Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

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Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firmecadre – que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.

Texto original : Psychology Today
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SAÚDE MENTAL, uma sábia reflexão.

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Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.
Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maikóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.
Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!), ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, que tenha a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa…
Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idiotas de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. É claro que nenhuma mamãe consciente quererá que o seu filho seja como Van Gogh ou Maiakóvski. O desejável é que seja executivo de grande empresa, na pior das hipóteses funcionário do Banco do Brasil ou da CPFL. Preferível ser elefante ou tartaruga a ser borboleta ou condor. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego. Mas nunca ouvi falar de político que tivesse stress ou depressão, com exceção do Suplicy. Andam sempre fortes e certos de si mesmos, em passeatas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.
Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas se chama hardware, literalmente coisa dura e a outra se denomina software, coisa mole. A hardware é constituída por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. A software é constituída por entidades espirituais – símbolos, que formam os programas e são gravados nos disquetes.
Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos, o cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo espirituais, sendo que o programa mais importante é linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.
Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.
Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e acessórios, o software, tenha a capacidade de ouvir a música que ele toca, e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta, e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei, no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
A beleza pode fazer mal à saúde mental. Sábias, portanto, são as empresas estatais, que têm retratos dos governadores e presidentes espalhados por todos os lados: eles estão lá para exorcizar a beleza e para produzir o suave estado de insensibilidade necessário ao bom trabalho.
Dadas essas reflexões científicas sobre a saúde mental, vai aqui uma receita que, se seguida à risca, garantirá que ninguém será afetado pelas perturbações que afetaram os senhores que citei no início, evitando assim o triste fim que tiveram.
Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente perigosos. Já o roque pode ser tomado à vontade, sem contra indicações. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do Dr. Lair Ribeiro, por que arriscar-se a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. A saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente. Por isso que as pessoas de boa saúde mental têm sempre as mesmas ideias. Essa cotidiana ingestão do banal é condição necessária para a produção da dormência da inteligência ligada à saúde mental. E, aos domingos, não se esqueca do Sílvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, ao invés de ter o fim que tiveram os senhores que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já não mais saberá como eles eram.
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Alexitimia – A dificuldade de expressar emoções

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O que é Alexitimia?

Alexitimia é um termo que aglutina duas palavras gregas:
– λέξις (lexis, “fala”) e
– θυμός (thumos, alma, como a sede das emoções, pensamentos e sentimentos).
A última palavra, thumos ou timos está também na origem da palavra tímido, bem como da glândula timo. Bem, juntando os dois termos temos que alexitimia é:
a (não) lexis (fala) timo (da alma). Ou seja, a letra em A em alexitimia a é um prefixo de negação, enquanto que da junção de lexis com timo temos o não discurso sobre a alma.
Traduzindo, podemos definir:
Alexitimia é a incapacidade ou inabilidade de identificar e descrever as emoções. É como uma “cegueira emocional”. 

De certa forma, todos nós passamos por momentos em que temos essa dificuldade. Sabe quando alguém pergunta o que você está sentindo e você responde que está tudo bem, mas no fundo não sabe dizer direito o que está sentindo? Então, é exatamente isso.
A diferença é que o termo é utilizado para pessoas que tem a predominância dessa dificuldade. Quer dizer, os psicólogo utilizam a palavra alexitimia para se referir a um tipo de personalidade no qual a incapacidade de reconhecer e dizer sobre os próprios sentimentos é pervasiva ou constante.

História do uso do termo alexitimia

A palavra alexitimia começou a ser utilizada dentro da psicologia a partir dos trabalhos de Peter Sifneos (1973). Uma outra forma de dizer sobre o que é alexitimia é definindo o conceito como “ausência de palavras para as emoções”.
Existem testes psicológicos validados que conseguem medir o grau, como, por exemplo, os seguintes (todos em inglês):
– Toronto Alexithymia Scale (TAS-20)
– Bermond-Vorst Alexithymia Questionnaire (BVAQ)
– Online Alexithymia Questionnaire (OAQ-G2)
– Observer Alexithymia Scale (OAS).
É importante salientar que a alexitimia não é considerada um transtorno mental per se.  Ou seja, trata-se de uma característica de personalidade que pode estar presente em certos tipos de transtorno – e, inclusive, ser uma vulnerabilidade para o seu desenvolvimento. Outro aspecto é que a incapacidade de falar sobre o “universo interno” também influi nos tratamentos psicoterápicos que se baseiam na comunicação entre o paciente e o terapeuta.

