a solução é perguntar a si mesmo: “o que me torna grato?”. Ele explica que o alívio vem porque a gratidão causa a liberação de serotonina. Tentar pensar em coisas que o tornam grato o força a focar em aspectos positivos da vida. Esse simples ato causa a liberação de serotonina.

O melhor de tudo é que mesmo se você não conseguir encontrar um motivo verdadeiramente sincero para sentir gratidão – o que é comum em casos de depressão –, apenas o ato de tentar já traz benefícios. “Um estudo mostrou que isso afeta a densidade neuronal nos córtex pré-frontais laterais e ventromediais. Essa alteração de densidade sugere que conforme a inteligência emocional aumenta, os neurônios nessas áreas ficam mais eficientes. Com maior inteligência emocional, há menos esforço para sentir gratidão.

2. Identifique a causa

Se mesmo assim você se sentir desanimado, o próximo passo é tentar ser mais específico. O que, exatamente, está trazendo essa sensação ruim que você sente? É raiva? Estresse? Tristeza? Solidão? A neurosciência diz que dar nome aos bois faz essa sensação ruim ir embora.

No livro Your brain at work: strategies for overcoming distractoin, regaining focus, and working smarter all day long, do autor David Rock, ele defende que para a sensação ruim passar, são necessárias poucas palavras para descrever uma emoção, preferencialmente em linguagem simbólica. Isso significa usar metáforas e simplificações para descrever a experiência. Fazer isso ativa o córtex pré-frontal, o que reduz a alteração no sistema límbico.

Korb diz que experimentos com ressonância magnética dão suporte à esta ideia, como um em que os participantes viam imagens de pessoas com expressões faciais e tinham a atividade da amigdala cerebelosa avaliada. Ao ver as imagens, a amigdala se ativava, mas quando eles descreviam a emoção, o córtex pré-frontal se ativava e reduzia a atividade da amigdala.

Essa técnica é usada pelo FBI para acalmar os agentes responsáveis por negociações estressantes, como quando há reféns envolvidos.

3. Você decide

Preocupado ou ansioso? Uma ação que pode ajudar é tomar uma decisão sobre o que está causando essa emoção. Essa decisão não precisa ser perfeita, pode ser apenas aproximada.

“Escolher algo ativamente causa mudanças nos circuitos de atenção e como os as pessoas se sentem sobre a ação, e isso melhora a produção de dopamina. Tomar decisões inclui criar intenções e estabelecer objetivos, o que reduz a preocupação e ansiedade”, explica Korb. Decidir-se também ajuda a mudar sua percepção sobre o mundo, já que acalma o sistema límbico.

A chave desse exercício é você mesmo tomar uma decisão ativamente, sem se deixar ser arrastado para uma das opções.

4. O poder do toque

Esta é uma recomendação óbvia, mas antes de tudo, é importante lembrar que você só deve tocar quem deseja este contato. Trocar um abraço com alguém querido, pegar na mão, dar uns tapinhas nas costas ou até um simples aperto de mãos causam a liberação da ocitocina, que reduz a atividade da amigdala cerebelosa.

Korb cita um estudo em que os voluntários sabiam que iam levar um choque a qualquer momento, e a ansiedade era monitorada. Quando alguém estava segurando a mão dessas pessoas, elas mostravam um nível muito menor de ansiedade enquanto esperavam pelo choque.


Mas e se você não tem nenhum companheiro ou amigo por perto para trocar um abraço ou aperto de mão? A boa notícia é que este resultado positivo também é obtido em massagens, que por si só são muito relaxantes. Não tem como errar.





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‘Está tudo na sua cabeça’: o preconceito contra doenças cuja causa é emocional e não física

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Neurologista premiada afirma que médicos e doentes reagem com descrença quando corpo reage fisicamente às emoções.


A urologista irlandesa Suzanne O'Sullivan conheceu Yvonne assim que se formou em medicina. A paciente estava cega, e não havia uma causa física para o problema - era uma manifestação do estresse emocional.

Mas o que faz com que nosso corpo manifeste os sintomas de uma doença que não temos? E mais: por que mascaramos com dor, fraqueza ou paralisia o que na verdade é emoção?

Yvonne, de 40 anos, tinha entrado no hospital no dia anterior, depois que um colega de trabalho acertara um produto de limpeza nos seus olhos. Sucessivas lavagens não aliviaram a dor e a irritação dos olhos, nem lhe devolveram a visão.

