Cerca de 40% das doenças de pele estão relacionadas a problemas psicológicos, diz pesquisadora

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Sabe aquela alergia que surge pouco antes de uma prova importante? Ou a queda de cabelo excessiva sem motivo aparente? Para a pesquisadora Katlein França, formada em Medicina pela Universidade da Região de Joinville (Univille), por trás de muitos desses problemas de pele estão fatores psicológicos. Assim como o avanço dessas doenças dermatológicas, principalmente as mais aparentes, também trazem danos à mente. Ou seja, é como se fosse um ciclo vicioso.



Esta conexão da pele e da mente é tema de pesquisa de Katlein, que atualmente é professora do Departamento de Dermatologia e Cirurgia Cutânea e de Psiquiatria e Ciência Comportamental da Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Autora de três livros e com mais de 80 publicações científicas, foi eleita recentemente presidente da Association for Psychoneurocutaneous Medicine of North America [Associação de Medicina Psiconeurocutânea da América do Norte, em português], associação dedicada a promover a conscientização da relação e interação entre a pele e a mente e o papel da psiconeuroimunologia.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Katlein explica o que é a medicina psiconeurocutânea e fala sobre a relação da dermatologia com os aspectos psicológicos e psiquiátricos relacionados a ela.

No que consiste a medicina psiconeurocutânea?

É uma área da medicina e da psicologia que une dermatologia, psiquiatria, psicologia e neurologia. Tem como objeto de estudo a conexão entre a pele e o sistema nervoso. Entre os diversos temas estudados pela psicodermatologia podemos destacar o impacto psicológico e social causado por doenças cutâneas, os efeitos do estresse sobre a pele, a correlação de doenças dermatológicas e psiquiátricas, entre outros.

O que levou você a atuar nesta área específica?

Logo que me interessei pela área da dermatologia, ainda enquanto estudante de medicina, percebi o quanto os pacientes com determinadas doenças dermatológicas sofriam psicologicamente. A pele é o maior órgão do corpo humano e o único visível ao olho nu, portanto qualquer doença que a afete pode causar estigma, ansiedade e depressão. Para melhor assistir a esses pacientes comecei a desenvolver estudos nessa área. Com o decorrer do tempo, a psicodermatologia foi ganhando espaço e atenção nos maiores congressos médicos internacionais, os quais tenho a honra de participar como palestrante.

De que forma a mente pode influenciar na saúde da pele?

A pele e o sistema nervoso têm a mesma origem embriológica: os dois se originam na ectoderme. Devido ao fato de compartilharem a mesma formação, exercem influência mútua. A pele é um órgão extremamente reativo às emoções. Por ser um órgão acessível (ao alcance das mãos, por exemplo), algumas pessoas podem manifestar impulsos agressivos ou autodestrutivos na pele, causando lesões. Além disso, diversos estudos científicos mostram o estresse como fator de exacerbação de algumas doenças como a psoríase, acne e queda de cabelo. E a própria doença de pele pode então causar estresse no paciente. Isso forma um ciclo vicioso.


Quais são as manifestações mais comuns na pele devido ao abalo emocional?

Existem doenças dermatológicas que causam problemas psicológicos e psiquiátricos e existem doenças psiquiátricas que causam problemas na pele. Como exemplo do primeiro grupo, a doença cutânea mais comum é a acne, que acomete principalmente os jovens em formação física e psicológica. Dependendo da gravidade das lesões, isso pode causar estigma, isolamento social e depressão. Como exemplo de doenças psiquiátricas que causam problemas na pele podemos citar a tricotilomania, uma doença que causa um desejo incontrolável de arrancar os próprios cabelos. Os pacientes com essa patologia sofrem muito psicologicamente. Eles têm vergonha, depressão e ansiedade pelo fato de não conseguirem controlar esses impulsos.

Essa área é desenvolvida no Brasil?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia tem um departamento dedicado à Psicodermatologia. Entretanto, há poucos profissionais dermatologistas capacitados no Brasil e no mundo com alguma formação complementar na área da psicologia ou psiquiatria.

Há avanços no tratamento da pele em conjunto com tratamentos psicológicos? 

Sim, o tratamento dermatológico de diversas doenças tais como psoríase, vitiligo e dermatite atópica realizado com o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico tem se mostrado muito mais eficaz. Inclusive, alguns hospitais em diversos países já contam com equipes formadas por esses profissionais, que trabalham em conjunto. Pesquisas respeitáveis foram realizadas, comprovando maior eficiência no tratamento com esse modelo. Outro avanço na ciência ainda em fase de estudos é o uso da toxina botulínica (o mesmo produto usado de forma injetável para paralisar rugas) para tratamento complementar de pacientes com depressão. O tratamento ainda não foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) – órgão do governo dos Estados Unidos que controla alimentos e medicamentos – mas tem se mostrado seguro e eficaz em diversos estudos. As injeções, realizadas por médicos psicodermatologistas capacitados, são realizadas em determinados músculos da face e têm se mostrado um tratamento promissor para doença.

Como identificar em qual momento é necessário este tratamento em conjunto?

Qualquer paciente com uma doença cutânea que esteja sofrendo psicologicamente é um potencial candidato a receber tratamento psicodermatológico. Para um diagnóstico mais apurado seria interessante que os dermatologistas fossem capacitados para poder perceber que além das lesões físicas, o paciente também pode apresentar conflitos psicológicos.
Há estudos que apontam quantos problemas de pele são causados por transtornos na mente?
Não há uma estatística precisa sobre isso. Entretanto, estudos demonstram que 30% a 60% é a incidência de desordens psiquiátricas entre os pacientes dermatológicos. De acordo com um relatório publicado pela Sociedade de Psicodermatologia do Reino Unido, 85% dos pacientes com doenças de pele consideram que os aspectos psicossociais são os principais componentes da doença.

Como prevenir essas doenças?


