Qual a demanda de hoje?

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Quais são as queixas mais frequentes que o paciente tem quando busca a terapia?




Sabe-se que, nos tempos pioneiros de Freud e seus seguidores imediatos, o atendimento era quase que exclusivamente com pacientes portadores de quadros com claras manifestações de sintomas típicos de algum tipo de neurose. Assim, no início das descobertas de Freud, a totalidade da sua prática clínica era composta por mulheres, jovens e histéricas; posteriormente, o atendimento foi se estendendo a pacientes portadores de sintomas fóbicos (o caso do menino Hans), obsessivos (o caso do “homem dos ratos”) e afins. 



Aos poucos, a psicanálise não ficou mais restrita à remoção de sintomas, mas passou a priorizar os pacientes portadores de algum grau de transtorno caracterológico. A partir das contribuições kleinianas, a psicanálise ampliou o seu raio de ação para pacientes bastante mais regressivos, como os psicóticos, da mesma forma que também abriu as portas para a análise de crianças. Aliás, é notório o fato de que tem aumentado significativamente a demanda de crianças que, motivadas por pais, professores, médicos, mais esclarecidos, buscam terapia analítica. O mesmo vale para púberes, adolescentes e também para uma mais espontânea e menos preconceituosa procura de análise por parte de homens.

Na atualidade, as pessoas que procuram tratamento analítico fazem-no principalmente com queixas de problemas relativos a algum transtorno do sentimento de identidade, assim como também há uma alta incidência de pacientes com um sentimento de baixa auto-estima, o que, por sua vez, gera em escalada crescente o surgimento de quadros depressivos e também de indivíduos estressados, com um alto grau de angústia livre (a alta incidência da doença do pânico talvez seja um bom exemplo disso). 

Outros transtornos que prevalecem no perfil dos pacientes da atualidade referem-se a personalidades tipo “falso self”: transtornos narcisistas; patologias regressivas, como o são, por exemplo, as psicoses, os borderline, os perversos, os somatizadores, os transtornos alimentares (tipo bulimia e anorexia nervosas), ocorrendo um grande aumento, sobretudo em jovens, de inúmeras formas de drogadições, perversões e psicopatias e, significativamente, daqueles casos que a psicanálise contemporânea está denominando “clínica do vazio”.

O que hoje constatamos é que a queixa inicial dos pacientes postulantes à análise recai freqüentemente em uma angústia existencial quanto ao sentido de por que e para que continuam vivendo, ou seja, quanto à validade da existência em si. Nos pacientes que sofrem da “clínica do vazio”, o eixo do sofrimento não gira tanto em torno dos clássicos conflitos resultantes do embate entre pulsões e defesas, mas, sim,o giro se faz predominantemente em torno das carências, provenientes das faltas e falhas que se instalaram nos primórdios do desenvolvimento emocional primitivo, e determinaram a formação de vazios no ego, verdadeiros “buracos negros” à espera de serem preenchidos pela figura do psicanalista, o que poderá ser feito por meio de sua função psicanalítica.




Referência bibliográfica: Manual de Técnica psicanalítica - Uma revisão. David E. Zimerman. 
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Aids: do diagnóstico à continuidade da vida. Qual o papel do psicólogo neste processo?

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Atualmente 25 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV no Brasil. Mas enxergar somente Aids nos soropositivos é reduzi-los ao tamanho microscópico do vírus. Pois a contaminação pelo HIV não impede que esses sujeitos tenham anseios, medos e angústias a respeito da vida, como qualquer outro ser humano. É comum, após receber a notícia sobre seu diagnóstico, o soropositivo passar algum tempo sem poder enxergar nele nada além do HIV. Muitas vezes, ele chega ao consultório do terapeuta se apresentando como portador do vírus, antes mesmo de dizer o nome, o que faz, de onde veio. Ajudar essa pessoa a encontrar sua identidade fora do vírus e livrá-lo da culpa que o imaginário social o coloca em relação à doença e ao sexo é um dos papéis a serem desempenhados pelo profissional de psicologia. Devemos respeitá-lo e tratá-lo como sujeito. 