Os exames de Yvonne nos seis meses seguintes, no entanto, tiveram o mesmo resultado: a cegueira não tinha nenhuma causa física. Os médicos concluíram então que a deficiência visual dela era de origem psicossomática. Ou seja: era a manifestação física de estresse emocional.

Livro premiado

Yvonne foi uma das primeiras de uma longa relação de pacientes com problemas psicossomáticos que a O'Sullivan viu em 20 anos de carreira. A história dela e a de outros seis pacientes estão no livro It's All in Your Head: True Stories of Imaginary Illness ("Está tudo na sua cabeça: Histórias reais de doenças imaginárias", em tradução livre), escrito pela médica em 2015.  A obra ganhou no ano passado o prestigiado prêmio literário britânico Wellcome Book Prize.

A neurologista falou sobre o livro na 11ª edição do Hay Festival, um dos eventos literários anuais mais importantes do mundo hispânico, que acontece até o próximo dia 29 na cidade de Cartagena, na Colômbia.

Os outros pacientes, que chegaram ao seu consultório frustrados após procurarem diversos especialistas que não conseguiram chegar a um diagnóstico, apresentavam sintomas tão graves quanto os de Yvonne: alguns estavam em cadeiras de rodas, outros tinham inflamações, se queixavam de dores, paralisia, desmaios e convulsões.

Doenças que todo mundo pode ter

Esses pacientes tinham algo em comum: a falta de uma explicação médica para seus sintomas. E a grande maioria se negava a aceitar que a doença era de origem psicológica.

Mas não foi por acaso que eles procuraram a O'Sullivan. É uma situação que se repete em quase todos os consultórios, disse a especialista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

"Dedico grande parte do meu tempo a pacientes com convulsões e, em geral, um terço das pessoas que atendo sofre de convulsões de origem psicológica. Mas, de acordo com estudos, em outras especialidades médicas um terço dos pacientes também apresenta sintomas de ordem psicológica", disse O'Sullivan.

Estas doenças não são um mal típico da sociedade contemporânea - embora a internet ajude com a grande quantidade de informação disponível sobre enfermidades e seus sintomas - nem fazem distinção entre ricos e pobres. "Isso acontece em todo o mundo", afirma a neurologista.

Ela lembrou que um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito há alguns anos, demonstrou que a incidência de doenças cujos "sintomas carecem de explicação médica" é praticamente idêntica em quase todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou em desenvolvimento e do acesso da população aos serviços de saúde.

Sintomas reais

Foi exatamente essa proporção alarmante que fez a neurologista se interessar pelo assunto e, mais tarde, contar sua experiência no livro.A obra é um relato humano e cheio de compaixão das histórias de alguns dos seus pacientes e das dificuldades da neurologista de trabalhar nessa área da medicina, estigmatizada pela sociedade.

"Nosso corpo produz o tempo todo sintomas físicos em resposta a emoções. Muita gente fica com as mãos trêmulas ao fazer uma apresentação em público, outras pessoas sentem o coração disparar se estão ansiosas e há ainda as que ficam coradas quando sentem vergonha", diz O'Sullivan.

"É algo que acontece com todos nós. Mas eu não poderia dizer por que em alguns indivíduos esse mecanismo decide criar uma patologia. O que ocorre é que todos lidamos com o estresse de formas diferentes", continua. Também não conseguimos escapar de tais sintomas da mesma forma que evitamos uma gripe (usando mais agasalhos no frio) ou uma lesão muscular (aquecendo o corpo antes de correr).

"Não podemos evitar os sintomas físicos diante de uma situação de estresse", explica a médica. "O que podemos fazer é evitar que eles se transformem em algo incapacitante. Você pode reconhecer os sintomas e alterar a resposta do seu organismo." Embora não exista uma causa física, não se deve duvidar que os sintomas são reais para o paciente e que a consequência deles pode ser uma incapacidade devastadora.

'Você não tem nada'

E é justamente a falta de uma origem física que historicamente fez a medicina subestimar esse tipo de distúrbio. Isso também pode ser visto na linguagem dos médicos ao falar sobre os males psicossomáticos.

"Se uma pessoa tem um problema, mas os seus exames são normais, costumamos dizer que ela não tem nada", afirma O'Sullivan. "Nós, médicos, somos treinados para nos concentrarmos nas doenças, para encontrá-las. Quando examinamos um paciente, estamos preocupados em não deixá-las escapar. Se atendo alguém e não percebo que a pessoa tem uma doença, isso vai gerar muitas recriminações", acrescenta.