Depende do tipo de doença. De uma maneira geral, existem muitas doenças exacerbadas pelo estresse. Assim sendo, sugere-se um controle do estresse através da realização de atividades físicas, qualidade de sono e alimentação balanceada, ou seja, a busca do equilíbrio.

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Em tempos de excesso de tecnologia, projeto incentiva crianças a se comunicarem por cartas.

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Iniciativa foi a forma que professores encontraram para melhorar a escrita. Estudantes de 13 escolas de Jaú participaram do projeto por seis meses.




Professores de uma escola de Jaú (SP) tiveram uma ideia para fazer com que os estudantes se interessassem em ler e escrever mais e usando o português correto. Uma dificuldade que se tornou cada vez mais comum por conta da tecnologia. Ela resolveu voltar ao passado e incentivar as crianças a se comunicarem por cartas.

Um hábito que no passado era muito comum e hoje as crianças da escola em Jaú estão vivendo pela primeira vez. Escrever e receber uma carta. “Está sendo muito legal (escrever minha primeira carta). É diferente e eu sinto que estou fazendo novos amigos, além do celular, da internet, do computador, é um amigo a moda antiga”, conta Marielly Hernandes, de 11 anos. 

Para o Lucas Brito, que também tem 11 anos, a sensação também é nova. “A gente pensa, vamos fazer um trabalho mais bonito, vamos fazer uma letra bonita, pra deixar a pessoa falar – ‘nossa essa pessoa escreve bem, essa pessoa se dedica bastante’", afirma.

A ideia de fazer os alunos deixarem um pouco a escrita virtual de lado, surgiu de um grupo de professores depois que eles perceberam que as crianças estavam escrevendo muito errado. Trazendo a linguagem da conversa no computador, no celular para as matérias da escola. O projeto ganhou um nome bem convidativo: “cartas trocadas, histórias compartilhadas.

"O nosso objetivo é que eles criem gosto pela leitura e pela escrita e isso tem nos dado muitos resultados. Nós percebemos que as crianças do mundo atual tem muito interesse pela tecnologia, mas quando nós apresentamos as cartas para eles, eles ficaram fascinados, a expectativa da chegada da carta do colega e isso nos fascinou também, então agora, eles estão esperando a escrita, esperando a carta, esperando que o colega responda a carta deles, e isso tá sendo muito legal", destaca a diretora Adriana Rosseto.

E o projeto ultrapassou os muros da escola. Os alunos de 13 escolas da cidade já se correspondem entre eles, trocando ideias sobre a vida, com base nas histórias do escritor Monteiro Lobato. "A gente percebeu que eles liam muito pouco e Monteiro Lobato foi praticamente o nosso precursor, ele transformou a nossa literatura infantil. Eles conseguem realmente falar do personagem como se eles fossem o personagem, eles descrevem como se fossem", explica a professora Maria Cristina Faraco.

A garotada adorou a ideia e toda semana tem cartinha nova sendo escrita e chegando também. "Quando eu começo a escrever a carta, eu percebo que vai mudando muito de quando você está no computador, eu gosto de escrever aí fica mais legal, eu vou escrevendo textos grandes para as pessoas, vai melhorando, além de fazer ele ser um amigo meu", completa Marcos Galacini, de 11 anos.


A Yasmim Raíssa dividiu a experiência com a mãe. "Ela disse que quando ela morava no sítio ela escrevia muita carta, porque não tinha essas coisas de celular, computador. Acho que na hora que a gente vai mexer no celular, no computador também, a gente lembra que a gente escreveu a carta e acaba escrevendo melhor", destaca a estudante de 11 anos.

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Cientistas descobrem como uma simples mudança pode melhorar um relacionamento amoroso

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Veterano na lista de “palavrinhas mágicas“, um “muito obrigado” é o mínimo de educação que se espera de qualquer pessoa em situações do dia a dia, mas no âmbito de um relacionamento amoroso, ele pode ser essencial. Isso é o que prova uma pesquisa realizada por professores da University of Georgia, nos EUA, que identificaram a gratidão como elemento-chave na hora de evitar atritos desnecessários e eventuais rompimentos.



“Nós identificamos que sentir-se apreciado e acreditar que seu parceiro te valoriza influencia diretamente em como você encara o relacionamento, em quão comprometido você está e na sua expectativa de que o relacionamento vai dar certo“, explicou Ted Futris, coautor do estudo. Segundo a pesquisa, publicada no jornal Personal Relationships, mostrar gratidão é especialmente importante durante períodos de estresse e discussões, durante os quais os parceiros estão mais pré-dispostos a “explodir” e a tomar uma posição defensiva. “Expressões de gratidão de apreciação podem neutralizar ou amortecer os efeitos negativos desse tipo de interação [discussões] na estabilidade do relacionamento“, afirmou.


A pesquisa foi feita com 468 casais, que responderam a questões sobre estabilidade financeira, padrões de comunicação no relacionamento e expressões de gratidão. Para Futris, o que distingue um casamento bem-sucedido do fracassado não é a frequência com que um casal briga, mas como eles brigam e como eles tratam um ao outro no dia a dia. Mais do que nunca, um “muito obrigado” nunca é demais!

