Os benefícios psicológicos da gratidão

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Os benefícios de mostrar gratidão aos outros

A Gratidão afeta realmente o nosso cérebro a nível biológico, aumentando um dos neurotransmissores responsável pelo bem-estar psicológico: a dopamina. Explicando de uma forma simples, a gratidão provoca efeitos semelhantes a alguns antidepressivos. Sentir-se grato/a ativa a região do cérebro responsável pela produção de dopamina, dando-lhe uma maior sensação de bem-estar. Adicionalmente, a gratidão face a outras pessoas aumenta a atividade dopaminérgica em regiões associadas às interações sociais, tornando as mesmas mais prazerosas.



A Gratidão aumenta também outro neurotransmissor responsável pelo bem-estar psicológico: a serotonina. Ao tentar pensar naquilo pelo qual está agradecido/a na vida, leva-o/a a focar-se nos aspetos positivos da mesma, o que promove um aumento na produção de serotonina no Córtex Anterior, com todos os benefícios a ela associados.

Isto significa que é preciso resignar-se e que não é possível ser feliz no dia a dia? Nada mais longe da realidade. Por isso, proponho o seguinte exercício que certamente os deixará gratamente surpresos.

Mas você pode estar pensando neste momento:  “Mas há alturas na vida em que é tão difícil pensar naquilo pelo qual somos gratos”. É verdade, há momentos em que o sofrimento é tão intenso que a única coisa que conseguimos fazer é preocupar-nos, sentirmo-nos ansiosos e tristes. Lembre-se que a curto prazo o seu cérebro se alimenta disso e vai gerar um ciclo de recompensas.

Este ciclo pode começar a ser quebrado por algo tão simples como perguntar-se pelo que está agradecido na sua vida. Na realidade, não é encontrar a resposta que mais importa, mas é sim o ato de pensar sobre isso que aumenta os neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar.

Pense em uma pessoa que tenha sido muito importante na sua vida. Seus pais, irmãos, amigos, avós, parceiro… Todos temos alguém que nos marcou e que serviu como exemplo em nosso dia a dia. Já pensou? Pois agora coloque em uma folha de papel o que essa pessoa lhe trouxe de bom ao longo dos anos. É importante espremer bem essa laranja, porque depois vem o mais importante.

Depois disso, você só precisa se colocar em contato com essa pessoa que escolheu, por telefone por exemplo, e dizer-lhe de coração aberto tudo o que você escreveu sobre ela. Também é muito importante explicar-lhe o por quê da sua escolha, assim ela entenderá um pouco melhor o sentido da sua ligação.


Já fez? Pronto? Pois ai está um dos grandes benefícios. Com certeza, ao desligar o telefone e ter falado com essa pessoa que você considera tão importante, você se sentirá melhor consigo mesmo. Isto é, você está muito mais feliz. E isso, meus amigos, é algo que não tem preço e nem todo o ouro do mundo paga.

Expressar gratidão pode mudar seu cérebro e faz muito bem para a saúde

Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImageatesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios.

Para a experiência, foram chamados 43 voluntários que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados a ansiedade. Todos foram recrutados para uma terapia em grupo semanal, porém apenas vinte e dois deles foram chamados para a "sessão de gratidão", por assim dizer: nos três primeiros encontros, os participantes passaram vinte minutos escrevendo cartas em que revelavam gratidão pelo destinatário (e poderiam escolher se enviariam ou não a carta). O outro grupo não participou desse exercício.

Três meses depois desses encontros, todos passaram por um escaneamento cerebral, que ocorria simultaneamente a outro exercício: eram exibidas fotos de pessoas que, em tese, teriam feito grandes doações de dinheiro à pesquisa. Os participantes precisavam agradecer a eles pelo investimento, enquanto seus cérebros eram examinados. Todo mundo sabia que era apenas um exercício, mas foi dito a cada um deles que as doações realmente seriam feitas em algum momento.

O teste foi claro: quem escreveu as cartas, três meses antes, demonstrou mais atividade cerebral nas áreas relacionadas ao sentimento de gratidão. Vale ressaltar que essas áreas responderam de forma ímpar: ações como se colocar no lugar do outro ou demonstrar empatia não reverberam da mesma forma no cérebro. É um sentimento único. E o mais empolgante é que o efeito de "exercitar a gratidão" é realmente duradouro: seja duas semanas ou três meses depois da experiência, é como se a massa cinzenta se "lembrasse" do comportamento carinhoso e passasse a agir mais dessa forma. A pesquisa compara esse treinamento a como exercitar um músculo: quanto mais você pratica a gratidão, mais propenso estará a senti-la espontaneamente no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão e passar mais tempo com aquele calorzinho bom de se sentir feliz com a ajuda de alguém.

Essas investigações sobre os efeitos de se sentir grato ainda são bastante primordiais – e os próprios pesquisadores admitem isso. Há muito a aprender em termos de efeitos desse sentimento no cérebro e se realmente podemos relaciona-los a efeitos de longo prazo na forma como pensamos e agimos no cotidiano. Mas enquanto isso, talvez seja mesmo bom espalhar #gratidão por aí – e não apenas em uma hashtag.
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Memória: 10 sinais que deveriam preocupar

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  O projeto "Horas da Vida" foi criado para ser uma plataforma em que alguns dos melhores médicos do Brasil disponibilizam consultas gratuitas a entidades sociais.

Mas, agora, ampliou seus serviços para todos, mas de forma virtual. Seus médicos passaram a dar dicas de saúde através de sua plataforma para que as pessoas, com mais informação, possam prevenir as doenças.

Um dos textos é sobre memória e 10 sinais preocupantes sobre seus problemas quando desconfiar que a falta de memória é um problema grave do que apenas o envelhecimento natural.