A atenção dos médicos está tão concentrada nas doenças que, quando elas são descartadas, seu trabalho é dado por encerrado.

E foi a falta de atenção e importância dada a esses males que contribuiu para criar um estigma em torno das doenças psicossomáticas. Por isso, é muito difícil para o paciente aceitar o diagnóstico, que geralmente é recebido como se fosse um insulto. Um diagnóstico que ninguém quer ouvir. Mas até que ponto essa não é uma saída fácil para rotular qualquer doença para a qual a medicina ainda não tem uma resposta? Esse é o temor mais comum dos pacientes, segundo O'Sullivan.

"No entanto, o diagnóstico é extremamente preciso. Em neurologia é muito fácil fazer medições do sistema nervoso. Há uma grande diferença entre alguém com uma paralisia ou uma convulsão psicossomática e alguém com uma doença no cérebro", explica. "Isso permite que o médico faça um diagnóstico confiável."

Mas quando há a suspeita de que uma doença possa ser psicossomática, o processo é outro: "A doença vai se revelando, trazendo evidências objetivas com o passar do tempo". Por outro lado, estudos a longo prazo demostraram que o percentual de diagnósticos equivocados é de apenas 4%.

Construindo uma ponte

Embora o tratamento das doenças psicossomáticas fuja do campo da neurologia, O'Sullivan não pretende se dedicar à psiquiatria ou a psicologia. "O problema é que esses pacientes não vão a um psiquiatra, porque seus sintomas são físicos. Eles procuram o clínico", diz a neurologista.

"Por isso, precisamos de médicos que façam uma ponte entre a neurologia e a psiquiatria e a psicologia. Precisamos de neurologistas que estejam interessados neste problema, já que é a eles que os pacientes procuram."

Neste sentido, ela afirma que nos últimos cinco anos houve um crescimento do interesse entre os neurologistas, o que pode trazer avanços para o conhecimento na área, criar uma aceitação maior do problema e assim, aos poucos, poderá diminuir o estigma.

A história de Yvonne - a paciente com cegueira emocional que despertou o interesse de O'Sullivan pelas doenças psicossomáticas - teve um final feliz.


Depois de seis meses de tratamento psiquiátrico e terapia familiar, ela finalmente voltou a enxergar.


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7 técnicas de estudo para quem não consegue se concentrar

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Uma pessoa entra na biblioteca. A tela do seu celular brilha com a chegada de uma nova mensagem. Você se lembra de uma música e decide escutá-la. Se você é um distraído crônico, qualquer motivo é suficiente para interromper o estudo para uma prova.

A falta de concentração cobra seu preço mais cedo ou mais tarde. Afinal, é preciso ter contato intenso e contínuo com a matéria para ter sucesso em provas complexas como concursos públicos, exames de proficiência em línguas ou testes de admissão em programas de pós-graduação.

Continuidade é justamente o maior desafio dos dispersivos. A tecnologia incrementa o potencial de sedução das distrações. O smartphone, especialmente, é um “veneno” para quem quer estudar. A única saída é se disciplinar e se afastar totalmente do aparelho. Uma sugestão é estabelecer um momento para ver as notificações — uma vez a cada 30 minutos de estudo, por exemplo.

Outra recomendação básica é buscar um ambiente de estudos organizado, limpo, silencioso e confortável. Quanto menos incômodos houver, melhor: é importante buscar uma cadeira ou poltrona ergonômica e garantir que você está bem alimentado.

Água também é essencial para manter o cérebro funcionando a todo o vapor. Um experimento feito por pesquisadores ingleses mostrou que pessoas com sede demoram mais tempo para completar tarefas do que aquelas que estão bem hidratadas.

As fontes mais comuns de distração são barulhos externos, como estímulos sonoros ou visuais do ambiente, mas não se pode ignorar o poder dos “barulhos internos” — nosso fluxo de pensamentos sobre diversos anseios, preocupações e emoções.

Isso faz com que você tenha a sensação de que a leitura está difícil ou improdutiva. O mais interessante é que surge um mecanismo de compensação para sentir algum alívio imediato, como acessar o smartphone ou bater papo, o que desvia ainda mais a atenção. 