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Psicólogos analisam o perfil psicológico dos personagens de Game of Thrones

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Durante a última edição da WonderCon, em Los Angeles, um dos painéis tinha como objetivo analisar os perfis psicológicos dos habitantes de Westeros, a terra fictícia onde habitam os diversos clãs que disputam o poder em "Game of Thrones".
Liderado pelos psicólogos Travis Langley (autor de "Psicologia em 'Game of Thrones'" e "A Psicologia de Batman"), Janina Scarlet (autora de "Psicologia em 'The Walking Dead'" e psicóloga que usa a cultura geek como elemento de terapia comportamental em seus pacientes), Erin Currie ("Psicologia em 'Doctor Who?'"), Jenna Busch ("Psicologia em 'Star Wars'") e Matt Munson ("Psicologia em 'Star Trek'") eles falam sobre o perfil psicológico dos principais personagens. 
Cersei Lannister — Traumatizada


Ela definitivamente tem uma conexão com a família. Ela protege seus filhos com tudo o que tem ao alcance. Talvez não do melhor jeito. Ela tem sérios problemas de confiança. E ela tem um trauma de que ninguém fala. Em famílias reais, o casamento forçado causa sérios danos. Casar-se com alguém que você nem conhece e ainda por cima ser apaixonada por outro é barra. Em um ponto ela diz pro marido que o amava no começo, mas que ele sempre amou outra. Isso na cabeça de uma adolescente que, segundo ela, tentou fazer o casamento funcionar e foi tratada como lixo. Há sinais claros de abuso emocional. Ela nunca aprendeu compaixão em sua família. E o único homem que a vê como pessoa é seu irmão — algo que eles levaram um pouco longe demais —, até seu filho a traiu.
Joffrey Baratheon — Inseguro


"Ok, ele é mau, mas eu prefiro dizer que ele é um produto de seu meio. Louco, certo? Mas sendo um rei absolutista, ele acha que pode tudo, inclusive atirar em uma prostituta. Talvez ele não seja mau, mas alguém que se obriga a ser mau, porque temos que considerar que lhe foi dado muito poder e ele é um adolescente cujas ideias ainda não foram formadas", disse Matt Munson, que foi retrucado imediatamente: "Não, ele gosta daquilo além da medida." Janine Scarlet diz que o rei carrasco tinha uma necessidade enorme de provar para si mesmo que tinha poder. "Embora ele pareça ter muita autoestima, é claro que ele não tem nenhuma. Pessoas que precisam o tempo todo humilhar as pessoas têm uma tendência à violência. Toda vez que ele ouve que os Lannisters perderam uma batalha, ele precisa descontar em alguém. Ele não suporta qualquer tipo de derrota. Ele é muito inseguro."
Melisandre — Má e manipuladora

Segundo a psicóloga Janina Scarlet, Melisandre é a personagem que pode ser considerada má porque ela manipula as pessoas a ponto de fazê-las queimarem em uma fogueira os próprios filhos. E quando você começa a pôr fogo em crianças, é porque você cruzou a linha.
Mindinho — Psicopata

Mindinho é um cara que vive em um mundo cheio… daquele tipo de gente. E seu mecanismo de sobrevivência é fazer aquilo que ele faz. Então, para ele, ele não é um psicopata, ele apenas está jogando o jogo de maneira que não seja morto, o que é um desafio naquela sociedade (embora ele tenha uma das principais características da psicopatia, que é a completa falta de empatia pelo outro)
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Ramsay Bolton— Maquiavélico e psicopata



A definição de maquiavelismo, segundo os psicólogos presentes, é uma pessoa que tem um grande carisma e influencia as outras a segui-lo por meio de truques ou de charme. Alguém manipulador. Além disso, a pessoa tem um senso de posse e poder. Tyrion Lannister poderia ser um deles, mas a conclusão da mesa foi a de que Ramsey preenche todos os requisitos. E mais: sua falta de empatia e o prazer em torturar suas vítimas apenas confirma a tese de sua psicopatia.


Walder Frey — O pior

Na opinião de Erin Currie, não há ninguém pior em "Game of Thrones" que Walder Frey, o arquiteto do massacre que deixou dez entre dez fãs da série totalmente sem chão — episódio conhecido como "O Casamento Vermelho", onde morreram Rob e Catelyn Stark. "Ele é o tipo de cara que não tem a menor compaixão por quem não lhe proporcione poder. Ele não é do tipo que suja as mãos, mas é bem narcisista e acha que o mundo gira ao seu redor."
Arya Stark e Brienne de Tarth — As boas

Apesar de ter matado muita gente e ser manipuladora, Arya não pode ser considerada uma psicopata, porque duas de suas principais características são a empatia e o senso de Justiça. Ver o pai ser morto daquele jeito mexe com sua cabeça, mas ela reconhece o que tem que fazer e como fazer para defender aqueles que foram vítimas. Outra que se encaixa na mesma categoria é Brienne de Tarth, por sua nobreza, seu código de ética, e o fato de ela não buscar o poder e não vilipendiar aqueles que são mais fracos que ela.
Jon Snow e Sam Tarly — Os bons

No time dos homens, também entra na categoria dos bons o bravo Jon Snow. Ele se sacrifica por todos, arrisca a própria vida para salvar gente que ele mal conhece e junta os bravos para livrar pessoas injustiçadas. Junto a ele, Sam Tarly, que supera sua covardia ao defender outros, além de ser muito nobre. "Eles são os mais corajosos da série", avalia Janina Scarlet.
Jaime Lannister — O renascido

Embora tenha começado a série empurrando uma criança da janela de uma torre, Matt Munson considera que ao ter tido sua mão decepada, o personagem passou por uma morte simbólica que o transformou em um homem melhor. "Ele é o personagem que está crescendo e se transformando, o que não é uma boa ideia em se tratando de 'Game of Thrones', porque sabemos que os bons fatalmente acabam mortos nesta série."
Tyrion Lannister — O sábio

Embora tenha tido muitos problemas de autoestima, após a morte de seu pai e o afastamento de sua família, quanto mais assistimos, mais vemos sua evolução de um homem cínico a um empático aos outros. Além disso, desde a segunda temporada, vê-se como ele foi uma ótima mão do rei, inclusive tendo livrado Porto Real do ataque marítimo de Stannis Baratheon.


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O que Freud disse sobre Hitler quando ele era uma criança?

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Quem nunca assistiu um documentário sobre o Nazismo e pensou de Hitler sofria de transtornos mentais? De fato, em 1942, o Serviço de Inteligência Britânica analisou um discurso que Hitler havia feito neste mesmo ano, no qual se revelavam claros sintomas de histeria, epilepsia e até mesmo paranoia.



