Só um lembrete: não há NADA de errado em fazer terapia

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Terapia” costuma ser considerada uma palavra de mau gosto, vista como uma admissão de que a pessoa não está 100% normal. Mas eis a realidade: não há absolutamente nada errado em querer ajuda ou precisar de ajuda.



Saúde mental é algo que muita gente ainda não entende (na verdade, somente 25% das pessoas com doenças mentais acham que os outros sentem compaixão por elas). O termo “bipolar” é mencionado casualmente quando a pessoa não consegue se decidir sobre o penteado. Outros dizem ter TOC quando sentem a necessidade de organizar suas mesas. A doença mental é considerada uma coisa que “está só dentro da sua cabeça”, e você deveria ser capaz de lidar com ela sozinho.

Esse pouco caso com doenças mentais não é só uma questão social. Pesquisa da Associação para Ciência Psicológica sugere que o estigma das doenças mentais é uma barreira que impede as pessoas de buscar tratamento adequado. Ou seja, quanto mais o estereótipo é perpetuado, menos provável que as pessoas busquem ajuda quando precisam. Se você vai ao médico por causa de um problema físico, por que não ir a um psicólogo ou psiquiatra para cuidar de uma questão emocional?

Muita gente acredita que terapia é para quem não funciona direito, mas isso não é verdade. “A maioria das pessoas que busca aconselhamento não tem doença mental séria. Eles estão enfrentando desafios difíceis na vida ou estão passando por transições complicadas”, escreve a psicóloga clínica Dana Gionta no blog Psychology Today. “Isso, por sua vez, pode ter efeito adverso em seu bem-estar e sua capacidade de funcionar direito.”

Outro equívoco comum é que, uma vez iniciada a terapia, você vai ficar preso nela para sempre. Essa ideia reforça o estigma e pode impedir que muita gente dê uma chance ao tratamento, diz Gregory Dalack, responsável pelo departamento de psiquiatria da Universidade de Michigan.

“Certas pessoas acham que terapia sempre se trata de desbravar a história pessoal e falar e falar e falar, sem obter soluções para seus problemas”, disse Dalack ao The Huffington Post. “Embora algumas terapias sejam de longo prazo, outras podem ser focadas, com o objetivo de ajudar a lidar com um problema distinto, em um período relativamente curto.”
Às vezes as circunstâncias da vida atrapalham nosso bem-estar. Estresse no trabalho, problemas no relacionamento, conflitos familiares... tudo isso acontece em nossas vidas – e todas são razões válidas para procurar ajuda.

“Falar de seus problemas pode ajudar. Dá perspectiva”, diz Dalack. “Conversar com alguém especializado em entender ansiedade e depressão pode ajudar ainda mais a lidar com esses sintomas e a reenquadrar os pensamentos negativos.”





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A importância dos amigos (verdadeiros)

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Com a moda de chamarmos de “amigos” os contatos nas redes sociais, corremos o risco de esquecer o significado original – e profundo – da amizade. Quem tem amigos adoece menos, vive mais e é mais feliz. Mas só alcança tudo quem não espera nada da amizade.


