Na dúvida, me pergunte !

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É comum aparecer em consultório angústias e problemas de relacionamentos dos mais variados simplesmente por que as pessoas supõem algo. A suposição , costumo afirmar é a melhor amiga da incerteza. Ambas caminham juntas. São aliadas de pensamentos e de comportamentos. Além disto, a suposição é prima das neuroses . Elas se multiplicam de tal forma que acabam virando uma verdade, pois para onde olho , ali a encontro : a suposição de algo.

Não tem como negar que a suposição muitas vezes , e talvez a maioria delas , seja maléfica e pessimista . E quase sempre aquilo que eu suponho de uma pessoa, ou de uma situação  nunca acontece. Ela está ligada às minhas crenças pessoais sobre a vida, sobre as pessoas, aos traumas e experiências da vida. Dificilmente alguém supõe algo bom sobre determinada situação que a incomoda. Olhamos sempre para o lado negativo da coisas.

Por que alguém foi traído eu suponho que todos os homens ou mulheres não prestam. A pessoa te olhou torto você supõe que ela está brava com você. O meu chefe não conversou comigo eu imagino que ele irá me mandar embora. O namorado não ligou está manhã eu suponho que ele está fazendo algo errado. Ela não respondeu à mensagem na hora e da forma como eu queria, eu suponho que ela não me ama mais. A suposição é uma grande armadilha para o nosso desenvolvimento e amadurecimento emocional. 

Nos prendemos as suposições como verdades. Nos agarramos a elas como algo concreto e real, simplesmente por que na nossa experiência de vida aquilo faz sentido. Nos fechamos. Tiramos nossas conclusões e fim de papo. Quantas suposições você já fez a respeito de alguém ou de algo sem dar ao menos uma chance da pessoa confirmar se aquilo que você acha é verdade? 

A suposição é ingrata. Isto porque ela não dá a pessoa o direito de defesa. Em um único pensamento, julgamos e condenamos as pessoas porque acreditamos que aquilo que estamos supondo seja verdade. Por isto o inimigo da suposição é o diálogo. Eles não se batem. A suposição foge do diálogo como o diabo foge da cruz. Muitas vezes preferimos nos manter aprisionados nas garras do que achamos do que nos libertamos com a conversa. 

A suposição nos escraviza. Estraga relacionamentos. Nos fazer perder oportunidades. Pensamos que estamos certos por que aquilo que eu suponho de alguém tem que ser verdade. A suposição é uma armadilha do nosso inconsciente.  Nos achamos donos da verdade por que aquilo tem que ser verdade, afinal é assim que as coisas são certo? Ledo engano.

O que eu suponho  nem sempre é a verdade ou o real. A única forma de acabar com este comportamento de dúvida é através do diálogo. Digo dúvida, por que a suposição por si só ela é incerta. Você tem o direito de supor o que quiser de determinada pessoa ou situação, mas até você conversar com a pessoa , sua suposição será apenas uma hipótese. 

E nesta armadilha que a suposição provoca, as pessoas ficam presas. Presas nas feridas. Presas no passado. Presas nos traumas. Não se desenvolvem. Estão encarceradas no porão da incerteza em suas mentes. Porém esta  prisão custa caro. Ela pode gerar desde ansiedade á depressão. Ela gera pessoas desconfiadas com a vida, com as pessoas, que não se arriscam e o pior, não conversam e portanto se afastam uma da outra. Ora, a suposição pressupõe, o outro tem que sempre descobrir o motivo do meu comportamento, da minha mudança, já que claro, a suposição é minha.

Existe uma máxima que diz : " Na dúvida, pergunte!" Isto vale para todas as áreas da nossa vida. Perguntar não custa caro. Perguntar esclarece as questões. Perguntar nos liberta da dúvida. O diálogo por mais difícil que seja é sempre o melhor caminho. Não tem erro, e embora aparentemente seja uma estrada mais longa e às vezes até com pedras e curvas perigosas ,ele ainda sim, é o caminho. 

Quando eu me disponho a perguntar, a entender ao invés de ficar na minha "zona de conforto" da suposição eu consigo sair deste ciclo, deste boicote que muitas vezes nos colocamos e com isto amadurecemos. Diálogo é para gente que está buscando o amadurecimento emocional. Suposição é para gente que não quer evoluir, que se acha a dona da verdade. O diálogo liberta. A suposição aprisiona. Mesmo que no diálogo se confirme a minha suposição. Mas pelo menos eu sai do campo da incerteza. E não tem nada pior do que vivermos com incertezas na vida.



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Os objetivos da terapia, segundo Winnicott.

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Vira e mexe alguém nos pergunta por que você faz terapia? Para que serve esta análise? Winnicott, psicanalista inglês responde estas perguntas de forma brilhante em seu texto: "Os objetivos do tratamento psicanálitico". Segundo o autor, a terapia serve para nós manter vivo, bem e desperto, mas acima de tudo, a terapia é para aqueles que querem necessitam e podem tolerá-la. 



"Ao praticar psicanálise, tenho o propósito de:

me manter vivo; 
me manter bem; 
me manter desperto. 

Objetivo ser eu mesmo e me portar bem.

Uma vez iniciada uma análise espero continuar com ela, sobreviver a ela e terminá-la.

Gosto de fazer análise e sempre anseio pelo seu fim. A análise só pela análise para mim não tem sentido. Faço análise porque é do que o paciente necessita. Se o paciente não necessita análise então faço alguma outra coisa.

Sempre me adapto um pouco às expectativas do indivíduo, de início. Seria desumano não fazê-lo. Ainda assim, me mantenho manobrando no sentido de uma análise padrão.

A maior parte do que faço consiste na verbalização de que o paciente me traz no dia. Faço interpretações por duas razões:

1 - Se não fizer nenhuma, o paciente fica com a impressão de que compreendo tudo. Dito de outra forma, eu retenho certa qualidade externa, por não acertar sempre no alvo ou mesmo estar errado.

2 - A verbalização no momento exato mobiliza forças intelectuais. Minhas interpretações são econômicas, pelo menos assim espero. Uma interpretação por sessão me satisfaz, se está relacionada com o material produzido pela cooperação inconsciente do paciente. Digo uma coisa, ou digo uma coisa em duas ou três partes. Nunca uso frases longas, a menos que esteja muito cansado. Se estou próximo do ponto de exaustão, me ponho a ensinar. Além disso, na minha opinião, uma interpretação que contém a expressão "além disso" é uma sessão de ensino.

O que é que me traz o paciente hoje? Isto depende da cooperação inconsciente que se estabelece por interpretação mutativa, ou talvez antes. É axiomático que o trabalho da análise é feito pelo paciente e isto é chamado de cooperação inconsciente. Nela se incluem sonhos, o recordar e a narração deles de modo produtivo.