Quer mais ideias para manter o foco na preparação para uma prova? Confira a seguir outros antídotos contra a procrastinação:

1. Antes de começar, separe 10 minutos para se divertir

Ainda que você adore matéria que está estudando, não faltam atividades bem mais interessantes do que ler a apostila. Se você costuma interromper a sua concentração para satisfazer o desejo de ver as notícias do dia, assistir a vídeos engraçados ou escrever algo nas redes sociais, faça isso antes de começar a sua sessão de estudos.

Esse truque simples ajuda a saciar a sua inquietação e relaxar. Só cuidado para não exagerar: basta passar os 10 primeiros minutos do dia dessa forma. Terminado esse prazo, é hora de interromper as distrações e se dedicar exclusivamente ao estudo.

2. Divida o tempo em blocos

Estudar para uma prova difícil sempre será uma experiência intensa, mas não necessariamente exaustiva. Talvez você tenha dificuldade para se concentrar porque se cansa rapidamente. A dica é fragmentar o trabalho em pedaços mais digeríveis.

“Faça sessões de 30 minutos, por exemplo, nas quais você vai mergulhar totalmente no que está fazendo”. “Terminado esse prazo, levante e vá respirar um pouco, beber água, fazer algo leve”.

3. Transforme frases em palavras-chave

Além de dividir o tempo em blocos, você também pode recortar o conteúdo a ser estudado em pequenos fragmentos. Ao elaborar um resumo, evite frases ou parágrafos — prefira palavras-chave, esquemas e listas no estilo “bullet points”.

A organização da escrita em pedacinhos facilita a vida dos dispersivos, principalmente na hora de reler tudo. É mais rápido ler palavras-chave, e também mais estimulante: você precisa ativamente pensar no nexo entre as ideias, o que exige mais do cérebro e limita a margem para divagações.

4. Prefira o exercício à teoria

Uma das formas de melhorar e manter a concentração é tornar as sessões de estudo mais rápidas, curtas e dinâmicas. Para isso, a recomendação é reduzir o volume de leituras e concentrar os seus esforços nos exercícios.

Dê uma lida geral no conteúdo, mas não passe muitas horas debruçado no livro. Assim que tiver uma ideia da teoria, parta para a resolução de provas de anos anteriores, e vá fixando os conceitos a partir dos seus erros e acertos.

5. Descubra o seu estilo de aprendizagem

Se você tem facilidade para memorizar coisas a partir de um estímulo visual, pode ser interessante elaborar mapas visuais, diagramas e figuras sobre a matéria. Caso se dê melhor com resumos escritos à mão, prepare o lápis e a caneta. Tem um perfil auditivo? Vale mais gravar a sua própria voz dando uma “aula” sobre o assunto e depois escutá-la. 

O importante, é descobrir qual é o método de aprendizagem que mais combina com o seu modelo mental. Quando você encontra o seu próprio estilo, a compreensão dos conceitos fica mais fácil e rápida. Resultado: o estudo se torna mais estimulante e as distrações perdem (pelo menos em parte) o seu potencial de sedução.

6. De tempos em tempos, retome o conteúdo

A cada 20 minutos de estudo, faça uma rápida anotação ou gravação de voz sobre os aspectos mais relevantes do que acabou de ler, isto é, uma breve recapitulação do que foi visto.

Além de garantir que você não vai se dispersar, fazer essas retomadas periódicas ajuda a fixação da matéria. Ao final da leitura, reveja os seus registros de todos os blocos de 20 minutos, e verá como está muito mais familiarizado e seguro com o conteúdo. 

7. Tenha uma programação

Uma boa forma de manter o foco é ter um roteiro dos temas que você precisa estudar, com uma previsão da carga horária necessária para cada assunto. Mas atenção: ao longo do dia, gerencie o cumprimento das metas como compromissos realmente inadiáveis.

Mas como garantir que você vai respeitar a sua “check-list”? O segredo é ter um propósito para o estudo. No “estado de flow”, conceito desenvolvido pelo psicólogo Mihály Csíkszentmihályi, nossa concentração se torna absoluta quando estamos num estado emocional positivo, isto é, quando a experiência é prazerosa. Só podemos entrar em ‘flow’ quando o estudo vai além do racional e envolve crenças e valores, isto é, quando tem um significado para nós



 

Fonte: Exame 
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“Saúde Mental”, Uma Sábia Reflexão De Rubem Alves

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Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.


Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maikóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!), ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, que tenha a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa…

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idiotas de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. É claro que nenhuma mamãe consciente quererá que o seu filho seja como Van Gogh ou Maiakóvski. O desejável é que seja executivo de grande empresa, na pior das hipóteses funcionário do Banco do Brasil ou da CPFL. Preferível ser elefante ou tartaruga a ser borboleta ou condor. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego. Mas nunca ouvi falar de político que tivesse stress ou depressão, com exceção do Suplicy. Andam sempre fortes e certos de si mesmos, em passeatas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.

Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas se chama hardware, literalmente coisa dura e a outra se denomina software, coisa mole. A hardware é constituída por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. A software é constituída por entidades espirituais – símbolos, que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos, o cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo espirituais, sendo que o programa mais importante é linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e acessórios, o software, tenha a capacidade de ouvir a música que ele toca, e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta, e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei, no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.

A beleza pode fazer mal à saúde mental. Sábias, portanto, são as empresas estatais, que têm retratos dos governadores e presidentes espalhados por todos os lados: eles estão lá para exorcizar a beleza e para produzir o suave estado de insensibilidade necessário ao bom trabalho.

Dadas essas reflexões científicas sobre a saúde mental, vai aqui uma receita que, se seguida à risca, garantirá que ninguém será afetado pelas perturbações que afetaram os senhores que citei no início, evitando assim o triste fim que tiveram.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente perigosos. Já o roque pode ser tomado à vontade, sem contra indicações. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do Dr. Lair Ribeiro, por que arriscar-se a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. A saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente. Por isso que as pessoas de boa saúde mental têm sempre as mesmas ideias. Essa cotidiana ingestão do banal é condição necessária para a produção da dormência da inteligência ligada à saúde mental. E, aos domingos, não se esqueca do Sílvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, ao invés de ter o fim que tiveram os senhores que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já não mais saberá como eles eram.

(Provavelmente escrito em 1994)


Fonte Instituto Rubem Alves
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Sapiossexualidade: Quando A Libido É Estimulada Pela Admiração Intelectual

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Além de músculos bem definidos, algumas pessoas valorizam e sentem atração por indivíduos dotados de inteligência. Esse tipo de atração é conhecida como “sapiossexualidade”. O prefixo da palavra tem origem do latim sapien, que significa inteligência. Inclusive temos uma palavra em nosso vocabulário que já podia dar noção do que se tratava, mas infelizmente nem é tão utilizada assim: sapiência.


A sapiossexualidade é a atração sexual que uma pessoa sente pela inteligência , visão de mundo e toda a bagagem cultural de outra pessoa. É importante dizer que uma pessoa sapiossexual não se importa, portanto, com o gênero da pessoa pela qual ela está atraída. Ela sente atração pela inteligência e conhecimento que a pessoa tem, independente do sexo da pessoa.

Isso não significa que todos os sapiossexuais repudiem beleza física ou que seus parceiros sejam destituídos de uma aparência bem cuidada e atraente. A atração vem da inteligência, o que não elimina outros aspectos da pessoa. A diferença está em: se uma pessoa é bonita fisicamente, mas não tem inteligência, seria impossível despertar o interesse de um sapiossexual.

A terminologia foi supostamente criada por Darren Stalder, que afirma ter inventado a expressão em 1998. O termo só pegou mesmo, no entanto, a partir de 2008, graças, em parte, à escritora erótica Kayar Silkenvoice, que criou o domínio Sapiosexual.com em 2005.

Silkenvoice afirma nunca ter feito sexo ruim. Porque ela é atraída a pessoas inteligentes, crê que essas pessoas são mais inteligentes até mesmo na cama. Elas não partem do princípio que sabem do que o outro gosta, e adoram ganhar conhecimento. Sendo assim, querem aprender o que faz o seu parceiro feliz, descobrir como tornar o sexo o melhor possível. (Fonte:Enfu)

O Irresistível Charme De Um “Sapiosexy”

“Pessoas com intelecto mais desenvolvido, que estimulam o gosto pelo aprender, que se interessam pelos mais variados assuntos e pontos de vista, que se abrem para diálogos profundos e francos, que passeiam pelas mais variadas artes, que dão bicadinhas na filosofia , na psicanálise, na antropologia, na sociologia , entre outras ciências, tende a ampliar enormemente suas conexões cerebrais , desenvolvendo características como alteridade, capacidade de argumentar, capacidade de detectar o discurso alheio, capacidade de questionar os valores sociais a fim de agir sobre eles. Quem desenvolve o intelecto passa a ser protagonista da própria vida. Começa a escrever a sua própria história em vez de se enxergar como peça passiva de um gigantesco tabuleiro, manipulável por mãos poderosas e onipotentes.