Amigos. Com a tendência de chamarmos de amigos os contatos que temos nas redes sociais, sinto que estamos aos poucos esvaziando a força original desse conceito. Não, eu não sou saudosista nem tecnofóbico. Só acho que a amizade é algo valioso demais para esquecermos do que se trata de verdade.
Desde Aristóteles até as modernas observações sociológicas, sabemos que existem diferentes tipos e níveis de amizade. Na infância predominam o que o filósofo grego chamou de amizades por prazer – dizemos que são nossos amigos aqueles com quem simplesmente gostamos de estar. Claro que esse elemento prazeroso permanece ao longo da vida, mas sua característica volúvel não permite que as relações baseadas nele sejam profundas. Na outra ponta da vida, também referendado por estudos atuais, está a amizade por interesse, quando nossos relacionamentos passam a suprir capacidades que perdemos com a idade. Essa reciprocidade complementar também é presente em todas as fases, mas não é fortes o suficiente para criar a amizade verdadeira. Essa é a amizade segundo a virtude, na qual os amigos se amam pelo que são, desejam o melhor para o outro sem esperar nada em troca. Ela nasce do conhecimento mútuo, da identificação, da interação repetida. Infelizmente, a ausência pode afastar mesmo amigos de verdade. Por isso o facebook não produz – por si só – amigos. Ele pode até ser uma ferramenta útil na manutenção dos relacionamentos, mas não é suficiente.
Por muito tempo eu não entendi isso. Apesar das ligações afetivas importantes que criei durante a vida, achava que a amizade era uma espécie de feliz acaso: encontrei pessoas com quem me dei bem, compartilhei ideias, me aproximei. Pronto, tenho amigos. Mas não é assim. Como qualquer relacionamento, há que se cuidar das amizades para que elas permaneçam. Criar oportunidades para que encontros informais ocorram. Dividir tristezas, alegrias e preocupações. Pedir e oferecer ajuda. Discutir, perdoar. Por isso vai ficando mais difícil fazer amigos conforme envelhecemos – temos menos tempo, menos oportunidades. Mas também é aí que as amizades antigas se solidificam – ficamos mais seletivos.
O grande paradoxo é que quando consideramos a amizade como um fim em si mesmo, sem esperar nada em troca, que seus benefícios aparecem. Hoje em dia ninguém mais questiona o profundo impacto que a amizade tem na saúde, por exemplo. Quem tem amigos é mais feliz, adoece menos, vive mais tempo. Não se sabe ao certo porque. Uma teoria diz que a rede social ampla aumenta nosso capital social, nos fornecendo mais acesso a recursos de forma geral. Outra acha que a presença de amigos nos torna mais autodeterminados, o que nos influencia a ter atitudes mais saudáveis. E há ainda o benefício do afeto em si, que promove o bem estar e afasta a solidão – fonte conhecida de estresse e, consequentemente, desgaste do organismo.
Esses dados podem ser relevantes para o poder público ao mostrar a importância de criar centros de vivência, facilitar a vida de clubes, igrejas, cursos comunitários ou outras formas de associação que fomentem amizades. Mas individualmente não importam tanto. Afinal, a amizade verdadeira existe por si mesma. Mas – não nos esqueçamos – depende de nosso investimento para continuar a existir.
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Dormir é necessário para lembrar o importante e esquecer o inútil

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Dormir é necessário para produzir memórias duradouras. Um século de estudo sobre o tema já deixou isso claro. No entanto, não se sabe bem como funciona esse mecanismo. No início, acreditava-se que a função do sono era passiva, desligando os sentidos para que os estímulos externos não interferissem na formação das lembranças. Nos últimos anos, porém, descobriu-se que durante as horas na cama se desenvolvem processos que fixam as memórias.