A força do ego resulta em uma mudança clínica no sentido do relaxamento das defesas, que são mais economicamente empregadas e alinhadas, sentindo-se o paciente não mais preso à sua doença, como resultado, mas livre, mesmo que não esteja livre de sintomas. Em suma, observamos crescimento e desenvolvimento emocional que tinha ficado em suspenso na situação original.

O fato essencial é que baseio meu trabalho no diagnóstico. Continuo a elaborar um diagnóstico individual e outro social, e trabalho de acordo com o mesmo diagnóstico. Neste sentido, faço psicanálise quando o diagnóstico é de que este indivíduo, em seu ambiente, quer psicanálise. Posso até tentar estabelecer uma cooperação inconsciente, ainda quando o desejo consciente pela psicanálise esteja ausente. 

Mas, em geral , análise é para aqueles que a querem, necessitam e podem tolerá-la. "


D.D. Winnicott - Os objetivos do tratamento psicanalítico :O ambiente e os processos de maturação. 

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Saiba como agir em caso de assédio sexual

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Andar pelas ruas e ouvir um comentário obsceno sobre o seu corpo é um elogio? Ouvir uma cantada no ambiente de trabalho é algo natural? Ser “encoxada” no transporte público faz mesmo parte da rotina das grandes cidades? A resposta para todas essas perguntas é NÃO. Tudo isso é assédio sexual.


O que é assédio sexual?
O assédio sexual é uma manifestação sensual ou sexual, alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Ou seja, abordagens grosseiras, ofensas e propostas inadequadas que constrangem, humilham, amedrontam. É essencial que qualquer investida sexual tenha o consentimento da outra parte, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada ofensiva.
Porque devemos denunciar o assédio?
Dizer não ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens. Dizer não ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade. É mostrar que podemos igualar a voz e o poder da mulher na sociedade, é não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais.
As consequências
O assédio sexual tem causado impactos sérios e negativos na saúde física e emocional das mulheres. Entre os efeitos negativos relatados pelas vítimas, os mais citados são: ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e distúrbios do sono. Além disso, muitas delas podam sua própria liberdade e seu direito de escolha - deixando de usar uma roupa ou de cruzar uma praça, por exemplo - por medo de sofrer tais abordagens.
A raiz do problema
O que está por trás do assédio não é uma vontade de fazer um elogio. Na verdade, esse comportamento é principalmente uma tentativa de demonstrar poder e intimidar a mulher. E pode acontecer com qualquer tipo de mulher, independente da roupa que ela usa, do local onde ela está, da sua aparência física ou do seu comportamento. Ou seja, a culpa e a responsabilidade pelo assédio é sempre do assediador.
Assédio sexual versus paquera
As cantadas ou os assédios físicos não são uma forma de conhecer pessoas para um relacionamento íntimo. Uma paquera acontece com consentimento de ambas as partes: é uma tentativa legítima de criar uma conexão com alguém que você conhece e estima. Por outro lado, o assédio nunca leva a uma intimidade maior.
O sujeito que grita para uma mulher na rua de dentro do seu carro jamais quer ouvir a opinião da outra parte. Ele quer apenas se impor sobre ela. Quem confunde assédio sexual com paquera quer, na verdade, causar confusão justamente para poder continuar a fazer o que quiser sem dor na consciência. Paquera não causa medo e nem angústia. O mais importante é buscar o consentimento e aceitar “não” como resposta.
As roupas das mulheres
É errado achar que uma peça de roupa seja um sinal verde para qualquer tipo de violência sexual, inclusive a verbal. Todos têm o direito de sair de casa da maneira como preferirem, no horário que desejarem e para onde quiserem, sem temer qualquer tipo de abordagem grosseira.
Casas noturnas
Normalmente, as pessoas acreditam que, em casas noturnas, onde o ambiente é mais descontra- ído, é aceitável assediar as mulheres. Essa ideia precisa mudar. O consentimento deve ser dado de livre e espontânea vontade, antes do ato sexual. É importante lembrarmos que o consentimento não é a ausência de “não” ou o silêncio.
O assédio sexual, segundo a lei
O assédio sexual pode ser configurado como crime, de acordo com o comportamento do assediador. Vejamos:
Assédio sexual: O assédio caracteriza-se por constrangimentos e ameaças com a finalidade de obter favores sexuais feita por alguém de posição superior à vítima. (conforme Art. 216-A.do Código Penal)
Importunação ofensiva ao pudor: é o assédio verbal, quando alguém diz coisas desagradáveis e/ou invasivas (as famosas “cantadas”) ou faz ameaças. Tais condutas também são formas de agressão e devem ser coibidas e denunciadas. (Conforme Art. 61 da Lei nº 3688/1941)
Estupro: tocar as partes íntimas de alguém sem consentimento também pode ser enquadrado como estupro, dentre outros comportamentos. (Conforme Art. 213 do Código Penal: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso)
Ato obsceno: é quando alguém pratica uma ação de cunho sexual (como por exemplo, exibe seus genitais) em local público, a fim de constranger ou ameaçar alguém. (Conforme Art. 233 do Código Penal)
O que uma mulher deve fazer quando recebe uma cantada?
Não há um protocolo para essa situação – mesmo porque muitas mulheres afirmam ter medo de sofrer violências piores ao reagir negativamente a uma abordagem.
Denúncias formais
Agir imediatamente em locais públicos:
A vítima de assédio sexual poderá denunciar o ofensor imediatamente, procurando um policial militar mais próximo ou segurança do local, caso esteja em um ambiente privado ou transporte público (exemplo: praças, faculdades, eventos, metrô). A vítima deve identificar o assediador, gravando suas características físicas e trajes, ou até mesmo tirando uma foto deste, que em casos recorrentes, poderá auxiliar as autoridades na identificação do sujeito.
Caso precise de ajuda, você pode procurar:
Delegacia de Defesa da Mulher (www.policiacivil.sp.gov.br)
Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher)
Secretaria de Políticas para as Mulheres: ouvidoria@spm.gov.br espmulheres@spmulheres.gov.br
Metrô de São Paulo: envie um SMS para (11) 97333-2252.
CPTM: envie um SMS para (11) 97150-4949
Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública Rua Boa Vista, 103, 10º andar, São Paulo/SP, tel. (11) 3101-0155, ramal 233 ou 238, e-mail: núcleo.mulher@defensoria.sp.gov.br
Este conteúdo foi extraído do site da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e está disponível em pdf neste link.
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Como silenciamos o estupro

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Todo mundo concorda que estupro é um dos piores crimes que existem. Ainda assim, 99% dos agressores sexuais estão soltos - e eles não são quem você imagina. Culpa de uma tradição milenar: o nosso hábito de abafar a violência sexual a qualquer custo. Entenda aqui por que é tão difícil falar de estupro.


Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas no Brasil. Esses são os números oficiais, obtidos a partir da papelada formal. Mas eles não correspondem à realidade. O estupro é um dos crimes mais subnotificados que existem e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima que os dados oficiais representem apenas 10% dos casos ocorridos. Ou seja, o verdadeiro número de pessoas estupradas todos os anos no Brasil é mais de meio milhão. Nos EUA, onde existem dados longitudinais, de acordo com o Center for Disease Control and Prevention, uma em cinco mulheres vai ser estuprada ao longo da vida.

Os casos registrados são baixos porque existe um comportamento persistente que cerca o estupro: o silêncio. Vítimas não denunciam seus agressores, policiais não investigam as acusações, famílias ignoram os pedidos de ajuda, instituições não entregam seus criminosos - esses mecanismos invisíveis fazem com que 90% da violência sexual jamais seja conhecida por ninguém. E isso, sim, é um crime ainda maior do que a soma de cada caso.

Apesar de entendermos o estupro como um dos piores crimes que podem acontecer a alguém - segundo pesquisas sobre percepção de crueldade, ele só perde para o assassinato -, somos estranhamente incrédulos para acreditar que ele realmente acontece. O estupro é o único crime no qual a vítima é julgada junto com o criminoso. Imagine que roubaram o seu celular e você decide fazer um B.O. Agora imagine que o delegado que pegou o seu caso resolve perguntar onde você foi assaltado, que horas eram e se você era conhecido por trocar de aparelho o tempo todo. Depois ele pergunta se você tem certeza de que o assalto realmente aconteceu ou se você não deu o celular ao bandido por vontade própria. Se você então explica que o roubo foi de madrugada e depois de você ter tomado umas cervejas, o delegado decide - por conta própria - que não houve crime algum: você estava na rua e bêbado, quem pode garantir que você está falando a verdade? Ou então, pior, quem disse que você não queria ter sido assaltado?

Isso acontece com quem foi estuprado o tempo todo. Mulheres relatam como são recebidas com desconfiança quando resolvem contar suas histórias para alguém. Pessoas perguntam que roupa ela vestia, onde ela estava, que horas eram, se estava bêbada, se já não havia ficado com o estuprador alguma vez, se deu a entender que queria fazer sexo e até se já teve muitos namorados antes. E essas perguntas podem vir de qualquer um. Foi o que aconteceu com a menina Maria*, por exemplo, estuprada pelo avô aos 14 anos. Quando ela resolveu pedir ajuda à avó, ouviu que a culpa havia sido dela. "Você saiu do banho de toalha na frente do seu avô, que não sabe controlar os instintos." O avô seguiu normalmente a vida, e Maria viveu com a culpa de quase ter desestruturado toda a sua família, como insinuou a avó. Comentários assim surgem de amigos, familiares, policiais, médicos, advogados - e até de juízes. Todas as instâncias trabalham para abafar o crime e jogar o assunto para baixo do tapete. Todas mesmo.

Por que o silêncio vence:
  • 78% dos brasileiros acham que o que acontece entre um casal em casa não interessa aos outros.
  • 63% pensam que casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família.

E como a culpa cai no colo delas:

  • 59% dos brasileiros concordam que existe "mulher para casar" e "mulher para a cama".
  • 58% acreditam que, se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. Fonte: IPEA


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Filme conta a história do primeiro dia de aula de uma menina com paralisia cerebral

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A história de Heloísa começou no livro e agora ganha movimento em um curta-metragem em animação.
Em "Por que Heloísa?", a autora Cristiana Soares se baseou numa história real para levar o espectador a repensar o conceito de deficiência.
O curta-metragem dá continuidade à trajetória de Heloísa, uma menina com paralisia cerebral, a partir do seu primeiro dia de aula em uma escola comum. Mostra também outros aspectos da primeira infância como suas relações  familiares.
O vídeo apresenta recursos acessíveis para pessoas com deficiências auditiva e visual.

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A melhor versão de nós mesmos.

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Alguns relacionamentos são produtivos e felizes. Outros são limitantes e inférteis. Infelizmente, há de ambos os tipos, e de outros que nem cabe aqui exemplificar. O cardápio é farto. Mas o que será que identifica um amor como saudável e outro como doentio? 

Em tese, todos os amores deveriam ser benéficos, simplesmente por serem amores. Mas não são. E uma pista para descobrir em qual situação a gente se encontra é se perguntar que espécie de mulher e que espécie de homem a sua relação desperta em você. Qual a versão que prevalece?

A pessoa mais bacana do mundo também tem um lado perverso. E a pessoa mais arrogante pode ter dentro de si um meigo. Escolhemos uma versão oficial para consumo externo, mas os nossos eus secretos também existem e só estão esperando uma provocação para se apresentarem publicamente. A questão é perceber se a pessoa com quem você convive ajuda você a revelar o seu melhor ou o seu pior.

Você convive com uma mulher tão ciumenta que manipula para encarcerar você em casa, longe do contato com amigos e familiares, transformando você num bicho do mato? Ou você descobriu através “força você a ser conivente com falcatruas?

Sua esposa é tão grosseira com os outros que você acaba pagando micos pelo simples fato de estar ao lado dela?

Seu noivo é tão calado e misterioso que transforma você numa desconfiada neurótica, do tipo que não para de xeretar o celular e fazer perguntas indiscretas?

Sua namorada é tão exibida e espalhafatosa que faz você agir como um censor, logo você que sempre foi partidário do “cada um vive como quer”?

Que reações imprevistas seu amor desperta em você? Se somos pessoas do bem, queremos estar com alguém que não desvirtue isso, ao contrário, que possibilite que nossas qualidades fiquem ainda mais evidentes. Um amor deve servir de trampolim para nossos saltos ornamentais, não para provocar escorregões e vexames.

O amor danoso é aquele que, mesmo sendo verdadeiro, transforma você em alguém desprezível a seus próprios olhos. Se a relação em que você se encontra não faz você gostar de si mesmo, desperta sua mesquinhez, rabugice, desconfiança e demais perfis vexatórios, alguma coisa está errada. O amor que nos serve e que nos faz evoluir é aquele que traz à tona a nossa melhor versão.

Martha Medeiros - A graça das coisas.
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Por que algumas pessoas não conseguem falar NÃO ?

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Uma sílaba. Três letras. Uma palavra quase que insignificante tamanho o uso que é feito no dia a dia. Ela sai da boca de qualquer pessoa. Será provavelmente uma das primeiras palavras que um bebê irá ouvir e aprender a falar. No entanto, algumas pessoas preferem passar uma temporada no deserto Saara sem uma gota de água para beber do que preferir está palavra. Para estas pessoas , falarem não pode ser uma verdadeira tortura.



