Quando a internet se torna um problema.

O mundo das tecnologias é mesmo muito convidativo, benéfico e transformador, mas pode se tornar um universo raso, de muitas interações e pouca profundidade e também palco de fuga ou idealizações.


O uso abusivo da internet tem feito com que a vida real e os hábitos se modifiquem. Em função disso, as pessoas também estão vivendo vidas paralelas: uma real e uma virtual. Através da internet, elas adicionam novos amigos, namoram, compram, trabalham, ganham dinheiro, pesquisam, estudam. O problema é que muitos agem esquecendo do mundo real, estabelecendo suas relações apenas no mundo virtual ou como se tivessem de fato duas personalidades, o que na verdade é uma ilusão.
Sabe-se hoje que o mecanismo do prazer vivenciado através de redes sociais estimula uma determinada área do cérebro conhecida como córtex cerebral e ativa um sistema de recompensa equivalente a se alimentar, dormir, praticar sexo, ganhar dinheiro etc. O uso abusivo destas tecnologias ativa o mesmo sistema neurobiológico estimulado no consumo de álcool e drogas, liberando no corpo substancias como dopamina que geram uma sensação de prazer.
Entretanto, na prática, o usuário abusivo começa a lentamente substituir as relações na vida real pelo mundo virtual e passa a ter um comportamento repetitivo em busca das mesmas sensações de prazer vivenciadas anteriormente.
Só que não é tão simples assim, pesquisas indicam que mais da metade dos usuários ativos de redes sociais se consideram mais infelizes do que os seus amigos virtuais, pois substituem as relações na vida real pelo mundo virtual e vivem uma história editada que não conseguem sustentar no dia a dia. No Facebook e Instagram, não existe crise financeira nem problemas conjugais, todos tem dinheiro, o emprego dos sonhos, o casamento perfeito, viagens maravilhosas etc.
Precisamos silenciar um pouco e usar o virtual em prol do real. Usar sim a tecnologia, mas resgatar o seu propósito original de nutrir as relações humanas, encurtar distâncias e otimizar o tempo.