Quanto ao mecanismo, as teorias às vezes se contrapõem. Uma delas diz que o sono debilita parte das sinapses, as conexões entre células nervosas que ajudam a conservar as lembranças. Nesse sentido, um estudo recente sustenta que esquecer o desnecessário é fundamental para lembrar o importante, como às vezes é preciso jogar fora muitos papéis para conseguir encontrar com mais facilidade os documentos relevantes. Dormir serviria, segundo esta hipótese, para esquecer quase tudo, deixando apenas as memórias fixadas nas sinapses mais fortes.
Uma hipótese alternativa propõe um processo combinado no qual algumas conexões se enfraquecem e outras se reforçam, estas últimas por meio do que se conhece como potenciação de longo prazo (LTP), uma intensificação duradoura dos sinais entre dois neurônios produzida quando ambos são estimuladas ao mesmo tempo.
Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Brasil, estudou as duas hipóteses medindo em ratos os níveis de uma proteína relacionada com a potenciação de longo prazo durante o sono. Depois, utilizaram esses dados para construir modelos em computador para observar como se formam as conexões entre neurônios durante o repouso.
Seus resultados, publicados esta semana na revista Plos Computational Biology, sugerem que a LTP não só reforça algumas dessas conexões durante o sono como também as reorganiza, favorecendo o surgimento de novas memórias. Segundo os autores, esse mecanismo mostra que as duas teorias sobre o papel do sono na formação de memórias de longo prazo não são excludentes, mas correspondem a diferentes etapas da consolidação das memórias.
Um ciclo completo de sono, de mais de 90 minutos, ajuda a fortalecer memórias adquiridas recentemente
“O estudo indica que ciclos completos de sono, incluindo a fase REM, desencadeiam a potenciação de longo prazo durante o sono, produzindo a reestruturação e o fortalecimento de memórias duradouras”, afirma Sidarta Ribeiro, pesquisador da UFRN e coautor do artigo. Este tipo de resultados corrobora a ideia de que “sestas acima de 90 minutos de um ciclo completo de sono seriam a melhor opção”, segundo Ribeiro, para fortalecer as memórias recém-adquiridas. Diante da ideia de criar um medicamento que produza benefícios semelhantes ao sono, o cientista reconhece que, apesar de algumas proteínas essenciais ao processo de consolidação das memórias terem sido identificadas, “não está claro como aumentar esses níveis”.
Outros trabalhos com ratos mostraram que durante o sono são produzidas mudanças físicas relacionadas à formação de memórias. Uma equipe liderada por Wen-Biao Gan, da Universidade de Nova York, publicou há pouco tempo na revista Science como o aprendizado de uma nova tarefa, caso o animal durma em seguida, leva à formação de novos espinhos dendríticos, estruturas nos extremos dos neurônios que permitem a transmissão de sinais elétricos entre eles. Quando os ratos não dormiam, as estruturas associadas ao aprendizado não se formavam.
Muitas pesquisas tentam agora dirimir as dúvidas quanto ao papel de cada fase do sono, desde o REM, no qual sonhamos com mais intensidade, até a mais profunda, na formação de memórias e, em geral, no aprendizado. No entanto, existe um consenso de que, enquanto dormimos, em nosso cérebro acontecem muitas coisas importantes e que o sono não é, de forma alguma, um tempo perdido.

A falta de sono favorece a aparição de falsas lembranças

Além de mostrar a importância do sono na aprendizagem e na formação de lembranças, os cientistas observaram também que não dormir não só prejudica a memória como também favorece a aparição de recordações falsas. Em um estudo publicado na revista Psychological Science, um grupo de pesquisadores dos EUA perguntou a um grupo de 193 participantes quais eram suas lembranças sobre as imagens do voo 93 da United Airlines que caiu na Pensilvânia durante os atentados de 11 de setembro. Apesar de não haver imagens do acidente, os 54% de participantes do estudo que reconheceram ter dormido menos de cinco horas na noite anterior ao ocorrido garantiram tê-las visto. Entre os que tinham dormido mais, apenas 33% tinham essas falsas lembranças.
Em uma continuação da experiência, os pesquisadores pediram aos voluntários que escrevessem um diário com as horas que tinham dormido e outras características sobre a qualidade de seu sono durante uma semana. Depois desse tempo, imagens sobre um crime foram mostradas a eles. Em seguida, foi lido um relato dos fatos que incluía detalhes falsos. Finalmente, observou-se que os 18% dos participantes do estudo que tinham dormido menos de cinco horas incorporaram detalhes falsos, enquanto entre os que tinham descansado bem, apenas 13% o fizeram.
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Um psicólogo só será bom no que faz quando…

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Trabalhar com o que realmente se acredita, além de um ato de amor, é um ato de coragem. A humanidade passa por um momento cada vez mais voltado para a desumanização das relações. O  resultado disso é facilmente visível pela presença de números nunca antes vistos de transtornos mentais.
O profissional da psicologia, ciente da juventude de sua profissão, precisará cada vez mais ser capaz de dar grandes passos no que se refere a sua capacitação técnica, limitações pessoais e reais objetivos dentro de sua área de atuação.
Abaixo listo 8 tópicos que considero complexos quando saem da explanação teórica e são levados à pratica profissional. Convido-os para refletir comigo sobre eles.