Mas por que algumas pessoas não conseguem falar não? Um amigo uma vez me disse que acha que algumas pessoas têm uma "nãofobia" , tamanho é o medo e a dificuldade em falar não.


Algumas pessoas não conseguem falar não porque tem medo de enfrentarem conflito.

Dizer não, quase sempre traz algum desconforto, seja para a pessoa que está falando ou para o receptor, o que pode acabar gerando um conflito. Já tentou falar não para alguém mimado?  Algumas pessoas têm uma dificuldade tão grande em lidar com estas situações de conflito que preferem falar sim para tudo e com isto evitam o enfrentamento da situação. Além de ser desgastante , isto traz um enorme prejuízo , não só para quem fala, pois acaba fugindo de situação que precisa ser enfrentadas e para quem ouve, pois esta pessoa irá ter sempre sua vontade feita, o que em um mundo real é impossível de acontecer.

Algumas pessoas não conseguem falar não porque não querem perder o " status de boazinha"

Alguém certa vez escreveu sobre a síndrome de boazinha. Tal síndrome é caracterizada justamente pelo indivíduo , geralmente mulher, que faz tudo, eu disse tudo e mais um pouco, para agradar o outro . Mas o grande detalhe da pessoa que tem síndrome de boazinha, é que ao fazer tudo pelo outro, ela acaba se anulando pois se esquece completamente dos seus desejos e vontades. Ela literalmente precisa ser a pessoa "boa" e portanto não consegue lidar com a simples possibilidade do outro pensar que ela não é assim. Aí que entra a sua dificuldade do não. É impossível para esta pessoa falar não, pois com o não ela contraria o desejo ou a vontade do outro, e como ela pode ser perfeitamente boa se ela nega algo ao outro? Se ela não for tratada ela pode chegar à beira do esgotamento emocional.

Algumas pessoas não conseguem falar não porque simplesmente não aprenderam que podem ter vontade.

Estas pessoas são aquelas que não falam não porque simplesmente não lhe ensinaram a falar não. Geralmente são pessoas submissas, que fazem a vontade do outro. São filhos de pais autoritários, cresceram em lares disfuncionais , onde não tinha diálogo entre a família e a ordem do mais velho ou do pai sempre imperava. São pessoa sem vontade, sem desejo. São geralmente pessoas tristes que precisam apenas aprender que podem ter uma voz , e mais do que isto, tem o direito de falar. Estas pessoas geralmente conseguem falar o tão sonhado não depois que já explodem emocionalmente. Chegam ao seu limite e então conseguem falar não e quando conseguem, geralmente vem carregado de culpa e a pessoa precisa entender que não há nada de errado em ter vontade e em falar não.

Algumas pessoas não conseguem falar não porque não sabem o que querem.

Este é o grupo de pessoas mais indeciso. Falar não para eles deveria ser uma coisa simples mas não o é porque o conflito aqui está na falta de conhecimento pessoal. É o chamado "Maria vai com as outras." Como a pessoa não se conhece, não sabe do gosta ela acaba falando sim para todos e para tudo. Repare aqui que o problema não é o não em si, mas a falta de autoconhecimento o que acaba gerando uma pessoa neutra, sem personalidade, e portanto sem palavra ativa. Esta pessoa talvez seja a mais fácil a aprender a falar não, e ao mesmo tempo de forma contraditória a mais difícil. Isto porque se conhecer quase sempre é um processo doloroso, onde temos que lidar com nossas imperfeições , dúvidas e medos, e estas pessoas simplesmente se acostumam a ser como o grupo. São quase camaleões sociais. Entretanto, quando chegam no final da vida se arrependem porque o vazio existencial que fica é grande.

E finalmente temos o grupo de pessoas que não conseguem falar não porque não querem assumir responsabilidade por suas ações e por sua vida.

Estas pessoas têm uma enorme dificuldade em falar não. Mas estas pessoas são contraditórias com elas mesmas. Elas falam "não" quando é conveniente e "sim" quando é mais conveniente ainda. Elas seguem o ritmo do grupo. Quanto mais neutro possível, melhor. Muitas vezes estas pessoas não decidem , ou seja, não falam nem que sim, nem que não, pois qualquer resposta pode gerar uma responsabilidade que elas não estão dispostas a assumir. Estas pessoas com o tempo deixam de ser consultadas. Nos relacionamentos é a pessoa que vai na onda, não tem opinião. São pessoas mornas e dificilmente formam vínculos profundos ou então se tornam marionete nas mãos das pessoas. Mas diferentemente das pessoas que não sabem o que querem e fazem o que os outros querem, estas pessoas culpam os outros quando algo está ou dá errado. Elas são do tipo que não conseguem falar, se impor e quando alguém o faz as culpam pelas consequências.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
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Queremos ou não queremos um relacionamento? Que geração é esta?

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Queremos uma segunda xícara de café nas imagens que postamos no Instagram de nossas manhãs preguiçosas de sábado e outro par de sapatos nas fotos bonitinhas dos nossos pés. Queremos um relacionamento oficial no Facebook que todo o mundo possa curtir e comentar, queremos o post nas mídias sociais que conquista #metasderelacionamento. 

Queremos alguém para dividir um brunch conosco aos domingos, alguém com quem lamentar o tédio das segundas, uma pessoa com quem sair para comer um taco na terça, alguém que nos mande um torpedo de bom-dia na quarta. Queremos alguém que nos acompanhe a todos os casamentos para os quais vivemos sendo convidados (e como será que eles conseguiram? Como encontraram o par com quem serão felizes para sempre?). Mas somos a geração que não quer um relacionamento.

Empurramos para o lado esquerdo na esperança de encontrar a pessoa certa. Tentamos encomendar uma alma gêmea, com quem encomenda alguma coisa na internet. Lemos “5 sinais de que ele curte você” e “7 jeitos de fazê-la ficar apaixonada por você”, na esperança de poder carregar uma pessoa em um relacionamento, como um projeto no Pinterest. Investimos mais tempo em nossos perfis no Tinder que em nossas personalidades. Mas não queremos um relacionamento.

“Conversamos” e trocamos mensagens de texto. Falamos pelo Snapchat, fazemos sexting. Saímos em baladas e para happy hours, vamos a um café, tomamos uma cerveja - qualquer coisa para evitar um encontro declarado. Trocamos torpedos combinando um encontro, falamos abobrinha por uma hora e então voltamos para casa e continuamos a falar abobrinha por SMS. Mergulhamos em brincadeiras mútuas em que não há vencedor, e com isso abrimos mão de qualquer chance de criarmos uma conexão real com outra pessoa. Concorrendo aos títulos de “o mais desapegado”, “a atitude mais apática” e “o mais hábil em ser emocionalmente distante”, acabamos na realidade ganhando o troféu de “a pessoa que tem mais chances de acabar sozinha”.