Veja os 10 sinais:

1. Alta frequência de esquecimentos;

2. Esquecimento de coisas importantes (pagar contas, fogão acesso, trancar a casa, etc…);

3. Mudar de ambiente e esquecer o que foi fazer no outro ambiente;

4. Independência afetada por conta dos esquecimentos;

5. Dificuldades em fazer contas, dificuldade em gerir as próprias finanças, dificuldade em compreender programas de televisão, etc.;

6. Tornar-se repetitivo, perguntando sempre as mesmas coisas, mesmo que já tenha sido adequadamente respondidas;

7. Recordação recorrente de fatos do passado, fora de contexto;

8. Se perder com facilidade em locais conhecidos;

9. Troca recorrente de nomes e membros da família;

10. Perda da confiabilidade por parte dos familiares.

       
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Dez formas de amar uma pessoa

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"No final da vida, nossas perguntas são muito simples: Eu vivi plenamente? Eu amei bem?” Jack Kornfield


Aprendemos sobre amor e como amar desde a infância com os nossos pais e familiares. Além disto, todos nós crescemos ouvindo histórias saudáveis sobre como as pessoas se amam e outras nem tanto. Entretanto, algumas pessoas embora sintam que amam enfrentam dificuldades para demonstrar e isto acaba se tornando um bloqueio ou até mesmo interpretado como falta de amor em uma relação.

Pensando nestas pessoas, separamos dez formas simples que demonstram que você ama a pessoa, seja ela seu marido, esposa, filho, ou amigo, mesmo sem necessariamente dizer algo:

1. Seja autêntico, verdadeiro, e mostre quem você realmente é.

Não tente sente ser outra pessoa. Se aceite como você é e mostre seu eu para a pessoa. Quando você é verdadeiro em um relacionamento, você dá a pessoa à possibilidade dela ser verdadeira com você também. Sem máscaras e sem mentira.

2. Não confunda "autenticidade”, “sinceridade” com grosseria.

Muita gente acha que por que elas são sinceras elas têm o direito de falar o que vem a mente, sem filtro algum. Você pode e deve sempre dizer a verdade, mas existem maneiras de falar, sem que seja preciso ofender. Seja gentil com o outro. Não é porque você acha que algo está certo que necessariamente precisa estar.

3. Escute. Escute. Escute.

Não escute para determinar se você concorda ou discorda. Escute para entender o que a pessoa quer te falar e não para convencê-la de algo. Escute com empatia, procure entender  o ponto de vista da pessoa.

4. Diga-lhes sobre seu potencial.

A maioria das pessoas tem dificuldade em reconhecer seu potencial, seja por que não o conhece ou porque simplesmente seus pais nunca lhe disseram. Se você consegue ver algum potencial na pessoa amada, diga! A Incentive!

5. Não desperdice seu tempo ou energia pensando sobre como eles precisam ou deveriam ser diferentes.

Sério. Desista. Pare de tentar mudar o outro. Você tem seus hábitos e cada um tem uma personalidade diferente. Ou você aceita ou você não aceita. Tentar mudar o outro simplesmente porque eu não gosto de algo é simplesmente cruel e desnecessário.  

6. Lembre-se que você não tem que entender suas escolhas para respeitá-los ou aceitá-los.
Eu posso não entender o outro, mas eu devo respeitá-lo. Existe uma frase que diz: "Posso não concordar com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" (Voltaire).

7. Não confunda aceitar o que a pessoa é, pensa, faz ou quer, com ser um capacho ou  ser dependente emocional da pessoa.

Respeite quem a pessoa é. Então, você decide o que você precisa e se é o que você quer para a sua vida. Quando você começa a se anular por causa do outro, não se cuida ou não estabelece limites em seu relacionamento, está na hora de pensar se isto é amor ou se é dependência da pessoa.

8. Se doe em um relacionamento, mas não ao ponto de se sacrificar ou comprometer seus valores e crenças.

Relacionamento é uma troca mútua, onde em momentos diferentes cada pessoa terá que ceder um pouco. Se entregue e se doe, mas não permita que isto te anule ou que vire um sacrifício. Quando isto acontece, surgem os ressentimentos e as cobranças e o seu relacionamento estará fadado ao fracasso.

9. Veja o seu valor. Se ame em primeiro lugar.

Eu costumo brincar que o mandamento é claro: ame o seu próximo como a ti mesmo. Esta palavra “como” faz toda a diferença porque coloca uma condição. Se eu me amo, será fácil amar o próximo. E eu só amo o próximo se eu me amo em primeiro lugar. Você não consegue dar o que não tem e o mesmo serve para o amor. Se ame e se coloque em primeiro lugar, isto não é egoísmo, mas algo necessário para os relacionamentos.


10. Aceite esta verdade como seu mantra e tente viver e pensar se lembrando disto: 

Tudo o que eu experimento de outro ser humano é ou amor ou um apelo para o amor.
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O que uma pessoa com transtorno de ansiedade gostaria que você soubesse, mas não tem coragem de te contar:

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Ela quer que você entenda e não se aborreça quando ela faz a mesma pergunta mais de uma vez. Desligamos o forno? Sim. Fechamos as portas? Sim. Estaremos bem se algo ruim acontecer? Sim. Ela só quer ouvir da pessoa que ela mais confia que tudo vai ficar bem.

Ela quer que você a lembre que ela não tem que se sentir culpada e que não tem nada para se desculpar,  mesmo que ela o peça o tempo todo, afinal, ela precisa de apoio para lidar com a sua ansiedade e não mais pressão.

Ela quer sua ajuda para coisas que ela sabe que parecem fácil e simples demais para qualquer pessoa, mas ela simplesmente não consegue fazer naquele momento. Por isto, a pressionar para falar em publico ou dar oi para seus amigos podem ser uma péssima ideia.

Ela gostaria que você entendesse que ela pode estar bem agora e em um segundo depois, ela pode ter uma crise. Por isto vocês precisam conhecer o que dispara a sua ansiedade e como controlá-la.

Ela precisa do seu apoio e paciência. Lembre-se que a pessoa que mais sofre é ela mesma. Não é divertido ter ansiedade e não conseguir fazer coisas que qualquer pessoa consegue. É angustiante e extremamente cansativo.

Ela quer que você entenda que tomar uma decisão não é simples e que ela precisa pensar muito. E mesmo depois de algo decidido, ela pode voltar atrás, fica em dúvida e começar todo o processo de tomada de decisão de novo.

Ela precisa que você elimine as frases do seu repertório: Te conto depois, Precisamos conversar, Nos falamos mais tarde, Você sabe o que você faz. Tais frases já são difíceis de lidarmos imagina para quem transtorno de ansiedade?

Ela não quer que você a peça para ficar calma ou bem. A sua realidade de mundo ou a forma como você enxerga as coisas, é totalmente diferente de quem tem ansiedade. Ao invés de pedir para ficar calma, sente-se ao lado dela e fique em silencio. Pergunte o que você pode fazer para ajuda-la ao invés de já apresentar a solução.