1. Entender que, por mais conhecimento ou experiência que tenha acumulado, o ato de ouvir deve vir antes do falar

Seja na área clínica, em recursos humanos, na universidade ou onde o quer que o profissional trabalhe, ele só será capaz de fazer uma boa avaliação situacional, avaliação psicológica ou mesmo ensinar algo a alguém se, antes de classificar, avaliar uma situação, repassar regras ou executar protocolos, for capaz de ouvir e, a partir disso, compreender o verdadeiro contexto em que está inserido. Quem chega com teorias e diagnósticos pré-concebidos fica cego para o novo, e, ao invés de entender a realidade, passa seu tempo classificando algo ou alguém segundo conceitos fixos e pouco flexíveis.

2. For capaz de acreditar, antes de julgar

Quem trabalha na área clínica, por exemplo, sabe bem que um diagnóstico coerente só é feito após diversas sessões e, mesmo assim, ainda é passível de falha. Nesse processo, por mais que algumas características pareçam claras, um psicólogo profissionalmente maduro deve saber que sua avaliação deve passar pelo crivo da dúvida (é para esses momentos que usamos o termo hipótese diagnóstica). Durante esse processo de escuta atenda é que as informações relevantes farão mais sentido e, aos poucos, trarão as peças históricas que permitirão uma avaliação rica e verdadeira.

3. Ah, a vaidade humana…

A maioria dos especialistas, seja de qual profissão for, corre o grande risco de sucumbir à vaidade e proteger seus erros e inseguranças por detrás de uma atitude arrogante. Outro dia, por exemplo, enviei um artigo para uma página grande do facebook e o dono, psicólogo, não o aprovou, pois o título Pessoas como o meu filho conseguem manipular psicólogos com facilidade poderia soar agressivo aos colegas da área. E aí questiono, poderia soar agressivo a quem? No caso do texto supracitado a frase usada como título foi proveniente de uma mãe que, ao longo da vida, passou com seu filho por dezenas de psicólogos que não conseguiram avaliar corretamente o caso de sociopatia de seu filho.

4. Não definir o ser humano com quem trabalha através de um código de classificação de doenças.

Atitude comum na área de psiquiatria, esse ato desumaniza a pessoa atendida, classifica-a em um conjunto de sintomas previstos e afeta significativamente a possibilidade dos vínculos necessários durante a atividade profissional.

5. For capaz de separar sua vida pessoal de seu papel profissional

Psicólogo no trabalho não é psicólogo de amigo ou de familiares. Misturar esses papeis tende a, ao contrário de ajudar, estremecer vínculos, pois coloca o profissional em uma condição de falsa supremacia em relação aos seus. É claro que um conselho pode ser útil, uma vez que pode conter um saber técnico específico, mas o melhor conselho mesmo, sempre será a orientação de que a pessoa querida que precise de um psicólogo, seja encaminhada para alguém fora de casa.

6. Perceber-se falho e capaz de errar

Um dos meus autores preferidos, Malcom Gladwell, fala em um dos seus best sellers “Outliers” que um profissional só alcança a verdadeira capacidade de expert em um assunto após aproximadamente10 mil horas de trabalho prático.
Ou seja, antes disso (ou mesmo depois, embora com menor margem de erro), o profissional terá que ter muita humildade, pois certamente será seduzido por pessoas com sintomas histriônicos ou terá a certeza que alguém falava a verdade, e só depois descobrirá que estava lidando com um verdadeiro caso de sociopatia- isso só para citar dois exemplos clínicos. E, comento por experiência e reitero o exemplo da mãe do tópico anterior, infelizmente poucos profissionais da área de psicologia são capazes de um diagnóstico claro de sociopatia.

7. Ter consciência de que um tratamento eficaz sempre será mais bem sucedido com a parceria de outros profissionais em um trabalho interdisciplinar

Sejam fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais ou mesmo médicos e medicações específicas, quando necessário. A pessoa que tem acesso a um tratamento multidisciplinar sempre será avaliada e estimulada de maneira mais completa. O trabalho de equipe, quando possível em clínicas e empresas, também ampliará a visão de todos os profissionais envolvidos.