Quem expande suas conexões cerebrais não faz ou deixa de fazer as coisas porque todo mundo faz ou deixa de fazer. Quem expande as conexões cerebrais deixa de ser fantoche e torna-se alguém imunizado contra manipulações das mais variadas naturezas. Quem expande suas conexões cerebrais torna-se uma pessoa mais interessante, com um papo que flui melhor, com mais senso de humor, com mais criatividade para reelaborar a própria vida.

Atualmente o termo sapiossexual passou a ser utilizado como definição de uma orientação sexual própria, tal como ocorre com os termos “heterossexual,” “homossexual” e “bissexual”. Então, não é porque você sente uma quedinha por uma pessoa inteligente que você se enquadre nesse novo grupo. Agora, se pessoas inteligentes te deixam completamente louca(o) de prazer, é bem provável que você seja sapiossexual. 


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O espetáculo do eu: o vazio em cada curtida

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Ao longo da última década, a internet passou a hospedar um conjunto de práticas “confessionais”. Milhões de usuários do mundo inteiro se apropriam de diversas ferramentas disponíveis on-line e as utilizam para exibir sua intimidade. Dia após dia, com a velocidade do tempo real, tanto os detalhes mais saborosos como os mais inócuos de sua vida são expostos nas telas interconectadas da rede global de computadores. Assim, os assuntos mais íntimos de qualquer um se derramam em blogs ou em sites como YouTube, Twitter e Facebook.


Trata-se de um verdadeiro festival da vida privada: imagens e relatos que se oferecem sem pudor algum diante dos olhares sedentos de todos aqueles que desejarem dar “uma olhada”. A tendência é bem atual e, de fato, excede as margens da web para inundar todos os meios de comunicação. Basta pensar no sucesso dos reality shows e dos programas de TV que ventilam toda sorte de dramas pessoais, ou no sucesso de vendas das revistas de celebridades e mesmo das biografias, tanto no mercado editorial como no cinema.

A nossa ideia de intimidade está mudando. Esse termo costumava aludir àqueles âmbitos da existência que se conheciam, de maneira inequívoca, como “privados”. Uma definição que, até bem pouco tempo, parecia tão óbvia e sem fissuras. No entanto, é cada vez mais evidente que alguma coisa mudou, e que são inúmeras as repercussões dessa transformação. Essas mudanças não são fruto exclusivo dos avanços tecnológicos que hoje nos permitem realizar façanhas antes impensáveis, mas resultam também – e, talvez, sobretudo – de certas redefinições no que tange aos nossos valores e crenças, além de contemplar múltiplos fatores de ordem sociocultural, política e econômica.

Em virtude de todos esses abalos, cujos efeitos foram se consolidando por toda parte nos últimos anos, em vez de se apresentar como o reino do segredo e do pudor, hoje o espaço íntimo se converte numa espécie de cenário onde cada um deve montar o espetáculo de sua própria personalidade. Junto com essas redefinições, alargam-se compulsivamente os limites do que se pode dizer e mostrar. Seja com receio ou com prazer, mas quase sempre com certo espanto, hoje vemos como a velha esfera da privacidade se exacerba sob a luz de uma visibilidade que se deseja total.

Dentre outros motivos, isso se dá porque essa visibilidade promete nos conceder a tão prezada celebridade. E, por si mesmas, essas condições parecem capazes de legitimar a existência daqueles que conseguem conquistá-las: ser visto e ser famoso equivale, cada vez mais, a ser alguém. Mesmo que não exista motivo algum para estar à vista de todos, e embora essa celebridade não tenha nenhum sentido exterior a ela própria. 

Pois já não é mais necessário ter feito algo extraordinário para ter acesso ao cobiçado pódio da fama, nem sequer dispor de alguma qualidade peculiar ou algum conhecimento valioso. Hoje, praticamente todos temos à nossa disposição um arsenal de técnicas para estilizar a personalidade e as experiências vitais. Além de aplicar esses recursos cotidianamente, para aprimorar a própria imagem, é preciso projetar de forma adequada os resultados dessa auto-estetização, a fim de nos posicionarmos do melhor modo possível no competitivo mercado das aparências e atrair os olhares alheios. As receitas mais eficazes para obter sucesso nessa espetacularização de si provêm dos moldes narrativos e estéticos que aprendemos ao longo das últimas décadas, tanto no cinema como assistindo televisão e consumindo publicidade, e que agora se recriam e desdobram nos novos gêneros interativos da web.