Ela gostaria que você não a tratasse como uma incapaz, assumindo posturas e posições frente a situações sociais ou em qualquer situação sem antes consulta-la.

Ela precisa do seu espaço e muitas vezes querem ficar sozinha e isto não significa que ela está te ignorando, mas significa apenas que ela não consegue naquele momento, lidar com as angústias e com sua mente inquieta e tudo que ela precisa é se acalmar. Sozinha. Sem pressão.

Ela tem medo de ficar sozinha. Então ela precisa que você se afaste um pouco, mas não muito. Se aproxime quando ela pedir. Pergunte como ela está.

Ela quer que você entenda que o que ela sente, não é drama e nem frescura. É real e paralisante e se ela pudesse ela não se sentiria assim. Transtorno de ansiedade é uma doença e  deve ser tratada e levada a sério como tal.

 Mas...


Ela precisa que você não a deixe se fazer vítima ou se esconda atrás da ansiedade para fugir das suas responsabilidades. Para isto, procure um psicólogo e/ou um psiquiatra com ela. Mostre que mesmo ela sofra, ela precisa e tem como ser curada e que não precisa de forma alguma ser vítima da ansiedade. 
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Melhore seu relacionamento com a pessoa mais importante: VOCÊ !

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O seu relacionamento com você mesmo, é sem dúvida, o relacionamento mais importante da sua vida e ele começa antes mesmo de você perceber- na linguagem verbal e não verbal nos cuidados dos seus pais, enquanto você ainda é bebê. O que você acredita ser, quem você é, suas expectativas perante a vida, bem como suas crenças, começam a ser formadas desde cedo. O problema acontece, quando estas mensagens são negativas, são críticas e elas acabam tomando uma proporção tão grande no nosso emocional, que nos impedem de perceber quem realmente somos.


Quando isto acontece, surge o que chamamos de falso self. Para se adaptar as falas do outro, bem como as suas expectativas e em uma tentativa desesperada de agradar, passamos a acreditar mais na opinião, sentimentos e juízo do outro do que em nós mesmos. Vestimos uma “máscara” social e simplesmente vamos vivendo sem saber quem de fato somos.

Sem acreditarmos em nós mesmos e em nosso potencial, passamos a ter uma crença de pouca valia a nosso respeito e uma baixa autoestima. E com isto, passamos a nos relacionar de uma forma superficial, pouco saudável, afinal este não é o meu eu verdadeiro, e o que aconteceria se você demonstrasse quem de fato você e os outros não gostassem?  

Relacionamentos saudáveis são necessários para se ter uma vida feliz. Mas para isto acontecer, você precisa entrar em contato com o seu verdadeiro eu. Mas como? Listamos três dicas para te ajudar a começar esta caminhada para se encontrar.

Tire um tempo para você

Para conhecermos alguém, precisamos passar tempo com esta pessoa. Fazemos perguntas, frequentamos os lugares que ela gosta de ir, conhecemos sua família etc. O processo para se conhecer é o mesmo, então a primeira coisa que você precisa fazer é tirar um tempo para você.

Não estamos falando que você precisa ir para um retiro e ficar isolado do mundo. Não. Estamos apenas sugerindo que você passe um tempo a sós, em sua própria companhia. Tenha um dia, na qual você poderá se cuidar, passear, experimentar aquela comida exótica que você tanto quer, faça um curso ou simplesmente fique de barriga para cima ouvindo música. Gaste tempo com você fazendo aquilo que realmente gosta. Não precisa ser um dia todo, um mês inteiro, a questão não é a quantidade, mas a qualidade. Comece aos poucos e quanto menos você perceber, estes momentos serão valiosos.

Se questione

Este segundo passo será um pouco mais doloroso. Lidar com as nossas crenças de vida poderá nos assustar ao percebermos que muita coisa não faz sentido e que só faz sentido para o outro. Talvez você não se lembre, mas houve uma época em sua vida, em que você perguntava para os seus pais sobre tudo. Chamamos isto da “fase dos porquês”.

O que faz sentido para você hoje? Você realmente quer fazer isto? Por que você tem que agradar a todos? Quais os seus sonhos? O que você quer para a sua vida? Se a vida é tão curta, por que fazemos tantas coisas que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos? Você está fazendo o que você acredita, ou você se contenta com o que está fazendo? Qual a coisa que você não fez e que você realmente quer fazer?  O que está prendendo você? Este é o caminho... E a boa notícia, é que as respostas  virão e estão dentro de você.

Mude. Mas mude aos poucos.

Uma vez que você passou a se conhecer, e a se questionar, o próximo passo será a mudança. Albert Einstein já dizia: "A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original."  Mudar, embora pareça assustador e difícil no começo, ela vai se tornando mais fácil a medida que as coisas vão se encaixando.
A mudança deverá ser feito do seu jeito e no seu tempo. Não adianta querer abraçar o mundo com dois abraços apenas. Comece aos poucos, devagar. Celebre cada conquista, cada passo. Mude por você e para você apenas. Não tenha medo de tomar decisões. Assuma o controle da sua vida. Lembre-se que o objetivo é se encontrar e ser feliz e cada passo conta. Não precisa atropelar o outro neste processo. Encontrar o seu eu significa se relacionar bem com você mesmo e em consequência, seus relacionamentos serão mais saudáveis.

E por último...

Procure ajuda de um psicólogo caso seja necessário. Muitas vezes não conseguimos nos conhecer e mudar sozinhos, afinal a jornada é longa e muitas vezes dolorosa. Não há nada de errado em procurar um psicólogo para te auxiliar nesta caminhada. Não é quem tem problema que procura um psicólogo. Problemas todos nós temos. Procura ajuda quem quer resolvê-los.

Não tenha medo de mudar. Tenha medo de ficar a vida inteira no mesmo lugar. Infeliz. Sem ser você!





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Pesquisas mostram que a dor da rejeição ativa as mesmas áreas da dor física.

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O sentimento de rejeição é uma das experiências mais fortes e dolorosas que as pessoas enfrentam durante a sua vida. A rejeição pode ser entendida como a emoção que experimentamos quando não somos aceitos , ou excluídos , seja no  contexto familiar, amoroso, profissional, social e até acadêmico.