8. Não se sentir ofendido por esse texto

A pessoa precisa concordar com tudo o que foi escrito? Claro que não. Os exemplos citados são reflexões e creio que a essa lista ainda poderiam ser acrescentadas diversas situações.
E você, está pronto para ser um psicólogo profissionalmente maduro?

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O que acontece quando um psicopata se apaixona.

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Nós todos sabemos qual o estereótipo de um psicopata. (Pense em “Criminal Minds”). Ele é um homem, geralmente em seus 20 ou 30 anos, compelido pela frieza e falta de remorso a cometer atos sádicos, incluindo o assassinato. Mesmo o perfil excelente de psicopatia fornecido por Jon Ronson se concentra quase que exclusivamente em homens que se enquadram na definição clínica do transtorno de personalidade psicopática. Mas a psicopatia é realmente um transtorno gênero-específico, afetando mais homens do mulheres? Psicopatas são realmente incapazes de sentir emoções fortes? De ter empatia e capacidade de se relacionar profundamente com os outros? Pesquisas recentes oferecem novos detalhes sobre indivíduos com desordem de personalidade psicopática, incluindo o que é se apaixonar por um.


O advogado Edu, interpretado por Bruno Gagliasso,um psicopata e serial killer.

A psicopatia assume muitas formas, inclui uma variedade subliminar na qual as pessoas com alta pontuação em testes de personalidade que medem tendências e comportamentos psicopatas são incluídas. Quando examinados como uma dimensão contínua em que as pessoas podem receber classificações variadas, podemos ver como o as tendências psicopatas de uma pessoa se relaciona com as outras facetas da psique e as relações do indivíduo.
Não há razão para se pensar que os psicopatas subliminares teriam dificuldades em seus relacionamentos íntimos. Como observado pela Universidade de Laval (Quebec) em um estudo científico liderado pela psicóloga Claudia Savard em 2015, criminosos em geral suguem um estilo de ´´insegurança ao apego´´ e se evadem das relações porque acham difícil estabelecer relações íntimas com os outros. Indivíduos que se enquadram nos critérios de transtorno de personalidade psicopática – independente de terem cometido crimes ou não – apresentam comportamentos de esquiva ao apego, sendo incapazes de formar relacionamentos íntimos. Desapego emocional e falta de empatia são dois indicadores-chaves do transtorno de personalidade psicopática.
Pessoas com alta pontuação de psicopatia podem formar relacionamentos românticos, podem se casar ou estabelecerem um vínculo de comprometimento. Mas o tal relacionamento, no entanto, não pode ser baseado numa intimidade psicológica, no sentido tradicional do termo. Em vez disso, se assemelham ao estilo “Bonnie e Clyde”. Um casal pode iniciar o relacionamento baseado em uma espécie de ponto de vista compartilhado sobre o mundo, em que ambos tentam obter o máximo dos outros quanto for possível. A falta de empatia e capacidade de expressar emoções profundas pode conduzi-los, se não para um fim violento, à dissolução com base em padrões cada vez mais destrutivos de interação um com o outro.
No entanto, até mesmo esses casais, um tanto mal-fadados, podem desenvolver um resultado mais positivo se o mais saudável dos dois parceiros conseguir influenciar o outro. Ao longo do tempo eles podem formar uma ligação íntima que permitirá que ambos se tornem mais confiantes e capazes de verem as coisas do ponto de vista do outro.
Para descobrir como a psicopatia e o estilo de apego podem evoluir ao longo do tempo, Savard e seus co-autores adotaram uma nova abordagem no acompanhamento de uma amostra de casais casados ​​por um período de um ano. Isto permitiu que a equipe de pesquisadores conseguisse examinar a influência de um parceiro sobre o outro ao longo do tempo. A amostragem foi composta por 140 casais, juntos por uma média de 7 anos, com idades entre 18-35 anos.
Os participantes preencheram os questionários em separado, classificando-se em escalas destinadas a medir as suas tendências psicopatas de ausência de empatia e manipulação (psicopatia “primária”), e seu grau de envolvimento em comportamentos anti-sociais (psicopatia “secundária”). Eles também avaliaram o seu estilo de apego em uma dimensão de ansiedade (medo de abandono) e evitação (incapacidade de chegar perto dos outros).
O fato de que os participantes classificaram-se entre os dois momentos de teste permitiu que a equipe de Savard examinasse o efeito, ao longo do tempo, da influência de um dos parceiros sobre os escores do outro parceiro. Todos os casais eram heterossexuais, e o design do estudo permitiu aos pesquisadores examinar os efeitos do parceiro masculino em sua mulher, e vice-versa. Isso se traduziu na possibilidade de vislumbrar a influência do ator em sua parceira, bem como o inverso: a influência da mulher (agora atriz) sobre o homem (agora o parceiro na análise).
Entre uma série de outras conclusões, a análise dos resultados revelou que, independentemente se você for do sexo masculino ou feminino, se a sua personalidade for problemática (ou seja, se você tiver uma classificação alta de psicopatia) a sua capacidade de se relacionar intimamente com a outra pessoa está permanentemente comprometida se você for o parceiro dominante da relação.
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Algumas pessoas realmente são piores em lembrar nomes?