Características da Alexitimia

A Alexithymia é definida por:
  1. dificuldade de identificar os sentimentos e distinguir entre estes e as sensações corporais;
  2. dificuldade de descrever o que se sente para outras pessoas;
  3. processos imaginais restritos, através da evidência da existência de poucas fantasias;
  4. um estilo cognitivo ligado apenas a estímulos externos.
Alguns pesquisadores como o psicólogo Michael Bagby e o psiquiatra Graeme J. Taylor argumentam que a alexitimia deve ser relacionada com a capacidade de auto-observação do indivíduo (mindedness).
A auto-observação (sem um termo melhor para mindedness) deve ser entendida como  a habilidade de uma pessoa de observar e refletir sobre o seu mundo interno. Na medida em que a mindedness é o oposto da alexitimia, vamos ver as características da primeira para expandir o nosso conhecimento da segunda:

Características da Auto-observação (mindedness)

Capacidade de refletir (isto é observar e experienciar ao mesmo tempo) um amplo espectro dos próprios sentimentos e experiências (incluindo variações sutis nas emoções). Se refere tanto ao presente como ao tempo mais remoto e inclui conceitos sobre si, valores e objetivos. Pode refletir as múltiplas relações entre sentimentos e experiências de acordo com o que é esperado pela idade.

Conclusão
Enquanto escrevia o texto, me lembrei da perspectiva da psicologia comportamental sobre as emoções e os sentimentos. Assim como acontece em outras áreas relacionadas à aprendizagem, depois de um tempo acabamos não nos lembrando aonde e como aprendemos. O mesmo se dá com a capacidade de descrever os próprios sentimentos.
Explico melhor: quando crianças, através do contato com as outras pessoas e da comunicação com elas, vamos aprendendo a distinguir o que estamos sentindo. Se estamos com o rosto triste, podemos ouvir de alguém: “por que você está triste?” E, portanto, vamos ligando o estímulo verbal “triste” com o o que estamos sentindo. Processo idêntico ocorre com os outros sentimentos.
Porém, também conseguimos imaginar pessoas que não passaram por este tipo de processo de aprendizagem de discriminar e descrever as emoções. Me lembro de um colega da faculdade que sempre respondia que “estava estável”. Até que ponto ele estava estável o tempo todo e até que ponto ele não sabia reconhecer os seus altos e baixos emocionais?
Evidentemente, a resposta só pode ser dada com uma avaliação – que não foi feita. Mas este pequeno exemplo nos mostra como nem sempre a estabilidade relatada é uma estabilidade real. Muitas vezes o que acontece de verdade é o não-dizer ou, talvez, a dificuldade de dizer e responder (sinceramente ou conseguir acessar) os sentimentos.

Fonte: Aqui ó
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Seja Gentil com você mesmo.

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"Seja gentil com você mesmo. Aprenda a se amar, a perdoar a si mesmo, pois só quando temos uma atitude correta com nós mesmos é que podemos ter a atitude correta com os outros."  Wilfred Peterson


Você já parou para pensar por que é tão difícil ser gentil com você mesmo? Por que nos cobramos tanto? Porque fazemos mais pelo outro do que por você mesmo?
Tá lá na Bíblia: “Ame o próximo como a ti mesmo.”. A ordem é clara, precisamos nos amar primeiro para depois amar o próximo. Pare e pense um pouco: o que aconteceria dentro de você se por um tempo começasse a focar mais seu potencial em vez de se sabotar? O que aconteceria se prestasse atenção em suas capacidades, aptidões e acertos e deixasse de lado aqueles “erros” de seu caráter que até hoje o limitam?
 Comece a viagem de se conhecer lentamente, como se estivesse andando de mãos dadas com uma criança pequena. Não se apresse. Não se cobre muito.  Você não pode tentar mudar seus pensamentos e atitudes de uma forma cruel, sem paciência. Seja cuidadoso e gentil consigo mesmo da mesma forma que você seria com uma criança.
Você não conseguirá ser gentil e bondoso consigo mesmo se você não se aceitar em primeiro lugar. Aos poucos silencie aquela voz interior que tenta te denegrir e te destruir. Olha só até onde você já chegou! Dê algum valor as suas conquistas! Você é o seu melhor amigo, por isto seja gentil com você mesmo. Aqui, aquela história do espermatozoide vencedor se encaixa perfeitamente.
Faça as pazes com você.  Faça algo que te alegre e que te faça bem. Dê um tempo para se recuperar. Comece escrevendo uma carta para você  dizendo todas as suas qualidades e o que você espera acontecer de bom daqui um tempo e coloque nos correios.  Compre um batom vermelho e saia para tomar uma bebida sozinha. Coloque o seu melhor perfume e vá ao supermercado. Seja gentil com você através de atitudes.  Se trate como você trata alguém que você ama muito.
Esteja aberto a todos os tipos de sentimentos. Bons ou ruins. Se permita sentir. Não há nada de errado em sentir e expressar suas emoções. Aliás não expressar o que sente pode trazer grandes problemas. Sigmund Freud já dizia : Volte seus olhos para dentro, contemple suas próprias profundezas, aprenda primeiro a conhecer-se! Então, compreenderá por que está destinado a ficar doente e, talvez, evite adoecer no futuro" 

E lembre-se: seja você! Com seus erros, imperfeições, qualidades e acertos!  Parece cliché e de fato o é, mas é verdadeiro, pois não existe no mundo ninguém igual a você.  Celebre esta pessoa maravilhosa e única que você é. Portanto, seja gentil com você mesmo. Aprenda a se amar, a perdoar a si mesmo, pois só quando nos amamos é que podemos amar o próximo.