A noção de intimidade não é a única que se esvanece nesse turbilhão de mudanças. Perdem nitidez, também, as fronteiras que costumavam dividir aqueles dois tipos de espaços onde transcorria a existência moderna: a esfera pública e o âmbito privado. As paredes que os separavam, e que eram sólidas e opacas, desempenhavam papel fundamental na elaboração do eu moderno.

Por isso aumentou tanto a quantidade de pessoas que recorrem à internet para experimentar, ensaiar e brincar, testando novas formas de ser alguém – e se relacionar. Nos jogos que se desenvolvem nesses reluzentes cenários virtuais surgem estilos cada vez mais distantes do paradigma moderno do “homem sentimental”, por exemplo.

Tudo ocorre como se estivesse se deslocando, paulatinamente, o eixo em torno do qual cada sujeito elabora seu eu. Nascem, assim, entre nós, subjetividades bem menos concentradas na “vida interior” e mais voltadas para o campo do visível. Esses novos sujeitos, tão contemporâneos, creem que devem ser capazes de mostrar o que eles são na própria pele e na luz das telas.


Graças aos recursos oferecidos pela web e outros meios de comunicação que se tornam cada vez mais audiovisuais e interativos, as novas construções pessoais podem ser exibidas nas telas globais. E é desse modo que este novo tipo de eu se realiza. Porque em nossa sociedade do espetáculo só é aquilo que se vê, e por isso é necessário aparecer para que os olhares alheios confirmem a própria existência. Trata-se daquilo que se espera de nós: é o nosso modo de ser contemporâneo. Vazio, em busca constante de aprovação do externo. Esquecendo totalmente do eu interior.
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Por que você deveria fazer algo criativo todos os dias

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A criatividade é um tema muito presente não só em estudos de psicologia e neurociência, mas também em indagações nossas de modo geral. Aquela ideia comum do gênio atormentado faz muita gente pensar se a criatividade não seria algo ruim para a saúde emocional – ou se as pessoas com problemas emocionais é que seriam atraídas de alguma forma para trabalhos artísticos.


Algumas pesquisas trouxeram luz a questões do tipo. É um fato comprovado vez após vez, por exemplo, que emoções positivas favorecem a criatividade, e pesquisas já mostraram uma ligação entre depressão e esquizofrenia e certos tipos de arte. Também já foram encontradas evidências de que trabalhos criativos favorecem estados emocionais positivos, mas boa parte dos trabalhos nestes casos focava em atividades criativas realizadas por voluntários em laboratório, ali ao lado dos pesquisadores.

Um estudo publicado recentemente no Journal of Positive Psychology e assinado por pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, da Universidade de Minnesota e da Universidade da Carolina do Norte em Greensboro, ambas nos Estados Unidos, trouxe algumas novidades.

Os autores recrutaram 658 voluntários entre 17 e 25 anos, todos estudantes universitários da Nova Zelândia, e pediram a eles que mantivessem um diário online durante 13 dias. Ali, eles tinham de responder a perguntas sobre seus sentimentos, pensamentos e atividades criativas que haviam feito em cada dia.

Por atividades criativas, o questionário definia: “ter ideias novas ou originais; expressar-se de uma maneira original e útil; ou passar tempo fazendo atividades artísticas (arte, música, pintura, escrita etc.)”. Os participantes davam uma nota em uma escala de 0 (nada) a 4 (muito) para o quanto haviam se engajado em coisas desse tipo.

A medição de seu estado emocional era feita por um questionário diário com 18 itens que mediam emoções positivas como energia, entusiasmo, excitação, felicidade, prazer, calma, contentamento etc. e negativas, como raiva, hostilidade, irritabilidade, ansiedade, tensão, tristeza etc. Havia a chamada “flourishing scale”, ou escala de florescimento, que media sentimentos ligados a ter um propósito ou significado para a vida, além de engajamento e conexão social.

Resultados

O estudo concluiu que, quando os voluntários se envolviam mais do que o usual em atividades criativas, isso provocava um aumento significativo na escala de emoções positivas e um aumento ainda maior na escala de “florescimento” no dia seguinte. Ou seja, eles ficavam mais felizes e sentiam que tinham um propósito na vida.