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Há uma razão muito simples para os nomes de pessoas que você acabou de conhecer simplesmente fugirem da sua cabeça momentos depois: nomes são meio sem propósito. Especialistas dizem que quanto mais caminhos até uma memória você tem, mais fácil é recuperar essa memória, e isso muitas vezes simplesmente não acontece naturalmente com nomes.
Por exemplo, mesmo detalhes aparentemente tão mínimos como o que você estava vestindo em um determinado dia ou como estava o tempo podem tornar mais fácil lembrar outros eventos que ocorreram naquele dia, como os assuntos de uma conversa que você teve com um amigo. Mas os nomes, por outro lado, geralmente não dão ao seu cérebro muita informação para guardar além da palavra em si.
É claro que a escolha de como batizar uma pessoa pede envolver muita história familiar ou um grande significado sentimental, mas quando você conhece alguém em uma festa, não há nenhuma razão facilmente perceptível de por que esse cara deve ser chamado de João e aquele cara deve ser chamado de José. Os nomes são completamente arbitrários e não contém informação específica alguma. Se seu cérebro não consegue fazer conexões entre vários pedaços de informação, você está mais propenso a esquecer essa informação.

Lembrança por associação

Por outro lado, é muito mais fácil lembrar a ocupação de uma pessoa, um fenômeno que os especialistas chamam de efeito Baker-baker. Em inglês, Baker pode ser um nome próprio, mas também é como se diz “padeiro”. Então, seria mais mais fácil lembrar que alguém é um padeiro – talvez porque você tenha formado uma imagem mental de seu novo conhecido em uma cozinha, coberto de farinha – do que lembrar que o seu sobrenome é Baker.
Em um estudo realizado por Lori E. James, professora do Departamento de Psicologia da Universidade do Colorado (EUA), primeiro foram mostradas aos participantes fotos de estranhos, incluindo algumas informações como o nome e a ocupação da pessoa, e, algum tempo depois, foi pedido que recordassem as informações, quando viram as imagens novamente. A maioria dos voluntários do estudo acertou o emprego das pessoas, mas teve dificuldades com os nomes.

Dicas

Especialistas de memória dão algumas dicas para combater esta peculiaridade psicológica irritante e muitas vezes embaraçosa. Você pode tentar repetir o nome da pessoa várias vezes depois de terem sido apresentados (tomando o devido cuidado para não parecer um maníaco), ou inventar associações entre o nome e alguma outra informação – se seu nome é Leda, imagine-a com uma blusa de seda, por exemplo.
Outro estudo recente sobre o assunto, de pesquisadores da Universidade Estadual do Colorado, sugere que a maioria das pessoas são excessivamente confiantes quando respondem à pergunta de quão bem conseguem se lembrar de novos nomes. Porém, quando percebem que não são tão bons como gostariam de pensar que são, consequentemente passam mais tempo tentando conscientemente reter nomes na memória e isso parece melhorar a sua capacidade de recordar novos nomes. Ou seja, há momentos em que é melhor simplesmente admitir a derrota.