As rejeições são os cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne.  Mesmo com a frequência das ocorrências, o rejeitado pode não conseguir formar uma carapaça --muitos sofrem tanto que a dor lhes inunda de raiva e solapa a autoestima.

Não é para menos, afinal, o ser humano tem necessidade de ser aprovado, de ser aceito. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito. Fica um vazio. A sensação é profunda, dói no peito, parece que estão enfiando uma faca.

Não se trata de figura de linguagem. Em seu livro ( Emotional First Aid- Primeiros socorros emocionais), Guy Winch cita estudos que, por meio de ressonância magnética, mostram que a dor da exclusão social ativa no cérebro as mesmas áreas acionadas pela dor física.
O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus "ex"; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares.

As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva. É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso.

Em 551 casos de homens que mataram suas mulheres nos Estados Unidos, quase a metade dos crimes ocorreu em resposta a uma separação, constataram cientistas citados no livro de Winch.

FRUSTRAÇÃO

As pessoas estão menos capazes de lidar com as rejeições impostas pela vida, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. "Há pessoas que acham que o mundo é uma grande teta e que todos têm de fazer o que elas querem", diz.

O mundo contemporâneo propaga que é possível você ter tudo; se você não tiver, não alcançar, a frustração é maior. Talvez por isto, As coisas estão mais passageiras. Em relações amorosas, as pessoas não investem o quanto deveriam investir. Se está difícil, já passam para outra.

Mas fica a dor. Que pode ser superada. É preciso encarar a rejeição como um aspecto da vida. E reconhecer que você pode trilhar outro caminho para abrandar a dor. Não que isso seja simples. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista. Mas o rejeitado também pode se ajudar. Ouça o que as pessoas falam de você, e não apenas o que você pensa.

Como lidar com a rejeição

  • Ao passar por uma situação de rejeição se dê o direito de ficar chateado e dê um tempo para si mesmo para elaborar a situação, mas não exagere.
  • Converse sobre o assunto com alguém de sua confiança.
  • Aceite o que aconteceu. Quando mais rápido você aceitar a rejeição que sofreu, mas cedo você estará apto a seguir em frente, não se martirize!
  • Não perceba a rejeição como uma característica pessoal. Ser rejeitado não define quem você é!
  • Se ocupe com coisas agradáveis e retome seus projetos logo que se sentir melhor.
  • E caso necessite de ajuda para lidar com a rejeição lembre-se de procurar uma psicóloga, que é a pessoa capacitada e preparada para auxiliar nas dificuldades emocionais. Conte com esse apoio!
Debora Oliveira
Psicóloga Clínica


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Brasileiro cria “WhatsApp para terapia” por R$ 300 ao mês

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E se você pudesse conversar com o seu psicólogo ao longo do mês apenas abrindo um aplicativo no seu smartphone? 



Um empreendedor brasileiro criou uma plataforma que conecta psicólogos e pacientes por mensagens de texto, funcionando como uma espécie de WhatsApp da terapia. O app é chamado Fala Freud e poderá ser usado em todo o território nacional, colocando psicólogos do sudeste para atender pacientes do centro-oeste e vice-versa.

Criado por Yonathan Yuri Faber, ele tem o objetivo de levar o atendimento psicológico para locais em que não existem muitos psicólogos ou para pessoas que não têm dinheiro para pagar por sessões de terapia.

A mensalidade do Fala Freud é de 300 reais. Metade desse valor fica com o psicólogo que presta o atendimento via aplicativo, enquanto o restante fica com a empresa de Faber. Semanalmente, os psicólogos precisam escrever relatórios sobre o progresso dos pacientes. Antes do início do atendimento, o psicólogo-chefe da plataforma faz uma triagem para identificar se a pessoa tem ou não perfil para ser atendida por meio do app.

Por exemplo, pessoas com distúrbios psicológicos graves não poderão ser clientes do aplicativo, pois precisam de um atendimento presencial. O aplicativo, entretanto, ainda divide opiniões de psicólogos.

“O atendimento, ao contrário do que algumas pessoas pensam, não irá substituir o da terapia presencial, ele será baseado em uma orientação, um acolhimento e que com certeza ajudará muitas pessoas a evoluírem e se tornarem cada vez mais inteligentes emocionalmente. Aqueles casos em que realmente houver necessidade de um acompanhamento intenso indicaremos a terapia tradicional”, afirmou Dayane Costa Fagundes, psicóloga que atenderá pacientes por meio do Fala Freud. “Muitas pessoas têm dificuldades e estigmas para ir a um consultório terapêutico, outras têm receio em falar frente a frente com alguém sobre seus problemas.”

Já a psicóloga Renata Paula Monticcelli tem uma visão cética em relação ao aplicativo: “A fala ou a escrita não detecta emoções verdadeiras. Elas podem ser mentirosas. Na terapia, a pessoa se defende, se justifica e fala coisas que às vezes fazem sentido, às vezes não. Se o profissional interpretar a linguagem corporal, ele pode entender melhor os sentimentos verdadeiros do paciente. A escrita é subjetiva. Não tem como eu por minha mão  no fogo dizendo que o que eu escrevo será interpretado da maneira que eu quero”, declarou a profissional, que tem 35 anos de experiência em atendimento psicológico. 

“Na terapia, é preciso ter vínculo com a pessoa. Não é como abrir uma geladeira quando você precisa de alguma coisa”, disse Renata.

Faber, fundador do Fala Freud, sabe que existe uma resistência por parte dos psicólogos, mas acredita que as gerações de profissionais mais jovens irão se adaptar bem ao atendimento via app. Ele cita o exemplo do bem-sucedido Talk Space, um aplicativo semelhante que oferece orientação psicológica a pacientes nos Estados Unidos.

“A psicologia ainda é uma ciência muito moderna. A geração de psicólogos que temos hoje no Brasil já é muito antiga. Essas pessoas cresceram na era da TV e não na era do smartphone. Quando você entrega esse aplicativo na mão de uma pessoa como essa, ela o enxerga com outros olhos. Mas toda ciência evolui”, afirmou Faber.

O Conselho Federal de Psicologia deixa claro que o aplicativo não substitui a terapia presencial.