Mas, muito antes de chegar ao poder, o jovem Adolf Hitler (para ser mais exato, quando ele era apenas uma criança) já apresentava sintomas de desequilíbrio mental. Diante dessa situação, o médico de sua família, Eduard Bloch, consultou o icônico médico vienês Sigmund Freud.

De acordo com estudos feitos pelos autores Laurence Marks e John Forrester, dedicados a estudar a vida e as obras de Freud, no ano de 1895, o criador da psicanálise sugeriu que o pequeno Adolf Hitler fosse internado em uma instituição de saúde mental para crianças. Mas, lamentavelmente, tal recomendação não foi colocada em prática.

Freud e o pequeno Hitler

Aos seis anos de idade, Adolf Hitler sofria de pesadelos muito intensos, nos quais se via caindo em profundos abismos ou era perseguido, capturado e torturado até implorar pela morte. Estes episódios (e muitos outros, todos de natureza psicológica) convenceram ao doutor Bloch de que o menino precisava da ajuda de um especialista, motivo pelo qual ele recorreu a Sigmund Freud. Como o pai da psicanálise, ele tinha um consultório de sucesso, onde atendia tanto a classe alta quanto a classe média da época.

O doutor Bloch consultou Freud sobre Adolf Hitler em várias ocasiões, sendo, em todos os casos, muito claro o diagnóstico: internação e tratamento, com os qual sua mãe, Klara, esteve totalmente de acordo. No entanto, Adolf não foi internado (muito menos tratado), pois Alois Hitler, seu pai, não permitiu. Alois era um homem muito intransigente que desejava que seu pequeno filho seguisse sua carreira, funcionário de alfândega.

O pai de Hitler costumava submetê-lo a maus tratos e humilhações diárias, razão pela qual a criança tentou fugir de casa várias vezes durante sua infância. Segundo pesquisadores, a fim de evitar que os maus tratos fossem descobertos, Alois sempre impediu a internação e o posterior tratamento de seu filho.

Algum tempo depois, quando já tinha 18 anos, ao ser rejeitado para entrar na Academia de Artes de Viena por duas vezes (entre 1907 e 1908), Hitler sofreu terríveis e inúmeras crises nervosas, piorando mais ainda seu mal estar psicológico.

O autor da solução final salvou um judeu

Em 1938, quando o nazismo se encontra em seu máximo apogeu e a Alemanha se anexa à Áustria, com a Anschluss, os judeus austríacos começaram a ser reprimidos pela Gestapo. Mas houve um médico de origem judia que escreveu diretamente a Hitler pedindo proteção, e foi o próprio Fuhrer quem ordenou que Martin Bohrmann o protegesse. O indivíduo agraciado com a proteção foi o doutor Eduard Bloch, que não foi torturado em nenhum momento, pois tinha um salvo-conduto que o permitiu viajar com sua mulher para os Estados Unidos.


Frente a semelhante história, é inevitável perguntar a si mesmo o que teria acontecido se o pai de Hitler tivesse aceitado internar seu filho. O que teria acontecido caso a criança tivesse recebido um tratamento psicológico adequado? É quase impossível não pensar que a história mundial teria sido completamente diferente, e que o Holocausto nunca teria acontecido. No entanto, são apenas de suposições. Nunca saberemos o que teria verdadeiramente acontecido.

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Jogo do Silêncio ensina crianças a terem calma e concentração

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Quem acha que toda brincadeira infantil tem de ser barulhenta precisa conhecer o Jogo do Silêncio, atividade que estimula a criança a permanecer por um tempo –em geral, um minuto– sem fazer nenhum ruído, para que possa prestar atenção ao próprio corpo e ao ambiente ao redor.

Em um mundo cheio de estímulos sonoros, parece inacreditável que a proposta funcione, mas Paige P. Geiger, diretora do Centro de Educação Montessori de São Paulo, afirma que as crianças adoram participar da brincadeira, que traz benefícios como o aumento da concentração, da disciplina, da tranquilidade e do autocontrole.
“O senso comum parece acreditar que uma criança feliz seja necessariamente barulhenta e bagunceira, mas isso não é verdade. Quando convidamos as crianças ao silêncio, elas se sentem muito bem, pois percebem que são capazes de se controlar e de ouvir sons que antes não ouviam, e isso gera prazer.”
O jogo foi desenvolvido pela pedagoga italiana Maria Montessori, que, no século 20, criou um método educacional conhecido por valorizar a individualidade e a liberdade da criança e estimular suas percepções sensoriais e motoras.
“Maria Montessori gostava de experimentar e, certa vez, mostrou a seus alunos como era quieto um bebê de quatro meses, desafiando-os a fazerem o mesmo. O resultado foi bastante satisfatório e, desde então, a técnica vem sendo aplicada nas escolas que seguem sua linha pedagógica em diversos países do mundo.”
Segundo Paige, a reflexão e o silêncio estão muito presentes na filosofia montessoriana. “O jogo é praticado todos os dias, às vezes, mais de uma vez. Trata-se de um momento de paz e de reflexão, que contribui para a formação de um ser humano calmo, equilibrado e focado.”
A criança tem uma percepção temporal diferente do adulto, por isso a atividade, que lembra um exercício de meditação em menor escala, dura apenas um minuto. Durante esse período, elas podem permanecer de olhos fechados, se conseguirem, ou contemplando um objeto, como uma vela ou planta.
Paige diz que, no início, a atividade pode exigir algum esforço das crianças menores, mas logo elas se acostumam e passam a gostar. “É importante frisar que o exercício não é usado para acalmar a classe, muito menos como medida disciplinar. Trata-se de uma das diversas práticas realizadas em sala de aula. Há também o tempo de cantar e de se movimentar.”
Para dar início à atividade, os professores –ou mesmo os pais– podem usar uma placa na qual se lê a palavra silêncio. “As crianças vão se aquietando, sentam-se calmamente e passam a seguir os movimentos do adulto que pode, por exemplo, apontar algumas partes do corpo, para que os alunos treinem a consciência corporal. Depois de algum tempo, nós sussurramos cada nome para que se aproximem devagar, treinando sua percepção auditiva.”
Quando o exercício utiliza uma vela, após o sussurrar o nome da criança, ela pode assoprá-la, como acontece no vídeo acima.
Paige afirma que, em um primeiro momento, as crianças prestarão mais atenção ao próprio corpo, sentindo e entendendo seus movimentos. “Aquelas que já desenvolveram essa percepção, começam a sentir o ambiente externo.”