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Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

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Quanto tempo ainda vamos perder?




A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”
Ah, Drummond.
Ele sempre foi minha grande paixão. Mas essa frase… Essa frase é especial. Foi a frase que minha amiga amada pediu para pintarem na parede do seu quarto quando começou a quimioterapia. E ela viveu todos seus dias intensamente, com um sorriso no rosto, pedindo pra ficar mais um pouco.
Até que um dia ela se foi. E eu, aos 18 anos, me prometi que viveria por mim e por ela. Que não teria medo de arriscar e que nunca faria da minha vida um mero encadeamento de dias. Estou tentando.
Então, diariamente, uma pergunta martela na minha cabeça: quanto tempo perdemos?  E quanto tempo ainda vamos perder?
Porque me falta tempo; porque acordo cedo amanhã; porque tô com enxaqueca; porque tô de dieta. Com excesso de zelo, excesso de cautela, excesso de fé na ideia de que sempre pode ficar para amanhã.
Chega, vai. A vida é só uma e a vida passa correndo. Quando a gente vê, já passaram as chances e tudo o que sobra na cabeça é um triste e fosco rol de hipóteses não tentadas e de riscos não corridos.
E essa conversa não é necessariamente sobre projetos grandiosos. É simplesmente sobre sopros de liberdade. Sobre uma vida mais feliz por ter menos regras intransponíveis.
É sobre pegar um cinema sozinho, de preferência numa terça-feira.
Sobre comprar uma passagem poucas horas antes do voo. E ir só com a roupa do corpo.
Sobre voltar da padaria com um sonho pro porteiro do prédio.
Sobre ir de pijama à garagem buscar aquele negócio que ficou no carro.
Sobre entrar no elevador com a toalha de banho enrolada na cabeça
Sobre comer jiló, javali, jaca, jacaré.
Sobre pedir desculpas por um erro de 2002.
Sobre pegar insetos nas mãos.
Sobre ligar, dizer que sente falta, que sente muito, que sente que pode ser agora.
Sobre comprar aquela peça de roupa que você sempre namorou, mas que acha inadequada para a sua idade ou para o seu tipo físico.
Sobre fazer caretas para as crianças da perua escolar no trânsito.
Sobre parar num bar e tomar uma, duas, três cervejas só na sua companhia, em horários inadequados.
Sobre deitar na cama, dormir de roupa, sem escovar os dentes.
Sobre finalmente mandar pessoas tóxicas à merda.
Sobre cortar curtinho, pular do alto, nadar no fundo.
Sobre um belo dia resolver mudar e fazer tudo o que se quer fazer, se libertando daquela vida vulgar que a Rita Lee cantou.
Sobre não se render mais um dia à tal prudência egoísta que nada arrisca de Drummond.
Porque é fácil levar uma vida banal e queixar-se a respeito dela. Mas será que quando a vida não é fantástica, a culpa é do destino ou a culpa é nossa?
Eu não sei se a vida é curta, mas sei que essa vida é uma só. E que o tempo não volta.
A gente tem que fazer o que tem que ser feito.
Pode ser hoje. Façamos ser hoje.

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Você sabe o que é um misógino? Conheça as características que são típicas do misógino.

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Os misóginos. Você já deve ter ouvido falar deles. Mas o que você pode não ter percebido é que eles podem estar bem próximos de você. Eles são bem difíceis de detectar, não vêm com uma etiqueta presa e podem até parecer pró-mulheres.



Na maioria dos casos, misóginos nem sequer sabem que odeiam mulheres. A misoginia é tipicamente um ódio inconsciente que alguns homens formam no início da vida, muitas vezes como resultado de um trauma envolvendo uma figura feminina que confiavam. Uma mãe, irmã, professora ou namorada abusiva ou negligente pode plantar uma semente e dar início à formação de uma crença.