“O atendimento clínico, a psicoterapia em si, não é recomendável via aplicativos, Skype ou métodos semelhantes. Do ponto de vista de uma terapia, isso não é regulamentado, está vedado. Não é possível fazer atendimentos via app ou Skype”, afirmou Rogério Oliveira, conselheiro do Conselho Federal de Psicologia.

“A psicologia vai além de conceitos simples, como escuta ou fala. A psicologia tem diversos conceitos do atendimento clínico que vai muito além do senso comum. Isso é uma barreira para as tecnologias atuais”, declarou Oliveira.

O Fala Freud tem previsão de lançamento para o final de julho, com 50 psicólogos, entre os mais de 2 mil interessados em participar do app. No entanto, ele ainda precisa de uma parecer favorável do Conselho Federal de Psicologia.


“O app precisa passar pelo crivo do Conselho para que os profissionais não cometam falta ética, o que pode levar a uma cassação do registro, bem como para que pessoas que não são psicólogos não atendam pacientes de forma fraudulenta”, segundo Oliveira.
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Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também

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Cortella: “Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também"

Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, uma das principais referências do país em educação, somos a primeira geração que testemunha mudanças de paradigmas tão velozes. E é natural que os pais se sintam perdidos. Então, afinal, qual o segredo para não ficar ultrapassado na educação dos filhos?

“A novidade não é a mudança no mundo, é a velocidade da mudança.” Foi assim que o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor há 42 anos, pai e avô, abriu a palestra Novos Tempos, Novos Paradigmas, que aconteceu em São Paulo, no fim de setembro. Diante de uma plateia hipnotizada pelo vozeirão com sotaque sulista e pela naturalidade em tratar temas complexos sem firulas, ele deixou claro que o grande desafio da atualidade é acompanhar as transformações para não ficar para trás. Sim, estamos vivendo um tempo de reviravoltas sem precedentes: na tecnologia, no trabalho, nas relações. Nesse contexto, mudar não é apenas imprescindível, mas inevitável. Principalmente quando se fala em educação. Em entrevista exclusiva à CRESCER, Cortella separa o que é velho do que é antigo, defende que pais podem ser, sim, amigos dos filhos sem perder a autoridade e critica o peso colocado na escola para assumir um papel que é da família. Confira!

Como essa mudança tão veloz de paradigmas tem afetado a forma como os pais criam os filhos?

Uma parte das famílias acabou perdendo um pouco a referência dada à velocidade das mudanças e à rarefação do tempo de convivência com as crianças. Isso fez com que muitas acabassem terceirizando o contato com os filhos e delegando à escola aquilo que é originalmente de sua responsabilidade. Só que isso perturba a formação das novas gerações. É claro que criar pessoas dá trabalho e exige esforço. Acontece que, no meio de todas essas mudanças, alguns pais e mães ficam desorientados. Por isso, é necessário que eles encontrem apoio, em livros, revistas, grupos de discussão. Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também.

Ao mesmo tempo que muitas famílias terceirizam os cuidados, há um movimento de mães e pais largando a carreira para se dedicar exclusivamente aos filhos, não?

Claro. Uma das coisas mais importantes na vida é entender que a palavra prioridade não tem “s”. Não tem plural. Se você disser: “tenho duas prioridades” é porque não tem nenhuma. Então, deve estabelecer qual é a sua prioridade. Sua prioridade é o convívio familiar? Então dê força a isso. É a sustentação econômica? Vá fundo. Só que, ao escolher, não sofra. É evidente que ninguém precisa abandonar a carreira em função da família, mas é necessário buscar o equilíbrio – da mesma forma como se faz para andar de bicicleta: só há equilíbrio em movimento. Se você parar, desaba. Tenha em mente que haverá momentos em que a família é o foco. Em outros, a carreira. Mas lembre-se de que a vida é mais como maratona do que como uma corrida de 100 metros rasos: você não sai disparado feito um louco. Tem horas que vai mais rápido, outras em que desacelera. O segredo é ir dosando.

Você diz que, em um mundo de mudanças, nem tudo o que é antigo é velho. Como saber o que está ultrapassado na criação dos filhos?

No convívio familiar, uma coisa que é antiga, mas não é velha, é o respeito recíproco. Outra é a capacidade de o adulto saber que a criança é “subordinada” a ele, ou seja, que está sob as suas ordens. O pai não pode se tornar refém de alguém que ele orienta e cria. Agora, uma coisa que é velha e que deve ser descartada é o autoritarismo, a agressão física, o modo de ação que acaba produzindo algum tipo de crueldade. Isso é velho e é necessário, sim, mudar. Na relação de convivência em família é preciso modificar aquilo que é arcaico. O que não dá para perder é a honestidade, a afetividade e a gratidão. Tudo isso vem do passado e tem que continuar.

E como os pais podem construir essa autoridade sem autoritarismo?

O pai e a mãe têm que saber que ele ou ela é a autoridade. Ao abrir mão disso, há um custo. Quem se subordina a crianças e jovens, e têm sobre eles alguma responsabilidade, está sendo leviano.

Mas você acha que dá para ser amigo dos filhos?

Claro. O que não pode é ser íntimo no sentido de perder a sua autoridade. Eu tenho amizade com os meus alunos, mas isso não retira a autoridade nem a responsabilidade que eu tenho sobre eles como professor. Há uma frase que precisa ser deixada de lado que diz que “o amor aceita tudo”. Isso é uma tolice. O amor inteligente, o amor responsável é capaz de negar o que deve ser negado. A frase certa é: “Porque eu te amo é que eu não aceito isso de você”. O amor que tudo aceita é leviano, irresponsável.

Atualmente, se joga muita responsabilidade na escola. Qual é o limite entre os deveres dos pais e dos professores na educação das crianças?

É uma coisa estranha: a escola fica quatro ou cinco horas com as crianças, em um dia que tem 24 horas, com 30 alunos juntos. É um estabelecimento que deve ensinar a educação para o trabalho, educação para o trânsito, educação sexual, educação física, artística, religiosa, ecológica e ainda português, matemática, história, geografia e língua estrangeira moderna.

Supor que uma instituição com essa carga de atividade seja capaz de dar conta daquilo que uma mãe ou um pai é que tem que ensinar a um filho ou dois é não entender direito o que está acontecendo. A função da escola é a escolarização: é o ensino, a formação social, a construção de cidadania, a experiência científica e a responsabilidade social. Mas quem faz a educação é a família. A escolarização é apenas uma parte do educar, não é tudo. Já tem personal trainer, personal stylist, agora querem personal father, personal mother. Não dá, é inaceitável.