Por outro lado, um aumento nessas duas escalas não significou aumento de atividades criativas no dia seguinte, o que mostra que esse é um efeito de uma mão só. Também não houve diferença na medição de emoções negativas (o que mostra que, se ser mais criativo não diminui emoções negativas, também não as aumenta, como alguns talvez pudessem pensar).

Implicações do estudo

De acordo com os autores, esses resultados abrem uma nova possibilidade para as pessoas ao permitir colocar as atividades criativas ao lado de práticas como a meditação, o estímulo à gratidão e os exercícios físicos como fontes de bem-estar.

E um ponto importante que os autores fizeram questão de frisar: essas atividades criativas não se restringem a trabalhos profissionais de arte e podem incluir coisas tão simples quanto cozinhar um prato novo, tricotar ou fazer uns rabiscos legais.

“Como os traços de personalidade dos voluntários não alterou os efeitos da criatividade sobre o bem-estar, é provável que essa estratégia possa funcionar com todos os tipos de pessoas,” diz o estudo, que pode ser lido na íntegra aqui. Ou seja, você não precisa ter uma personalidade mais propensa às artes ou ser especialmente criativo para se beneficiar disso.


Podemos ter um bom trabalho ou não, podemos ter uma vida confortável ou não, mas estamos todos sujeitos àquele sentimento de não ver muito propósito no que temos feito. Por outro lado, alguns dias nos sentimos realizados mesmo tendo feito coisas simples. Talvez a criatividade seja um fator importante por trás disso.


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Por que as críticas têm peso maior do que os elogios?

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Os seres humanos passam constantemente por desafios e provas que os levam a um alto grau de autocrítica. Muitas pessoas observam os pontos negativos dos outros, e consequentemente, o julgamento já virou algo normal.


Mas muitas vezes, aquele que julga esquece de olhar para seus próprios defeitos. E hoje, desde o estilo de roupa, gostos e até escolhas são criticadas e julgadas por terceiros superficialmente. Mas não são todas as críticas que são prejudiciais. Existe a crítica construtiva, que pode ajudar no desenvolvimento de uma pessoa. Por exemplo, em alguma situação no trabalho, ou um sermão dado por um professor a um aluno.

Mas, às vezes, críticas negativas chamam mais atenção do que os próprios elogios. Por que acontece isso?

Consequências das críticas

Como já mencionado anteriormente, as críticas quando são construtivas podem ajudar uma pessoa a se aperfeiçoar em algo, mas existem estudos que apontam que críticas e elogios em excesso podem não ser tão bons assim, pois afetam a nossa percepção. Pesquisadores, em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, apontaram que existe uma função neurológica que faz com que as pessoas se atentem mais às coisas negativas do que às positivas.

“Nós evoluímos para responder rápida e intensamente aos estímulos negativos. Há milhares de anos, estímulos negativos eram sinônimos de morte, então, quanto mais rápido você os absorvesse, melhores seriam suas chances de sobreviver”, disse um dos pesquisadores. Os seres humanos são egocêntricos, segundo alguns pesquisadores, e isso quer dizer que naturalmente, vemos os outros pelo crivo de nossas próprias experiências.

Segundo algumas teorias, as pessoas consideram mais uma crítica negativa, pois, apesar da evolução, críticas ainda são estímulos negativos e nós precisávamos responder a esses estímulos muito rapidamente por que eles poderiam nos levar à morte. Ao contrário, os elogios são estímulos positivos, que não requerem um grande nível de ação imediatamente.

Nas culturas de alguns países não é educado criticar alguém publicamente, enquanto fazer um elogio na frente de todos é algo corriqueiro. Para grande parte das pessoas receber uma crítica negativa em público marca muito mais do que receber um elogio, pois elas são mais raras do que o próprio elogio.

Pense antes de falar

O peso das críticas negativas pode ser maior para pessoas com depressão e baixo autoestima, pois elas já vivem focadas em seus aspectos negativos. Criticar negativamente, ou fazer bullying com pessoas nessas condições só vai piorar o quadro, e isso pode ter sérias consequências no futuro. 


Não existe nenhuma explicação perfeita de por que ficamos tão abalados quando somos reprovados ou rejeitados por terceiros, mas estudos e teorias tentam compreender esse tipo de comportamento.

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