Queremos a fachada de um relacionamento, mas não a mão-de-obra. Queremos ficar de mãos dadas mas não queremos o olho no olho; queremos a brincadeira, não as conversas sérias. Queremos as promessas bonitinhas sem um engajamento para valer, os aniversários para comemorar sem os 365 dias de trabalho que levam a eles. Queremos o “viveram felizes para sempre”, mas não queremos investir o esforço aqui e agora. Queremos a conexão profunda e ao mesmo tempo conservar tudo superficial. Ansiamos por aquele amor de Copa do Mundo, mas não estamos dispostos a colocar nosso time em campo.

Queremos alguém que segure nossa mão, mas não queremos entregar a essa pessoa o poder de nos magoar. Queremos cantadas bregas, mas não queremos nos entregar, porque isso implicaria a possibilidade de sermos largados. Queremos que nos arrebatem, mas ao mesmo tempo queremos ficar independentes, em segurança, apoiados sobre nossos próprios pés. Queremos continuar a correr atrás da ideia do amor, mas não queremos nos apaixonar profundamente, de verdade.

Não queremos relacionamentos - queremos amizades coloridas, acompanhadas de Netflix, cervejinha e nudes no Tinder. Queremos qualquer coisa que nos dê a ilusão de um relacionamento, sem estarmos em um relacionamento de verdade. Queremos todas as recompensas e risco nenhum, todos os prêmios e nenhum custo. 

Queremos nos conectar - um pouco, mas não demais. Queremos nos comprometer - um pouquinho, não muito. Levamos as coisas com calma: vamos ver onde isso vai dar, não vamos rotular o que estamos vivendo, a gente se curte, só isso. Ficamos com um pé para fora da porta, ficamos com um olho aberto e nunca deixamos o outro chegar perto demais: brincamos com as emoções dele, mas, sobretudo, brincamos com as nossas emoções.

Quando as coisas estão querendo ficar reais demais, fugimos. Nos escondemos. Vamos embora. Sempre haverá outros peixes no mar. Sempre haverá outra chance de encontrar o amor. Hoje em dia as chances de conservar um amor são tão pequenas...

Nossa esperança é que a gente mexa o mouse e caia direto na felicidade. Queremos descarregar a pessoa que será nossa parceira perfeita, como se fosse um aplicativo novo -que possa ser atualizado toda vez que houver algum probleminha, possa ser facilmente arquivado em alguma pasta, possa ser deletado quando não nos serve mais. Não queremos desfazer nossas malas - ou, ainda pior, ajudar outra pessoa a desfazer as dela. Queremos conservar o que é feio escondidinho, ocultar as imperfeições com um filtro do Instagram, escolher outro episódio no Netflix no lugar de uma conversa de verdade. Gostamos da ideia de amar uma pessoa apesar de seus defeitos - mas guardamos nossos próprios defeitos muito bem escondidos, preferindo que nunca sejam mostrados à luz do dia.

Sentimos que temos direito ao amor. Sentimos que temos direito a um emprego decente assim que terminamos a faculdade. Nossa juventude, em que havia prêmios para todo o mundo, nos ensinou que, se queremos alguma coisa, é porque a merecemos. Nossas fitas VHS da Disney nos ensinaram que o amor verdadeiro, as almas gêmeas e o felizes para sempre existem para todos. E assim, não investimos nenhum esforço nisso. Depois ficamos nos perguntando por que nosso príncipe encantado não chegou. Ficamos sentados no sofá, chateados porque nossa princesa não está visível em nenhum lugar. Cadê nosso prêmio de consolação? Afinal, nós comparecemos, estamos aqui. Cadê o relacionamento que merecemos? O amor verdadeiro que nos foi prometido?

Queremos alguém que marque presença ao nosso lado, não uma pessoa de verdade. Queremos alguém para preencher o vazio, não um parceiro. Queremos alguém que fique sentado no sofá ao nosso lado enquanto abrimos mais um feed de notícias e clicamos em cima de mais um app para desviar nossa atenção de nossa própria vida. Queremos fazer de conta que não temos emoções, ao mesmo tempo em que revelamos nossos sentimentos; queremos que alguém precise de nós, mas não queremos sentir necessidade de ninguém. Nos fazemos de difíceis só para testar se a outra pessoa vai se esforçar o suficiente; nós mesmos não entendemos direito por que o fazemos. 

Ficamos sentados com amigos discutindo as regras, mas ninguém sabe sequer que jogo estamos jogando. Porque o problema com a nossa geração que supostamente não quer relacionamentos é que, a verdade seja dita, queremos um relacionamento, sim.
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O QUE PEDRO PENSA DE PAULO DIZ MAIS SOBRE PEDRO DO QUE PAULO

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No bar, no salão, no trabalho, na mesa de jantar ou nas redes sociais, invariavelmente inicia-se a cena de alguém falando mal de outro alguém. Nesses momentos me ocorre uma sensação de desconforto tremenda. Às vezes, porque gosto da pessoa à qual o outro insiste em maldizer, mas principalmente porque acabo vendo no falador algumas características que até então desconhecia.



Uma das razões pelas quais algumas pessoas nunca se sentem felizes é porque estão a cuidar da vida alheia e pouco de si mesmas. Costumam não falar de suas próprias histórias, pois a verdade é que sua vida pouco lhes interessa. Estão bagunçadas demais intimamente. Olhar para dentro de si é um ato de muita coragem; e nem todos seguem dispostos a se enxergar com franqueza. Falar mal de alguém pode representar uma tentativa de desviar o foco sobre os próprios tormentos. Por essa razão, parece ser uma saída mais fácil tatear algo que está fora e expulsar para alguém o que é legitimamente nosso. Mas não é. Nenhum mal resolvido pode ser exilado de nós dessa maneira. É inútil.

“Somos donos do que calamos e escravos do que falamos.” Freud, o neurologista que criou o método “talking cure” (cura pela fala), conhecia mesmo o valor da palavra. Sabia o quanto o peixe morre pela boca. Morre, não no sentido literal por ter mordido uma isca traidora. Morre porque se entrega por inteiro no exato momento em que maldiz alguém. Ao denegrir o outro, fica ali escancarado tudo que o se é e não o que pertence ao outro.

Quem vive a julgar acaba por se entregar. E assim, divulga suas intimidades, suas fraquezas. Revela sua impotência, sua sexualidade, expõe suas aversões. Manifesta sua intolerância, sua atormentadora dificuldade em lidar com a opinião diferente. Exibe seus medos, seus desejos velados, conta os segredos mais íntimos, sem ao menos se dar conta que o faz. Ao falar mal de alguém não escancaramos o caráter do outro, mas sim o nosso.