Por outro lado, os pais interferem demais na escola?

Há uma diferença entre interferir e participar. A escola tem que ser aberta à participação. Quando há uma interferência é sinal de que está mal organizado. O que acontece nas escolas particulares, que são minoria e representam apenas 13% do total, é que muita gente não lida mais com a relação família versus escola como parceria. É mais como se fosse um relacionamento regido pelo Código do Consumidor, como um cliente, como se o ensino fosse o mesmo que a aquisição de um carro. Essa relação é estranha e precisa ser rompida.

A educação de gênero tem gerado repercussão no meio escolar. Como você acha que as escolas devem abordar esse tema?

Uma sociedade que não é capaz de atender à diversidade que a vida coloca é uma sociedade tola. É preciso lembrar que a natureza daquilo que é macho e fêmea está na base biológica, mas o gênero se constrói na convivência social. O macho e a fêmea vêm da biologia. Mas o que define masculino e feminino é aquilo que vai se construindo no dia a dia. Por isso a escola tem que trazer o tema. É claro que não vai incentivar uma discussão que seja precoce para crianças de 8, 9, 10 anos. Mas também não vai fazer com que aquele que é diferente seja entendido como estranho. Aquele que é diferente é apenas diferente, não é estranho. Nessa hora, é tarefa da escola acolher. Se a família não concorda e a escola é privada, mude a criança de escola. Agora, se for uma instituição pública, é um dever constitucional e republicano admitir a diversidade.
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Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também

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Cortella: “Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também"

Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, uma das principais referências do país em educação, somos a primeira geração que testemunha mudanças de paradigmas tão velozes. E é natural que os pais se sintam perdidos. Então, afinal, qual o segredo para não ficar ultrapassado na educação dos filhos?

“A novidade não é a mudança no mundo, é a velocidade da mudança.” Foi assim que o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor há 42 anos, pai e avô, abriu a palestra Novos Tempos, Novos Paradigmas, que aconteceu em São Paulo, no fim de setembro. Diante de uma plateia hipnotizada pelo vozeirão com sotaque sulista e pela naturalidade em tratar temas complexos sem firulas, ele deixou claro que o grande desafio da atualidade é acompanhar as transformações para não ficar para trás. Sim, estamos vivendo um tempo de reviravoltas sem precedentes: na tecnologia, no trabalho, nas relações. Nesse contexto, mudar não é apenas imprescindível, mas inevitável. Principalmente quando se fala em educação. Em entrevista exclusiva à CRESCER, Cortella separa o que é velho do que é antigo, defende que pais podem ser, sim, amigos dos filhos sem perder a autoridade e critica o peso colocado na escola para assumir um papel que é da família. Confira!

Como essa mudança tão veloz de paradigmas tem afetado a forma como os pais criam os filhos?

Uma parte das famílias acabou perdendo um pouco a referência dada à velocidade das mudanças e à rarefação do tempo de convivência com as crianças. Isso fez com que muitas acabassem terceirizando o contato com os filhos e delegando à escola aquilo que é originalmente de sua responsabilidade. Só que isso perturba a formação das novas gerações. É claro que criar pessoas dá trabalho e exige esforço. Acontece que, no meio de todas essas mudanças, alguns pais e mães ficam desorientados. Por isso, é necessário que eles encontrem apoio, em livros, revistas, grupos de discussão. Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também.

Ao mesmo tempo que muitas famílias terceirizam os cuidados, há um movimento de mães e pais largando a carreira para se dedicar exclusivamente aos filhos, não?

Claro. Uma das coisas mais importantes na vida é entender que a palavra prioridade não tem “s”. Não tem plural. Se você disser: “tenho duas prioridades” é porque não tem nenhuma. Então, deve estabelecer qual é a sua prioridade. Sua prioridade é o convívio familiar? Então dê força a isso. É a sustentação econômica? Vá fundo. Só que, ao escolher, não sofra. É evidente que ninguém precisa abandonar a carreira em função da família, mas é necessário buscar o equilíbrio – da mesma forma como se faz para andar de bicicleta: só há equilíbrio em movimento. Se você parar, desaba. Tenha em mente que haverá momentos em que a família é o foco. Em outros, a carreira. Mas lembre-se de que a vida é mais como maratona do que como uma corrida de 100 metros rasos: você não sai disparado feito um louco. Tem horas que vai mais rápido, outras em que desacelera. O segredo é ir dosando.

Você diz que, em um mundo de mudanças, nem tudo o que é antigo é velho. Como saber o que está ultrapassado na criação dos filhos?

No convívio familiar, uma coisa que é antiga, mas não é velha, é o respeito recíproco. Outra é a capacidade de o adulto saber que a criança é “subordinada” a ele, ou seja, que está sob as suas ordens. O pai não pode se tornar refém de alguém que ele orienta e cria. Agora, uma coisa que é velha e que deve ser descartada é o autoritarismo, a agressão física, o modo de ação que acaba produzindo algum tipo de crueldade. Isso é velho e é necessário, sim, mudar. Na relação de convivência em família é preciso modificar aquilo que é arcaico. O que não dá para perder é a honestidade, a afetividade e a gratidão. Tudo isso vem do passado e tem que continuar.

E como os pais podem construir essa autoridade sem autoritarismo?

O pai e a mãe têm que saber que ele ou ela é a autoridade. Ao abrir mão disso, há um custo. Quem se subordina a crianças e jovens, e têm sobre eles alguma responsabilidade, está sendo leviano.

Mas você acha que dá para ser amigo dos filhos?

Claro. O que não pode é ser íntimo no sentido de perder a sua autoridade. Eu tenho amizade com os meus alunos, mas isso não retira a autoridade nem a responsabilidade que eu tenho sobre eles como professor. Há uma frase que precisa ser deixada de lado que diz que “o amor aceita tudo”. Isso é uma tolice. O amor inteligente, o amor responsável é capaz de negar o que deve ser negado. A frase certa é: “Porque eu te amo é que eu não aceito isso de você”. O amor que tudo aceita é leviano, irresponsável.

Atualmente, se joga muita responsabilidade na escola. Qual é o limite entre os deveres dos pais e dos professores na educação das crianças?