Assim que o jogo termina, as crianças experimentam uma sensação de bem-estar e relaxamento. “Com a prática, naturalmente, elas passam a fazer menos barulho em sala de aula e também em casa, além de demonstrarem grande respeito pelo ambiente e pelos outros.”

Aqui você encontra o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=slbbibA8oDQ


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Líder feminina no Malawi anula 850 casamentos infantis e envia meninas de volta para a escola

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Theresa Kachindamoto, supervisora de um distrito em Malawi, país da África, se destaca como uma líder feminista ajudando mulheres e garotas de sua comunidade. Nos últimos 3 anos, ela já anulou mais de 850 casamentos forçados, colocou meninas na escola e começou uma luta para abolir rituais que iniciam crianças sexualmente.

Mais da metade das mulheres em Malawi acabam se casando antes dos 18 anos. Além disso, o país ainda conta com um baixo Índice de Desenvolvimento Humano. É por essas e outras que o trabalho de Kachindamoto é tão importante.

Ela já trabalha na área há 27 anos e ainda assim não para de conquistar vitórias para sua sociedade. Foi só no ano passado que ela conseguiu instituir a maioridade de 18 para casamentos (mesmo com assinatura dos pais). É comum meninas de 12 anos grávidas por conta disso. E agora ela briga para que essa idade seja elevada para os 21 anos.

Por ser uma região muito pobre, é grande a incidência de famílias que arranjam casamentos para meninas a fim de aliviarem os gastos da casa, deixando as despesas para o futuro marido. E as consequências de comportamentos como esses que diminuem a voz feminina na sociedade são drásticas. Uma em cada cinco mulheres são vítimas de abuso sexual. O que é extremamente preocupante, uma vez que os índices de HIV só crescem no país.


Por conta de sua conduta e postura, Theresa já foi até ameaçada de morte por outros políticos que são contra suas políticas públicas. Mas ela rebate e diz que continuará lutando até morte. E deixa uma mensagem quando entrevistada: “se elas forem educadas, podem ser o que quiserem”. Ou seja, até esposas e mães. Mas se elas quiserem.

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Refletir sobre tentativa de suicídio é essencial para que ação não se repita

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Mesmo sendo um assunto incômodo, falar sobre o problema e contar com ajuda psicológica são pontos essenciais no processo.


Alguns assuntos, por mais que precisem ser discutidos, são evitados com o propósito de coibir situações desconfortáveis e incômodas. É o que acontece com o suicídio, problema que atinge cerca de 800 mil pessoas por ano em todo o mundo e apresenta taxas crescentes no Brasil. Normalmente, quando uma pessoa tenta se suicidar e é levada ao hospital, o atendimento prestado limita-se a cuidados físicos. Raramente ela é estimulada a falar sobre o que aconteceu, suas razões e circunstâncias envolvidas.



No entanto, entre os principais fatores que propiciam tentativas de suicídio estão investidas anteriores, o que evidencia o caráter repetitivo da ação. Frente a tal cenário, incentivar o paciente a refletir sobre o que aconteceu, nomear seu ato, além de oferecer espaço e tratamento adequado para que se expresse, é essencial diante da possibilidade de repetição, concluiu o psicólogo Marcos Brunhari.

O especialista discute o assunto na pesquisa de doutorado O ato suicida e sua falha, desenvolvida no Instituto de Psicologia (IP) da USP. “Existe a ideia muito difundida de que falar sobre uma dada situação indesejável fará com que ela se concretize mais facilmente, e essa é uma vicissitude muito séria”, afirma. Brunhari explica que tal atitude, mesmo que evite o mal estar de tocar em um assunto desagradável, impede que sejam criadas estratégias para combater o problema. Fora isso, há o fato do suicídio aglutinar uma série de outros temas também delicados, como o preconceito contra jovens LGBTs, grupo que apresenta altos índices de suicídios.

O suicídio e a melancolia em Freud

O trabalho realizado por Brunhari toma por base a psicanálise. Por essa razão ele investiga quais recursos desse campo podem ser usados no tratamento com pessoas que tentaram suicídio e como denominá-lo nesse contexto. “A psicanálise entende o suicídio pela via do ato. Nela estão presentes diversas conjecturas relativas ao inconsciente, como a angústia e as referências imaginárias e simbólicas do sujeito. O ato é uma dessas formações, e entender o suicídio enquanto tal já facilita muito uma abordagem no assunto”, esclarece o pesquisador.

A obra do psicanalista Sigmund Freud é também um dos suportes da pesquisa, em especial seu conceito de melancolia. “Segundo Freud, existe um momento no estado melancólico em que o eu se coloca contra ele próprio, por esse motivo a pessoa tende se atacar”, conta o pesquisador, que garante ser essa uma das  chaves para entender o suicídio. Atualmente, a melancolia está atrelada a questões artísticas e literárias, mas dela derivam conceitos importantes, como o do transtorno bipolar, por exemplo, antes creditado a razões do campo maníaco depressivo.

Um dos casos mais famosos descritos por Freud conta a história de uma jovem homossexual, que tenta se suicidar após seu pai descobrir seu romance, e a senhora com quem saía romper o relacionamento. Para Brunhari, a partir da observação de quadros como esse, é possível atestar a presença de um sofrimento prévio, com o qual não houve recursos simbólicos e subjetivos para se lidar, fazendo com que estourasse em um ato. “O que as pessoas costumam falar sobre esse momento é que ele é nulo de subjetividade, então elas não o questionam como incerto, pelo contrário, muitas contam que se tivessem pensado não teriam feito”, diz o psicólogo.