Sabe aquele maldizer exagerado, esbravejado, exposto em demasia? Sim, ele também conta coisas sobre nós. É bem provável que no íntimo exista uma simpatia pela ideia ou pessoa a quem tentamos expor de maneira tão depreciativa. É uma espécie de amor enfermo, convertido em ódio. Aquilo que se odeia no outro é justamente o que repulsamos em nós.

O ódio é o amor adoecido pela intolerância, principalmente a intolerância que direcionamos primeiro a nós mesmos. É preciso que o mal dito seja falado, mas ele jamais será traduzido se continuarmos endereçando as palavras e o olhar somente ao outro. Ver-se é um arremessar-se para dentro sem precedentes. Não dá pra prever o que vamos encontrar. É perigoso, eu sei, mas é libertador.













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9 causas sorrateiras da depressão

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Para certas pessoas, temperaturas geladas não são a única parte ruim do inverno. Cerca de 10 milhões de americanos também sofrem de transtorno sazonal afetivo, uma doença mental relacionada à depressão que vai e vem de acordo com a época do ano.
Na maioria das vezes, o problema se manifesta no fim do outono e dura até a primavera. Ele é tipicamente prevalente em pessoas que vivem onde o inverno é mais rigoroso.
Infelizmente, a mudança das estações não é a única causa surpreendente da depressão. Há outros gatilhos – incluindo o estilo de vida – que podem precipitar o problema.
“A depressão tem várias formas. Ela pode ser leve, e as pessoas continuam funcionando normalmente, ou então pode ser severa e debilitante”, disse ao The Huffington Post Josie Znidarsic, médico de família da clínica de bem estar da Cleveland Clinic.
“Pode acontecer com qualquer um... Não é preciso haver um grande trauma. E não é algo que vá desaparecer se for simplesmente ignorado.”
É claro que há casos em que a depressão não é causada por circunstâncias externas. A química cerebral, os hormônios e a herança genética podem ser fatores importantes.
Dito isso, às vezes algum fator externo pode levar ao desenvolvimento de doenças mentais. Veja a seguir alguns fatores surpreendentes que podem contribuir para a depressão.

1. Doenças crônicas

Lidar com doenças crônicas é difícil física e emocionalmente.
As pessoas que sofrem de problemas crônicos como doenças cardíacas, diabetes e câncer têm maior propensão a sofrer de depressão, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.
É importante notar que os cientistas ainda não determinaram se a depressão leva a doenças crônicas ou vice-versa.
Mas os especialistas ressaltam que há maneiras específicas de administrar o problema mental durante o tratamento das doenças crônicas.

2. Fumo

Mais um bom motivo para largar o cigarro: um estudo britânico de 2015 indica que os fumantes têm maior probabilidade de sofrer de ansiedade e depressão do que os não-fumantes.
Além disso, o estudo descobriu que fumar pode ser uma fonte de ansiedade, por causa da sensação de abstinência.
“Aquele ‘barato’ do cigarro não é útil, pois é destrutivo para o corpo”, disse previamente ao HuffPost Michael Roizen, chefe da área de bem estar da Cleveland Clinic.
“O ideal é descobrir o que te dá um ‘barato’ e que não cause ou contribua para doenças. Pode ser exercício, conversar com amigos ou cozinhar. Tudo isso ajuda, especialmente quando se trata de depressão.”

3. Uso excessivo das redes sociais

As mídias sociais são apenas um olhar de relance sobre a vida das pessoas; elas não retratam a realidade. Ainda assim, você pode usá-la para se comparar com os outros.
Esse processo subconsciente é chamado pelos pesquisadores de “comparação social” e pode levar à depressão, segundo estudo publicado no Journal of Social and Clinical Psychology.

4. Seu bairro

Você mora na cidade ou no campo?
Isso pode ter impacto na sua saúde mental. Pesquisas mostram que as pessoas que moram em áreas urbanas podem ser mais suscetíveis a doenças mentais, particularmente a depressão, diz a Scientific American.
Embora os pesquisadores afirmem que as causas subjacentes sejam incrivelmente complexas, acredita-se que passar mais tempo junto à natureza pode ser um antídoto poderoso.

5. Dieta

Seu corpo e sua mente podem estar ligados ao que você consome.
Pesquisas sugerem que as pessoas que têm maus hábitos alimentares – comidas com muita carne processada, açúcar e gorduras – também tinham maior propensão a relatar sintomas de depressão, segundo a Mayo Clinic.
Uma análise de dados publicada em 2008 no Indian Journal of Psychology afirma que “a nutrição pode ter papel decisivo no início e na severidade e duração da depressão”.
Isso é cíclico, claro. A depressão também pode levar à perda do apetite e às vezes impede uma nutrição adequada.
Os especialistas afirmam que essa relação é complexa, mas, de qualquer modo, é algo a ter em mente quando se trata do seu humor.

6. Passar muito tempo sentado.

O único caminho para uma mente e um corpo saudáveis é priorizar não só o que você come, mas também seu nível de atividade física.
Pesquisas mostram que o exercício pode melhorar o humor.
Não só isso: o sedentarismo pode estar associado a sintomas de depressão. Hora de se mexer.

7. Falta de sono

Privação de sono não é brincadeira. Se você está com o sono atrasado, não só corre risco de sofrer de doenças crônicas, como problemas cardíacos, como também de ter depressão.
Pesquisas apontam que a falta de sono pode interferir com o humor.
A depressão também pode ter impacto na qualidade do seu sono, criando um ciclo vicioso.

8. Inflamação cerebral

Novas pesquisas indicam que sintomas depressivos podem estar ligados a “neuroinflamação”, ou uma resposta natural de proteção do cérebro.
Um estudo publicado na revista JAMA Psychiatry indica que os índices de inflamação cerebral eram 30% mais altos em pacientes deprimidos.
Isso pode ser boa notícia no que diz respeito ao estigma, uma vez que muita gente acredita que a depressão é algo que possa ser simplesmente “superado”.

9. Não priorizar suas necessidades

Se você coloca as necessidades dos outros na frente das suas, sua saúde mental pode ser prejudicada.
“Muitas vezes as pessoas não deixa espaço nem tempo para cuidar de si mesmas”, diz Znidarsic.
Se você acha que está sentindo depressão, há esperança, diz Znidarsic. Há maneiras de administrá-la e voltar a se sentir bem – porque você merece ser saudável.


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Nesse “18 de MAIO” FAÇAMOS BONITO na luta pelos direitos de crianças e adolescentes

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18 de Maio se comera o 16º ano de mobilização no “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, instituído pela Lei Federal 9.970/00. 



O Dia 18 DE MAIO, é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro e que já alcançou nesses 15 anos muitos municípios do nosso país.
 

A cada ano temos registrado uma adesão maior de municípios na mobilização em torno do “18 de Maio” por meio de caminhadas, audiências públicas, debates nas escolas, concurso de redação nas escolas, exibição de filmes e debates, realização de seminários e oficinas temáticas e de prevenção a violência sexual, panfletagem, criação de produtos de comunicação sobre a temática, campanhas nas rádios e entrevistas com especialistas entre outros.
 

Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune.
 

A proposta do “18 DE MAIO” é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.
 

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera as relações de geração, de gênero, de raça/etnia, de orientação sexual, de classe social e de condições econômicas. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais tanto pessoas e/ou redes utilizam crianças e adolescentes para satisfazerem seus desejos e fantasias sexuais e/ou obterem vantagens financeiras e lucros.
 

Nesse contexto, a criança ou adolescente não é considerada sujeito de direitos, mas um ser despossuído de humanidade e de proteção. A violência sexual contra meninos e meninas ocorre tanto por meio do abuso sexual intrafamiliar ou interpessoal como na exploração sexual. Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, por estarem vulneráveis, podem se tornar mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo.
 

Esse ano, mais uma vez, em alusão ao Dia 18 de Maio, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, vem ressaltar as inúmeras violações que os grandes eventos esportivos que o país vai sediar e os empreendimentos de infraestrutura têm acarretado na vida de crianças, adolescentes, suas famílias e comunidade.
 

Queremos ressaltar também a responsabilidade do poder público e da sociedade na implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, na garantia da atenção às crianças, adolescentes e suas famílias, por meio da atuação em rede, fortalecendo o Sistema de Garantia de Direitos preconizado no ECA (Lei Federal 8.069/90) e tendo como lócus privilegiado os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente no âmbito dos estados e municípios.
 

Em razão desse contexto, faz-se de extrema importância que o movimento de defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes se articule, se insira, participe e incida nesse debate, sobretudo, em função das grandes obras que já estão em curso no país e dos megaeventos que se o Brasil vai sediar.
 

O enfrentamento à violação de direitos humanos sexuais de crianças e adolescentes pressupõe que a sexualidade é uma dimensão humana, desenvolvida e presente na condição cultural e histórica de homens e mulheres, que se expressa e é vivenciada diferentemente nas diversas fases da vida. Na primeira infância, a criança começa a fazer as descobertas sexuais e a notar, por exemplo, diferenças anatômicas entre os sexos. Mais à frente, com a ocorrência da puberdade, passa a vivenciar um momento especial da sexualidade, com emersão mais acentuada de desejos sexuais.
 

Aos adultos, além da sua responsabilidade legal de proteger, de defender crianças e adolescentes, cabe o papel pedagógico da orientação e acolhida. Dessa forma, buscando superar mitos, tabus e preconceitos oferecendo segurança para que possam se reconhecer como pessoa em desenvolvimento e se envolver coletivamente na defesa, garantia, e promoção dos seus direitos.
 

Queremos convocar todos – família, escola, sociedade civil, governos, instituições de atendimento, igrejas, templos universidades, mídia – para assumirem o compromisso no enfrentamento da violência sexual, promovendo e se responsabilizando para com o desenvolvimento da sexualidade de crianças e adolescentes de forma digna, saudável e protegida.
 


Nesse “18 de MAIO” FAÇAMOS BONITO na luta pelos direitos de crianças e adolescentes.
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Socorro, sou psicóloga e tenho TDAH

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Relato mostra como funciona a angústia da mente de uma pessoa com TDAH e de como isto afeta o seu dia a dia.



"A  primeira coisa que você vai notar ao me observar é que estou inquieta. Melhor, sou inquieta. Estarei mexendo no meu cabelo, balançando os pés ou batucando a caneta. Quando percebo o que estou fazendo consigo parar. Mas irei começar novamente assim que eu me distrair e esquecer o que estava fazendo.

Me distraio com facilidade também . Um mosquito acabou de passar ao meu lado e já... O que eu estava falando mesmo? Vou pegar um copo com água . Chegou uma mensagem no WhatsApp. Espera aí que já volto. Começo a escrever novamente e me lembro que preciso mandar um e-mail. Tudo bem faço isto depois. Mas deixa eu dar só uma olhadinha no Facebook.

Nossa, aquela amiga saiu e nem me chamou. Ou será que me chamou e eu esqueci? Não consigo me lembrar. Não vou fazer drama afinal eu nem queria sair mesmo. Aliás, hoje eu nem queria sair da cama. Tá tudo tão ruim. Pronto! Já fiquei triste. Nem sei como vim parar na página do primo da amiga do meu colega de faculdade. Ele é bonito. Será que mando algo em inbox para meu colega de faculdade? Vou mandar. Mandei. Droga. Não devia ter mandado. Ele nem é tudo isto.

Vou voltar a escrever. Mas agora estou cansada. Vou assistir um filme. Este filme não  está bom. Vou ler um livro. Vou onde está aquele livro que eu queria ler ? Qual era mesmo? Droga, preciso arrumar minha estante. Vou arrumar agora. Vai por ordem alfabética. Não, melhor por tamanho do livro. Ou melhor por assunto. Olha, este livro que eu estava procurando para ler semana passada. Celular está tocando. Onde que eu coloquei ele mesmo? Estava na minha mão agora pouco. Perdi. Também parou de chamar. Se for importante ligam de novo. Mas quem será que me ligou? Preciso descobrir. Cadê meu celular gente? Vou morrer se eu não achar. Achei. Número desconhecido. Deixa para lá.

Voltemos ao texto. Me perdi em meus pensamento né? Me desculpe. 

Além de inquieta e ter dificuldade de manter a atenção sou impulsiva. Claro, a tríade do TDHA. Faço coisas sem pensar e depois paro para pensar nas consequências. Não faço por mal, mas quando vejo já fiz. Me arrependo, fico dias pensando, perco o sono. Me sinto uma porcaria. Pior do que a mosca do cocô do cavalo. Não quero ver ninguém.

Sou instável com as minhas emoções e sentimentos. Tenho dificuldade em me relacionar por que perco o interesse rápido. Uma hora morro de amores e no dia seguinte já não me sinto tão empolgada. Não queria ser assim. Sofro e sei que faço as pessoas sofrerem. Me sinto triste. Não queria ser assim. Isto me deixa ansiosa e inquieta. De novo. Preciso levantar um pouco. Sei que não terminei o texto mas até você já percebeu que minha mente está a mil e preciso de um ar.

Daqui a pouco eu volto. Quer saber ? Me cansei. Vou desligar este computador e tentar dormir. Mas claro, pensarei muito : antes passarei a minha vida inteira a limpo , irei me lembrar de tudo o que eu me esqueci de fazer durante o dia e quando eu finalmente estiver exausta irei dormir. Mas meu sono será irregular. Afinal eu mexo muito na cama. Amanhã terei dificuldade para acordar porque dormi pouco. Tudo bem, amanhã eu começo tudo de novo. Mas o que eu estava falando mesmo? "
De quem é este relato? Meu. Fui diagnosticada com TDAH  há três meses. Hoje tomo medicamento e continuo a fazer minha terapia.  O que mudou? Muito coisa. Hoje sei o que eu tenho e com isto me entendo. Sei os meus limites, aquilo que é biológico ,  aquilo que é psicológico e aquilo que simplesmente se tornou um hábito e preciso me esforçar para mudar.  Estou em processo e vejam bem : consegui terminar o meu texto !