É uma coisa estranha: a escola fica quatro ou cinco horas com as crianças, em um dia que tem 24 horas, com 30 alunos juntos. É um estabelecimento que deve ensinar a educação para o trabalho, educação para o trânsito, educação sexual, educação física, artística, religiosa, ecológica e ainda português, matemática, história, geografia e língua estrangeira moderna.

Supor que uma instituição com essa carga de atividade seja capaz de dar conta daquilo que uma mãe ou um pai é que tem que ensinar a um filho ou dois é não entender direito o que está acontecendo. A função da escola é a escolarização: é o ensino, a formação social, a construção de cidadania, a experiência científica e a responsabilidade social. Mas quem faz a educação é a família. A escolarização é apenas uma parte do educar, não é tudo. Já tem personal trainer, personal stylist, agora querem personal father, personal mother. Não dá, é inaceitável.

Por outro lado, os pais interferem demais na escola?

Há uma diferença entre interferir e participar. A escola tem que ser aberta à participação. Quando há uma interferência é sinal de que está mal organizado. O que acontece nas escolas particulares, que são minoria e representam apenas 13% do total, é que muita gente não lida mais com a relação família versus escola como parceria. É mais como se fosse um relacionamento regido pelo Código do Consumidor, como um cliente, como se o ensino fosse o mesmo que a aquisição de um carro. Essa relação é estranha e precisa ser rompida.

A educação de gênero tem gerado repercussão no meio escolar. Como você acha que as escolas devem abordar esse tema?

Uma sociedade que não é capaz de atender à diversidade que a vida coloca é uma sociedade tola. É preciso lembrar que a natureza daquilo que é macho e fêmea está na base biológica, mas o gênero se constrói na convivência social. O macho e a fêmea vêm da biologia. Mas o que define masculino e feminino é aquilo que vai se construindo no dia a dia. Por isso a escola tem que trazer o tema. É claro que não vai incentivar uma discussão que seja precoce para crianças de 8, 9, 10 anos. Mas também não vai fazer com que aquele que é diferente seja entendido como estranho. Aquele que é diferente é apenas diferente, não é estranho. Nessa hora, é tarefa da escola acolher. Se a família não concorda e a escola é privada, mude a criança de escola. Agora, se for uma instituição pública, é um dever constitucional e republicano admitir a diversidade.
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Não pense no Urso Branco. Pensou né?

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A maioria das pessoas já pensou alguma vez: “teria sido melhor eu ter ficado calado”. mas quando o autocontrole falha, o melhor é não se aborrecer, pois quanto maior a tensão e o empenho para se comportar “bem”, mais aumenta o risco de dizer algo que cause constrangimentos.




É como se, de repente, as palavras saltassem à nossa frente e, quando nos damos conta, já dissemos aquilo de que, no segundo seguinte, nos arrependemos. É o lapso, o “fora”, a palavra que deveria ser evitada mas parece escapar – uma situação em geral constrangedora, da qual ninguém está livre. No palco, a gafe, uma instância da comédia burguesa, faz a plateia rir. Contudo, na vida cotidiana esse tipo de erro costuma ser muito constrangedor. Segundo o psicólogo social Daniel Wegner, da Universidade Harvard, em Cambridge, que estuda esses casos há mais de 20 anos, aqueles que têm tendência a depressão, ansiedade ou timidez (e costumam ficar constrangidos e desconfortáveis quando em grupo) são os que levam mais a sério esses lapsos – e mais sofrem som eles.


Sigmund Freud já havia descrito este fenômeno, que ele nomeou genville (que se refere a uma ação executada contra a própria vontade) em 1895 em um de seus estudos sobre histeria. O criador da psicanálise percebeu que grande parte de suas pacientes que tinham medo de fazer observações sem propósito ficavam particularmente incomodadas quando isso, eventualmente, ocorria. Entre as recatadas mulheres do início do século 20, um deslize era visto, principalmente por elas mesmas, como algo grave, que assumia sérias proporções em seu psiquismo. E, curiosamente, quanto mais tinham medo de cometer uma gafe, mais isso acontecia.


Em uma experiência clássica em psicologia, Wegner pediu aos participantes de um estudo para não pensarem em um urso branco durante cinco minutos – e falar sobre aquilo que eles quisessem. Caso eles pensassem assim mesmo no animal, deviam tocar um sininho cada vez que isso acontecesse. Os resultados mostraram que os voluntários tinham disparado as campainhas em média 6 vezes e alguns chegaram a tocar 15 vezes! Após os experimentos, todos admitiram que ficaram então muito frustrados (e surpresos) por perderem o controle de seus pensamentos.


Para o psicólogo, mesmo que às vezes lamentáveis, essas situações representam um efeito secundário e quase que inevitável de nosso controle mental: é o que se chama de metacognição (do grego meta: mais longe, além, e do latim cognitivo: conhecer). Dois mecanismos que geralmente agem em sinergia às vezes entram em descompasso: em condições normais, uma espécie de censor interno sinaliza o aparecimento de pensamentos inapropriados (porque eles são inadequados ao contexto ou porque nós estamos ocupados com outra tarefa e naquele momento é melhor deixá-los de lado). Assim que o censor emite um alarme, um segundo processo é disparado – o suprimento do pensamento indesejável. Segundo essa teoria, o controle mental evita a revelação de pensamentos indesejáveis, monitorando a atenção e fazendo com que tentemos de forma consciente nos concentrar em outra coisa.

Esse mecanismo costuma funcionar muito bem, mas quando estamos estressados ou quando devemos realizar duas tarefas complexas ao mesmo tempo, ele pode falhar. Esses “erros irônicos” se produzem assim que os conteúdos reprimidos fogem do nosso controle. Mesmo que o recalque e a repressão sejam estratégias eficazes, frequentemente usadas, podem causar os lapsos, pois exigem muita atenção e investimento de recursos cognitivos.