Visão sobre o ato suicida

De acordo com Marcos Brunhari, embora o assunto precise ser discutido, isso deve ser feito com muito cuidado, pois caso contrário pode acarretar sérios problemas. “Existe uma áurea mórbida em torno do assunto, e quando a intenção é chamar atenção por esse viés os resultados podem ser muito prejudiciais”. Dessa maneira, ele reforça a importância de expor o assunto com clareza e sempre no sentido de oferecer estratégias para o tratamento, não de causar um sensacionalismo ou algo do tipo.

Em muitas ocasiões, os dados estatísticos, que deveriam ser  mais um suprimento para resolver o problema, acabam por agravá-lo. Um exemplo são os índices que mostram a forma de suicídio: é comum que os homens usem armas de fogo ou modos que são, geralmente, definitivos quando tentam se suicidar, mas há situações em que a tentativa ocorre por outros meios, e elas são tão importantes quanto. “O prejudicial dessa estratificação que as estatísticas acabam causando é parecer que existem quadros menos graves do que outros”, afirma o pesquisador. Ele conta que isso pode gerar a ideia equivocada de que algumas pessoas estão apenas querendo chamar atenção ou causar um impacto em alguém.

Brunhari também considera importante interrogar a imagem do suicídio como algo necessariamente atrelado aos diagnósticos de transtornos mentais, em particular a depressão e a esquizofrenia, pois existe um considerável número de pessoas que tentam se suicidar sem nunca terem recebido tais diagnósticos. “O suicídio deve ser compreendido como algo complexo e da ordem do humano, pois envolve uma série de adversidades as quais as pessoas estão sujeitas” conclui.


Através do telefone 141 o serviço Como Vai Você? (CVV) oferece ajuda para pessoas com problemas relacionados ao suicídio. Mais informações podem ser obtidas no site http://goo.gl/hKG5tz.

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A diferença entre amor e desejo, segundo seu cérebro .

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A psicologia analisa quais são as peculiaridades dos sentimentos





A gente cresce ouvindo em obras de cultura pop - nas músicas, nos livros e nas novelas - que paixão é diferente de amor. Por paixão, estamos falando do desejo sexual, aquela parte puramente carnal do interesse que faz você ter vontade de transar com alguém.

Como o amor é uma loucura socialmente aceita e relacionamentos são um campo bastante confuso das relações humanas, eventualmente a gente desiste de tentar entender a diferença e apenas vive a vida, mas se você é um ser humano adulto, provavelmente já se perguntou o que era aquilo que estava sentindo por alguém. O Pscyhology Today tem uma lista, escrita pela psicóloga Judith Orloff, que destaca as diferenças entre um sentimento e outro, caso você esteja em dúvida:

Paixão (ou desejo, como quiser)

- Seu foco é a aparência e o corpo da pessoa
- Você tem interesse em transar com ela, mas não quer conversar
- Você prefere manter o relacionamento no nível fantasioso, não discutir sentimentos reais
- Você sente vontade de ir embora logo depois do sexo em vez de dormir abraçado ou tomar café da manhã no dia seguinte
- Vocês são amantes, não amigos

Amor

- Você quer passar tempo com a pessoa
- Você passa horas conversando e não vê o tempo passar
- Você quer honestamente saber o que a pessoa sente e fazê-la feliz
- Ele ou ela fazem você querer ser alguém melhor
- Você tem vontade de conhecer família e amigos da outra pessoa

A boa notícia (ou má, dependendo do caso) é que, embora desejo e amor sejam sim coisas diferentes dentro do cérebro, o primeiro pode se transformar no segundo. Um estudo da Universidade de Concordia, em Montreal, no Canadá, trouxe elementos novos para a explicação de como o cérebro processa amor e paixão e as diferenças e semelhanças entre esses dois sentimentos.

De acordo com as descobertas, amor e sexo são interpretados pelo cérebro como duas coisas diferentes, obviamente. Mas existe uma região em que eles se sobrepõem. E isso significa que uma relação que começa baseada puramente em desejo pode sim se transformar em amor.

Os cientistas descobriram que amor e desejo são processados por partes diferentes da mesma área cerebral, o corpo estriado. O desejo sexual ativa a área de recompensa, a mesma que processa experiências como um orgasmo ou uma sobremesa deliciosa. O amor, no entanto, acende outra área do corpo estriado, associada com vícios em drogas. Ke$ha estava certa: your love is my drug (HEH). Por isso terminar um relacionamento tem sintomas semelhantes ao de uma abstinência em drogas.

Por fim, houve a descoberta de que, eventualmente, essas áreas no cérebro que processam as duas coisas podem se sobrepor. Isso mostra que desejo sexual pode sim se transformar em amor e que esses sentimentos não são totalmente separados.

O mais legal dessa descoberta é que ela abre a possibilidade pra entender fenômenos como amor a primeira vista: ninguém ama à primeira vista, mas é possível sim sentir atração física à primeira vista, e se esse desejo se transformar rapidamente em amor, como o estudo mostrou que é possível, pronto: você já tem uma história digna de comédia romântica.