Uma vez plantada, esta semente vai germinar e crescer, a pequena raiz vai expandir seu caminho para as áreas de processamento do medo e da memória, afetando as emoções e a tomada de decisão racional.

Os primeiros sinais de misoginia são quase imperceptíveis, mas com a constante exposição à negligência, abuso ou falta de tratamento, esta semeadura comportamental vai crescer e se tornar cada vez mais proeminente. Mas mesmo quando a misoginia atinge a maturidade, e a tendência odiar mulheres já não pode mais ser controlada, o misógino e as mulheres à sua volta, muitas vezes, não conseguem perceber a condição até que seja tarde demais.

As seguintes características são típicas do misógino:
  • Ele vai fazer promessas e, muitas vezes, não irá cumprir. Com os homens, por outro lado, ele quase sempre manterá sua palavra.
  • Ele vai se atrasar para compromissos e datas especiais com mulheres, mas será muito pontual com os homens.
  • Seu comportamento em relação às mulheres, em geral, é arrogante, controlador e auto-centrado.
  • Ele é extremamente competitivo, especialmente com as mulheres. Se uma mulher faz algo melhor do que ele, socialmente ou profissionalmente, ele se sente terrível. Se um homem faz algo melhor, ele pode ter sentimentos mistos sobre isso, mas será capaz de olhar para a situação objetivamente.
  • Ele não consegue tratar as mulheres de forma diferente dos homens em locais de trabalho e ambientes sociais, permitindo que os homens tomem liberdades para os quais ele não vai dar para mulheres.
  • Ele está preparado (inconscientemente) para usar qualquer coisa em seu poder que possa fazer as mulheres se sentirem mal.
  • Ele pode exigir sexo ou negar sexo em seus relacionamentos, fazer piadas sobre mulheres ou colocá-las para baixo em público, roubar suas idéias em contextos profissionais sem dar-lhes o crédito, ou pedir dinheiro emprestado para elas e não pagar de volta.
  • Ele vai tratar as mulheres da maneira oposta de como elas gostam de ser tratadas. Se ela for uma senhora de estilo antigo, que prefere um “gentleman” que abre a porta para ela, pede para ambos e paga a refeição, ele irá tratá-la como um de seus amigos do sexo masculino: pede apenas para si mesmo e deixa para ela pagar por toda a refeição se ela se oferecer (e, por vezes, mesmo que ela não se ofereça). Se ela for um tipo mais independente, que prefere pedir sua própria refeição e pagar sua conta, ele grosseiramente vai pagar enquanto ela vai ao banheiro.
  • Sexualmente, ele gosta de controlar as mulheres e dá pouca ou nenhuma atenção para o seu prazer sexual. Se ocorrer preliminares, será apenas um meio necessário para atingir um fim. Ele gosta de sexo oral, mas apenas como um destinatário. Suas posições favoritas são aquelas que evitam o contato visual com a mulher.
  • Ele vai enganar a mulher com quem está namorando, ou em um relacionamento com ele. A monogamia é a última coisa que ele sente que deve a uma mulher.
  • Ele pode desaparecer de repente, partir de um relacionamento sem acabar com ele, mas pode voltar alguns meses mais tarde com uma explicação planejada para conquistar a mulher de volta.

É raro que um misógino possua cada uma dessas características, o que torna mais difícil de identificá-los. A sua capacidade de atrair as mulheres com seu charme e carisma aumenta ainda mais a dificuldade de detectar os sinais de alerta precocemente.

Os odiadores (inconscientes) de mulheres conseguem disfarçar ainda melhor os seus maus tratos. Toda vez que eles falam mal das mulheres ou ferem seus sentimentos, eles inconscientemente se sentem bem, porque no fundo do seu cérebro, seu mau comportamento é recompensado com uma dose de dopamina, a substância do prazer, que os faz querer repetir o comportamento de novo e de novo .


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