MAIS DIFÍCIL

Segundo D. Wegner, os erros irônicos não se produzem somente durante a comunicação verbal, mas também no controle do movimento. Ele demonstrou esse processo em um trabalho desenvolvido em conjunto com seus colegas Matthew Ansfield e Daniel Pillof. Participantes do estudo foram divididos em duas equipes: os integrantes do primeiro grupo deviam impor determinada direção a um objeto. Os movimentos para outra direção eram estritamente proibidos. Simultaneamente, os voluntários que faziam parte do segundo grupo deviam fazer o mesmo, porém com o acréscimo da tarefa de contar de forma decrescente de três em três a partir do número 1000 (997, 994, 991 e assim por diante). Os cientistas perceberam que esses últimos levavam o objeto para a direção proibida muito mais frequentemente que as pessoas do primeiro grupo, cujas fontes cognitivas não estavam sendo utilizadas para uma segunda tarefa.


Os erros irônicos seriam cometidos também no esporte, pois a preocupação com o controle dos conteúdos cognitivos parece fazer diminuir a performance, segundo constatou a psicóloga Sian Beilock, da Universidade do Estado de Michigan. Pesquisadores de um grupo coordenado por ela observaram 126 iniciantes no golfe que tentavam lançar a bola em buraco muito próximo. Alguns participantes eram proibidos de pensar no lance antes de executá-lo, outros podiam fazê-lo. Os resultados mostram que a performance dos sujeitos impedidos de imaginar a ação foi em geral pior. O prejuízo no desempenho não pôde ser compensado com a experiência seguinte, quando os jogadores tiveram a autorização de imaginar o lance com antecedência.


Para entender melhor como a censura mental fracassa, tomando por base a cognição, D. Wegner e seus colegas solicitaram a voluntários que falassem durante três minutos, sem restrições, sobre qualquer tema que lhes viesse à cabeça. Em seguida, os participantes deveriam se concentrar em pensamentos ligados ao sexo e depois, novamente, reprimi-los. Enquanto isso, os psicólogos monitoravam as batidas cardíacas, sudorese e variações de temperatura por meio de eletrodos fixados na ponta dos dedos, para avaliar o estado emotivo dos participantes. A atividade fisiológica aumentava muito quando eles deviam evitar pensar em sexo.


As pessoas mais emotivas parecem ser as que pior suportam cometer gafe. Este temor explica em parte por que os fóbicos sociais se isolam. Para estas pessoas, possíveis erros tornam-se uma ameaça constante. Aquele que busca se liberar de problemas emocionais recalcando pensamentos negativos entra frequentemente em um círculo vicioso: tenta lutar contra os pensamentos negativos, mas por meio de um mecanismo parecido com aquele do urso branco acaba por se concentrar naquilo que gostaria de expulsar.
Conflitos inconscientes

Entre os precursores das pesquisas sobre lapsos de linguagem estão o filólogo Rudolf Meringer e o psiquiatra Karl Meyer. Eles publicaram juntos, em 1895, Erros na fala e na leitura: um estudo psicológico, no qual destacam cerca de 8.800 erros verbais de escrita e leitura. O principal objetivo era elaborar classificações, mas os autores também tentaram determinar mecanismos psíquicos associados ao fenômeno, particularmente aos sons, pois levaram em conta a conotação psicológica dos fonemas.


Quem inegavelmente abordou o lapso com mais profundidade, porém, foi Sigmund Freud, no texto Psicopatologia da vida cotidiana, de 1901. Ele não poupou críticas à abordagem de Meringer e Mayer e propôs que essa manifestação seria a confissão involuntária de um conflito interior, escondido da consciência. Para Freud, é a dimensão involuntária que dá valor particular ao lapso: 

“No procedimento psicoterapêutico que utilizo para resolver e eliminar os sintomas neuróticos apresenta-se com frequência a tarefa de encontrar um conteúdo mental nos discursos e nas ideias aparentemente casuais do paciente. Esse conteúdo tenta ocultar-se, mas não consegue evitar trair-se inadvertidamente de diversas maneiras. É para isso que, frequentemente, servem os lapsos. Por exemplo, falando da tia, um paciente insiste em chamá-la de ‘minha mãe’ sem perceber seu erro, ou, ainda, uma senhora que fala do marido como se fosse o ‘irmão’. Para esses pacientes, tia e mãe, marido e irmão são, portanto, ‘identificados’, ligados por uma associação pela qual se evocam mutuamente”. 

EVITAR A EVITAÇÃO

Como se proteger de tal fenômeno? O psicólogo Steven Hayes, da Universidade de Nevada no Reno, faz uma recomendação simples: aprender a aceitar os pensamentos desagradáveis. Ele sugere também evitar a evitação, a esquiva, ou seja, evitar o evitar. Wegner propõe – nos casos mais graves, nos quais a pessoa se sente atormentada por pensamentos intrusivos – a análise diária das próprias preocupações, incluindo tudo aquilo que causa inquietação e se gostaria de reprimir. Ele salienta, porém, que esta orientação vale somente para aqueles que se sentem capazes de lidar com suas angústias. Este método não convém aos pacientes gravemente afetados, que devem buscar ajuda de um médico ou psicoterapeuta.

O pesquisador James Pennebaker, da Universidade do Texas em Austin, analisou numerosos estudos e com base neles concluiu que uma confrontação ativa com os pensamentos reprimidos costuma ter efeitos positivos na vida cotidiana e na saúde tanto física quanto psíquica. Ele assinala as vantagens para algumas pessoas de registrar por escrito seus tabus pessoais, aquilo que teme ou lhe causa vergonha. Segundo o especialista, tal exercício teria outra consequência, que requer mais pesquisa: reforçar o sistema imunológico, já que assim haveria menos estresse, e parte da energia psíquica despendida na repressão de certos conteúdos poderia ser empregada de maneira mais saudável.

Antes de fazer anotações sobre os temas que nos constrangem, no entanto, é preciso, primeiro, tomar consciência deles para depois analisar esses temas intrusivos. Wegner propõe também encontrar distrações que não aumentem o estresse. Segundo ele, tudo que nos interessa e não cria uma sobrecarga emocional representa uma boa ocasião de se liberar do temor de cometer gafes. Para algumas pessoas, mais rígidas consigo mesmas, pode ser muito tranquilizador tomar consciência de que esse tipo de incidente é simplesmente normal. E se parece difícil conscientizar-se disso sozinho, talvez seja hora de buscar ajuda de um psicólogo. Afinal, se aquilo que seria apenas motivo de um leve mal-estar e uma boa gargalhada após algum tempo se torna razão para se atormentar, parece hora de empenhar-se para tornar a vida um pouco mais leve.
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