De acordo com o Chemestry.com, dá pra aumentas as chances de alguém se apaixonar por você (ou de você se apaixonar por alguém): é preciso fazer juntos atividades que liberem picos de dopamina. Depois de um orgasmo, você tem um pico de dopamina. Mas fazer coisas novas e espontâneas juntos também libera o hormônio, associado com energia, criação de laços, motivação e alto nível de atenção. Não dá pra garantir nada, mas dá um empurrãozinho. É por isso que dizem que o amor é uma construção: fazer coisas legais junto com alguém pode, sim, construir amor entre vocês dois.
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Programa de apadrinhamento afetivo começa a ser implantado em São Paulo

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O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) começa a implantar um programa de apadrinhamento afetivo para crianças e adolescentes que vivem em abrigos, com o objetivo de possibilitar a esses jovens, com chances remotas de adoção, a construção de vínculos fora da instituição em que vivem. Três abrigos foram escolhidos para desenvolvimento do projeto “Família Apadrinhadora” e, em poucas semanas, a Vara da Infância e Juventude Central de São Paulo já recebeu 3.500 inscrições de candidatos a padrinhos, que deverão agora ser avaliados. O programa paulistano será coordenado pela vara e conta com a parceria do Instituto Sedes Sapieniae.

O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, no sentido de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. As crianças aptas a serem apadrinhadas têm, quase sempre, mais de dez anos, possuem irmãos e, por vezes, são deficientes ou portadores de doenças crônicas – condições que resultam, na maioria das vezes, em chances remotas de adoção.

O padrinho ou a madrinha se torna uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda, pois o guardião continua sendo a instituição de acolhimento. Os padrinhos podem visitar a criança e, mediante autorização e supervisão, realizar passeios e até mesmo viagens com as crianças. Em alguns estados, o Poder Judiciário trabalha há alguns anos em conjunto com instituições que possuem programas que auxiliam os processos de adoção e de apadrinhamento afetivo que se tornaram referência no País – como, por exemplo, o Instituto Amigos de Lucas, no Rio Grande do Sul, e a Instituição Aconchego, no Distrito Federal.

Em São Paulo, o projeto “Família Apadrinhadora” será implantado inicialmente em três abrigos da capital e, posteriormente, deve ser estendido por todo o estado. De acordo com a juíza Dora Martins, titular da Vara da Infância e Juventude do Foro Central, após divulgar oficialmente o programa, a vara recebeu 3.500 inscrições de candidatos a padrinhos, que deverão ser avaliados por psicólogos em, pelo menos, quatro entrevistas e realizar cursos antes de iniciar a convivência com as crianças. Além disso, de acordo com a juíza, o programa deverá ser implantado de forma harmônica, para que possam ser oferecidos padrinhos e madrinhas a todas as crianças. “O abrigo é uma casa. Muita gente ainda tem a ideia antiga de orfanato. A intimidade, portanto, deve ser preservada e teremos um cuidado muito grande no acesso às crianças”, diz a magistrada, responsável por 20 abrigos e cerca de 400 crianças.

Vínculos – A motivação para a criação do programa, de acordo com a juíza, foi o fato de que muitas crianças criadas nos abrigos chegam à adolescência com muita insegurança, pois não têm vínculos com ninguém fora do abrigo, nem condições de arcar com as próprias despesas aos 18 anos. “A ideia é criar vínculos que poderão ser levados para além do abrigo. Queremos abrir caminho para o exercício do afeto, para o potencial de solidariedade das pessoas. Não é caridade, mas comprometimento social e humano”, diz a juíza Dora. Como a ideia é possibilitar uma convivência fora do abrigo para a criança e não um “teste” para uma possível adoção – o que poderia gerar frustrações nas crianças -, quem está na fila para realizar uma adoção não pode participar do programa de apadrinhamento afetivo.

De acordo com a juíza Dora, as crianças com possibilidades remotas de adoção viveram histórias de muito sofrimento e desenvolveram uma grande capacidade de resiliência para lidar com tantas perdas – como a da família e da casa. “Eles são muito maduros. Muitas vezes, quando chegam à adolescência, dizem que nem querem mais ser adotados, não vislumbram mais essa possibilidade”, diz a juíza, que se lembra de um caso raro de uma adoção que realizou recentemente de um menino de 15 anos e portador de HIV, uma exceção no universo da adoção tardia.

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Carta ao abusador sexual

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O abuso sexual é um tema que choca. É um ato praticamente desumano que traz feridas profundas na vida da vítima. O texto abaixo é um relato emocionante de uma mulher que foi abusada sexualmente na sua infância. Ela fala sobre as consequências emocionais, como isto a afetou e como enxerga a sua vida hoje. 






"Minha vida não deveria ser este peso que ela é para mim. Eu deveria conseguir rir com naturalidade e acordar todos os dias querendo viver. Eu deveria olhar os homens na rua e não sentir medo e tão pouco me preocupar com a minha integridade física quando saio  tarde do trabalho se serei atacada. Eu deveria conseguir dormir sem ter pesadelos. Ou se tivesse , eles seriam tão esporádicos e irreais que quando eu acordasse eu riria e não pensaria que foi  mas uma forte lembrança do passado. Mas você estragou tudo.

Meus relacionamentos deveriam ser saudáveis e felizes. Eu deveria conseguir amar e ser amada , sem ter medo de ser abusada novamente. Eu não deveria ter medo de me entregar e nem precisaria fingir que o sexo é bom ou prazeroso. Mas as lembranças não saem da minha cabeça. Eu deveria conhecer meu corpo e não ter vergonha de me olhar no espelho ou até mesmo de me tocar. Mas você me machucou. 

Minha infância deveria ter sido recheada de alegrias, joelhos ralados e bonecas. Eu deveria não sentir tanta culpa. Aliás, eu  não deveria sentir culpa alguma. Eu deveria entender que eu fui vítima, que eu era uma criança, e que o adulto era você.  Eu deveria ter sido acolhida quando contei para minha família. Vocês não deveriam ter me pedido para esquecer o que aconteceu, porque de verdade, esquecer é o que eu menos consigo fazer. Vocês marcaram a minha vida.

Meu futuro deveria ser feito de sonhos e planos. Eu deveria pelo menos conseguir sonhar e fazer planos. Mas ao invés disto, eu me boicoto sempre, por que acho que não mereço ser feliz. Eu deveria viver e não apenas sobreviver. Eu deveria querer que exista o amanhã, e não pensar todos os dias, como seria bom eu nunca ter nascido. Eu deveria ter um presente e não ficar presa no passado. Mas as feridas parecem me dominar minha mente, minhas emoções, minha alma. Você maculou o meu futuro.