No caso dos soropositivos, obviamente, o acompanhamento psicoterápico contribui para melhorar sua qualidade de vida e complementar o tratamento do HIV positivo. Por isto não  há necessidade de inventar nova psicoterapia para acompanhar esses pacientes. O vírus não cria novo psiquismo, não desenvolve características distintas dos outros seres humanos. O fato de estar infectado não muda nada no trabalho de análise.  A especificidade que existe quando se é soropositivo, é que a culpa que ele sente vem carregada de preconceito e de temor, porque está associada ao castigo que leva à morte. Portanto, é preciso primeiro tirá-lo dessa certeza de que fez algo errado, que fez o que não devia. Além de combater o HIV e todas as doenças oportunistas, o soropositivo precisa ter recursos para garantir uma vida com qualidade e enfrentar um inimigo às vezes muito mais implacável que o vírus: o preconceito. O triste nessa doença é que já o matam antes que ele tenha a morte biológica. 

Quando hoje, na prática, sabe-se que estar infectado não significa morte imediata. Ela pode inclusive demorar mais tempo, no caso dos soropositivos, do que a vida de alguém que esteja livre do vírus. A morte ainda pode chegar para o HIV positivo de outra forma, antes mesmo que o vírus possa matá-lo, já que não podemos saber exatamente quando terminam nossas vidas.as indagações sobre o tempo de vida não invalidam a psicoterapia. A morte não é mais que um dos assuntos da vida, assim como o são a sexualidade, as paixões, mãe, pai, irmãos, os abandonos, a falta ou o excesso de dinheiro, as internações. O equívoco é estar presentificando a morte a todo instante, enquanto a vida se faz presente

Apesar de ainda matar, o conhecimento do diagnóstico não se apresenta mais para o paciente como sinônimo de morte rápida e com muito sofrimento. Assim, o trabalho que antes era praticamente de tratamento emergencial ganhou nova perspectiva da abordagem psicológica. A psicologia no caso da Aids tem um papel importante e ainda não ocupou o espaço que precisa ocupar
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Aplicativo para treinar cérebro pode ajudar pessoas com esquizofrenia

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Jogo de treino cerebral foi desenvolvido na Grã-Bretanha. Pacientes que jogaram erraram menos em testes.

Aplicativo do jogo 'Wizard' foi testado na Universidade de Cambridge em pacientes com esquizofrenia

Um jogo de "treino cerebral" para dispositivos eletrônicos desenvolvido na Grã Bretanha pode melhorar a memória de pacientes com esquizofrenia, ajudando-os em suas vidas cotidianas em casa e no trabalho, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (3).
Cientistas da Universidade de Cambridge disseram que testes feitos com um pequeno número de pacientes que jogaram o game por quatro semanas descobriram que tiveram melhorias na memória e no aprendizado.
O jogo, "Wizard", é desenhado para ajudar a chamada memória episódica - o tipo de memória necessária para lembrar onde você deixou suas chaves algumas horas atrás, ou para lembrar algumas horas depois onde você estacionou seu carro em um estacionamento com muitos andares.
Este estudo, publicado no periódico "Philosophical Transactions of the Royal Society B", descobriu que 22 pacientes que jogaram o jogo da memória incorreram significativamente em menos erros para tentar lembrar a localização de diferentes testes de padrões específicos.
"Precisamos de uma maneira de tratar os sintomas cognitivos da esquizofrenia, como problemas com a memória episódica, mas o progresso em desenvolver um tratamento com medicamentos tem sido lento", disse Barbara Sahakian do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge.
"Este estudo de prova de conceito... demonstra que o jogo da memória ajuda onde as drogas falharam até então. E porque o jogo é interessante, até mesmo os pacientes com falta de motivação são estimulados a continuar o treinamento", afirmou.
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