Ah, Sim! Sou psicóloga. Como consigo atender as pessoas? Fácil ! É que ajudar as pessoas é a minha área de hiperfoco. Sou capaz de fazer isto por horas. 


  

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9 formas de prevenir que crianças tenham problemas com imagem corporal

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Ações valem tanto quanto mil palavras quando o assunto é a autoimagem das crianças. É o que dizem as especialistas Beatriz Morbach Portella, psicóloga da equipe Primeiro Movimento, e com Luciana Venturini Gutierres, psicóloga e supervisora no Hospital do Servidor Público Estadual, sobre como ajudar crianças a terem uma boa imagem corporal e prevenir que elas desenvolvam problemas de autoimagem.


1. Tenha a consciência de que a questão da imagem corporal deve ser pensada desde sempre, já que ela começa a ser construída assim que nascemos.

Tenha a consciência de que a questão da imagem corporal deve ser pensada desde sempre, já que ela começa a ser construída assim que nascemos.
Irmun / Getty Images
A imagem corporal – ou a forma de enxergar e sentir o próprio corpo – começa a ser construída no momento em que nascemos e é influenciada por vários fatores. “Essa imagem é constituída desde o início da vida pelo olhar da mãe, do pai e pela história familiar e, por fim, pela a cultura”, explica Beatriz.

2. Entenda que as ações dos adultos valem tanto quanto mil palavras quando o assunto é a imagem corporal das crianças.

Entenda que as ações dos adultos valem tanto quanto mil palavras quando o assunto é a imagem corporal das crianças.
Irmun / Getty Images
Sabe aquele papo de que as crianças captam tudo? “A comunicação não se dá apenas pela linguagem, mas também por gestos, expressões e atitudes com relação à criança”, diz Luciana. “As crianças estão muito atentas aos que os pais enunciam, aceitam, rejeitam, a como agem com os outros e com eles. Isso pode contribuir para a construção de ideais difíceis da criança atingir.”

3. É ok se preocupar com o sobrepeso do seu filho, mas também aproveite para questionar seus conceitos de magreza.

É ok se preocupar com o sobrepeso do seu filho, mas também aproveite para questionar seus conceitos de magreza.
Olarty / Getty Images
“Precisamos ter cautela com relação ao peso das crianças. Por que vivemos na ditadura da magreza e existem crianças mais gordinhas e muito de bem consigo mesmas”, diz Beatriz. Por isso, analise como a criança está se sentindo. “Se não for um sobrepeso patológico e se ela estiver bem, tanto socialmente como emocionalmente, brincando e interagindo com seus amigos, não há problemas.”

4. Nunca é demais reforçar para as crianças que cada um é de um jeito e que estas diferenças tornam o mundo mais legal.

Nunca é demais reforçar para as crianças que cada um é de um jeito e que estas diferenças tornam o mundo mais legal.
Ayutaka / Getty Images
“Acho importante passar a noção de que as pessoas são diferentes entre si, por dentro e por fora e isso não nos torna melhores ou piores que ninguém. Que é possível e bem divertido convivermos com pessoas diferentes”, diz Beatriz. “A tarefa humana de lidar com as diferenças é uma das mais difíceis, não é um desafio fácil, mas vale insistir.”

5. Seja uma pessoa que incentiva a criança a expressar suas emoções.

Seja uma pessoa que incentiva a criança a expressar suas emoções.
Irmun / Getty Images
Quando a criança fala, ela começa a pensar mais sobre o assunto e a refletir mais, “dando novos significados para determinadas ideias que ela pode associar à sua imagem”, explica Luciana. Com crianças muito pequenas, a especialista sugere tentar entender a criança através de brincadeiras. “Isso vai ajudando a família ou os adultos que convivem com a criança a entender o que se passa com ela e refletir sobre a possibilidade de o meio familiar e social estarem contribuindo, de alguma forma, para que ela construa aquelas preocupações relacionadas a sua imagem”, diz.

6. Converse com a criança se ela está falando coisas que a colocam para baixo.

Converse com a criança se ela está falando coisas que a colocam para baixo.
Olarty / Getty Images
Falar mal de si mesmo nunca é legal. “Pergunte porque ela fala assim de si mesma, o que está acontecendo. Uma boa conversa, amorosa, um olhar atento e afetuoso pode ajudar muito”, diz Beatriz.

7. Se a criança está sofrendo bullying na escola, vale a pena levar a questão para os educadores.

Se a criança está sofrendo bullying na escola, vale a pena levar a questão para os educadores.
Irmun / Getty Images
“Dificilmente o problema é só de uma criança”, diz Beatriz. Por isso, em uma escola bem preparada e cuidadosa, levar a questão para os educadores pode ajudá-los a trabalhar em sala a questão da diferença entre as crianças. “É preciso se ocupar dessa temática nas escolas, nos espaços sociais e familiares”, ressalta Luciana.

8. Perceba que frases como “Esse vestido te deixa mais gordinha”, “Você comeu todo o chocolate, vai ficar gordo e feio” e “Você fica só no videogame, vai ficar gordo” não ajudam em nada.

Perceba que frases como "Esse vestido te deixa mais gordinha", "Você comeu todo o chocolate, vai ficar gordo e feio" e "Você fica só no videogame, vai ficar gordo" não ajudam em nada.
Irmun / Getty Images
Porque elas não ajudam mesmo. “Estas frases não são construtivas nem educativas e podem interferir a longo prazo na imagem que a criança tem de si mesma”, diz Beatriz. Uma criança não deve comer o todo chocolate porque não é saudável, não por que ela vai ficar feia. “O adulto pode e deve dar um parâmetro de adequação. Não por que a criança esteja feia, gorda ou ridícula. Mas por que não pode! Simples assim”, diz a especialista.

9. Pense mais sobre sua imagem corporal e sua relação com seu corpo.

Pense mais sobre sua imagem corporal e sua relação com seu corpo.
Irmun / Getty Images
Se você não consegue nem perceber suas encanações com seu corpo, é ainda mais fácil repassá-las para crianças. “Essa preocupação o faz olhar para a criança a partir da sua subjetividade, desconsiderando que ele pode ter outras possibilidades, lidar de outra forma com seu corpo”, diz Luciana. Pense mais sobre a sua relação com seu corpo e procure ajuda profissional se você notar que está com dificuldades em se aceitar.


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