Minhas emoções deveriam ser saudáveis. Eu não deveria ter problema para dormir e nem vontade de me matar. Eu não deveria ter depressão. Eu deveria ser sincera com os meus amigos, tentar me abrir mais para as pessoas. Eu deveria confiar nas pessoas. Eu não deveria ficar tanto tempo em casa, debaixo das cobertas, trancada no meu quarto com medo. Eu não deveria beber para esquecer a dor que insiste em não ser esquecida. Eu deveria conseguir esquecer. Você me estuprou.

Eu deveria conhecer o que é sexo adulta e não quando criança. Você não deveria ter me ameaçado. Eu não sabia reagir. Eu deveria ter passado a infância brincando, e não me escondendo debaixo da cama com medo de você. Você não deveria ter me falado que tínhamos um caso e me feito sentir culpada. Eu não poderia ter um caso com sete anos de idade, até por que eu nem sabia o que era "um caso". Você deveria ter me defendido e não me feito sua mulher por anos quando eu nem era uma mulher.

Minha vida deveria ter sido diferente. Mas ela ainda não acabou. Você arruinou quase tudo em mim, mas adivinha, você não conseguiu. Estou me tratando, cuidando de mim, fazendo terapia, ganhando forças para me reerguer. E quando eu me reerguer, você vai querer nunca ter me tocado, por que como dizem, "o que não te destrói te torna mais forte". 

Você me machucou, abusou sexualmente de mim durante anos, me feriu, me aprisionou neste ciclo de dor, mas preste atenção no que eu vou dizer : VOCÊ NÃO ME DESTRUIU ! EU ESTOU VIVVA !"


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Abandono infantil provoca danos cerebrais

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Estudo de Harvard mostra que crianças negligenciadas têm redução da capacidade linguística e mental
 



Além de traumas psicológicos, o abandono pode provocar danos cerebrais graves em crianças. Um estudo do Hospital de Crianças de Boston, da Universidade de Harvard, acompanha, desde o ano 2000, crianças negligenciadas em abrigos da Romênia, e muitas delas apresentam, segundo as análises, problemas de desenvolvimento da chamada substância branca do cérebro — região que ajuda na comunicação entre os neurônios, as células do sistema nervoso —, o que leva à redução da capacidade linguística e mental.

Os pesquisadores americanos começaram acompanhando crianças entre 6 meses e 2,5 anos. No início do estudo, a Romênia vivia os ecos das ações implementadas pelo regime de Nicolae Ceausescu — de 1965 a 1989, ano de sua execução — para aumentar a natalidade, como a proibição do aborto e do uso de contraceptivos. O resultado foi a explosão de nascimentos de bebês, que foram encaminhados para orfanatos estatais, onde receberam pouco estímulo linguístico e sensorial. Segundo estimativas de ONGs, mais de 170 mil órfãos viveram em 700 instituições superlotadas e precárias no país, situação que começou a mudar apenas em meados dos anos 2000.

O cuidado infantil não é uma questão apenas de “trocar fraldas” ou “alimentar” as crianças, ressaltam os autores da pesquisa. O desenvolvimento cerebral de bebês e crianças pequenas depende de estímulos de seus pais ou cuidadores, entre eles a interação social. Se elas são abandonadas e pouco estimuladas, este desenvolvimento é prejudicado.

Para testar o impacto da falta de cuidados, os autores começaram na Romênia um projeto com 136 crianças que tinham vivido pelo menos metade de suas vidas em orfanatos de Bucareste. Destas, metade continuou nas instituições e outra metade foi encaminhada a famílias adotivas ou centros de cuidados de alto nível criados especialmente para o projeto de Harvard. Outras 72 crianças analisadas sempre viveram com suas famílias biológicas. Elas vêm sendo avaliadas periodicamente e serão reexaminadas aos 16 anos.

INTERVENÇÃO PRECOCE PODE REVERTER QUADRO

O grupo americano publicou uma série de estudos mostrando que as crianças destas instituições públicas tiveram prejuízos no QI, transtornos sociais e emocionais, além de alterações no desenvolvimento cerebral. No último estudo, publicado ontem na revista “Jama Pediatrics”, os autores analisaram dados de 69 crianças e notaram danos na substância branca. De acordo com a pesquisa, “havia forte associação entre a negligência no início da vida e a integridade do corpo caloso e dos intervalos do circuito límbico, no processamento sensorial e em outras áreas”. O corpo caloso permite que as duas metades do cérebro se comuniquem, o que é essencial para a linguagem, e os demais têm relação com dificuldades de atenção e de tomada de decisões. Estes problemas não teriam relação com deficiências nutritivas.
  
— O estudo mostra, por outro lado, que uma intervenção precoce em crianças vulneráveis garante o desenvolvimento neurológico normal, e isto pode ser aplicado a outras crianças expostas a adversidades, como as que sofrem maus-tratos na família — explica Johanna Bick, autora principal do estudo, cujo próximo passo será analisar as melhorias cognitivas e emocionais no cérebro dessas crianças.

FUNDAMENTAL À COMUNICAÇÃO ENTRE NEURÔNIOS

Por muitos anos, acreditou-se que a substância branca do cérebro tinha pouca utilidade se comparada à massa cinzenta. Hoje cientistas entendem que ela é fundamental para a comunicação entre os neurônios, nas diferentes áreas do cérebro.

A infância é um período crítico para o desenvolvimento neuronal, e adversidades podem provocar efeitos duradouros e até permanentes no cérebro. Pesquisadores sabem que danos nesta área podem levar a problemas de linguagem, memória e habilidade visuo-espacial. A longo prazo, têm relação com demências vasculares e com Mal de Alzheimer.





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