Debora Oliveira
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Índice de transtorno de ansiedade e depressão em SP é igual a de país em guerra

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19,9% da população da região metropolitana de São Paulo tem transtorno de ansiedade e depressão atinge 11%, diz estudo.




A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação à depressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

“É preocupante. É uma cidade muito estressada, muito violenta. Acreditamos que o nível de violência tenha relação a ansiedade e a depressão”, disse.Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.

Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante, que pode ir desde ser vítima de um assalto, a presenciar a morte de alguém, ou tentativa de homicídio, ou sofrer estupro.

Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “ A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse. No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave - aqueles que tentaram suicídio, apresentaram transtorno bipolar, ou são dependentes químicos com sinais fisiológicos -de fato receberam tratamento.

A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. Países da África, menos desenvolvidos que a região metropolitana de São Paulo, têm índices de depressão de 4%, 6%, de acordo com Wang. Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico.

Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio."

O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento - as chamadas áreas de privação social - , são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não aguenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”
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Quatro maneiras( bem simples) de manter o foco e a memória.

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Era uma vez um rapaz chamado Ed Cooke. Ele morava na Inglaterra, para ser mais exato, ele morava há alguns meses num hospital da Inglaterra. Fora internado devido a um problema que o impedia de andar. Na flor da idade, tinha apenas 18 anos, não tinha celular, whatsapp, facebook e para espantar o tédio de uma vida no hospital ele resolveu dar uma chance a um presente que ganhara de alguém: um livro de memorização. Ele leu o livro inteiro, aplicou as técnicas, aprimorou outras e assim como aconteceu comigo, ele se apaixonou pelo tema. Cinco anos depois, Cooke era um Grande Mestre de Memória. Ele foi capaz de guardar uma sequência de mil dígitos aleatórios em menos de uma hora, a ordem precisa de 56 cartas de 10 baralhos na hora seguinte, e de decorar livros de 700 páginas. Ele conseguiu, eu consegui e tenho certeza que você também tem essa capacidade, afinal os cérebros dos grandes mnemonistas é igual ao seu.

A diferença é que Cooke e os outros participantes de campeonatos de memória treinam constantemente para aprimorar sua capacidade. Partindo de princípios simples é possível lembrar quantidades extraordinárias de informação.

O sujeito começa decorando a lista de compras e termina sabendo localização e preço de todos os produtos do supermercado. Sem falar, claro, nas vantagens bem palpáveis de lembrar de coisas simples, como saber onde deixou as chaves, a extremamente complexas como o conteúdo daquela prova de vestibular ou concurso. Não existe memória ruim, e sim memória não treinada. 

Então vamos lá : 

Preste atenção de verdade

Em vez de fazer tudo no automático, fixe no seu interlocutor
A desaceleração causada pelo envelhecimento natural forma um “gargalo” para a quantidade de informações que entram em sua memória de curto prazo, reduzindo a quantidade de informações novas e a codificação daquelas de longo prazo. Para ajudar a fixar informações, preste atenção de verdade quando alguém estiver falando com você: olhe para a pessoa.

Evite interrupções. 

Se alguém lhe perguntar alguma coisa enquanto você estiver no meio do trabalho ou da leitura, pergunte se a pessoa pode esperar até que você tenha acabado. Não atender o telefone até você terminar o que está fazendo e posteriormente ouvir o correio de voz também pode ser uma boa opção.
Repita as informações do seu interlocutor

Lembre-se de repetir e confirmar para fixar as informações . 

Paráfrase o que é dito para se certificar de que você entendeu a informação e, também, para reforçá-la. Por exemplo: se alguém diz: ‘podemos assistir ao filme hoje na sessão das 19h30 perto de casa ou na das 19h50 um pouco mais longe”. Você pode responder: “o que você prefere, 19h30 perto de casa ou 19h50 um pouco mais longe?”.

Escolha ambientes anti-distração


Evite a distração para manter o foco . Se você achar que tende a se distrair durante as conversas, prefira ambientes silenciosos. Em vez de marcar um encontro em um restaurante, escolha a casa de alguém. Se só houver a opção do restaurante, sente-se em uma mesa perto da parede para se concentrar melhor.
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Em comemoração ao dia nacional da adoção: Considerações psicanalíticas sobre a adoção *

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Se a base saudável de nosso psiquismo vem de nossa infância e se situa mais especificamente na mãe suficientemente boa, segundo Donald Winnicott, como devemos analisar uma pessoa que foi inicialmente abandonada por sua progenitora? Qual a possibilidade de reparação para este abandono inicial? A mulher que adota pode vir a ser esta mãe boa o suficiente? Portanto, como se falar em adoção a partir de teorias psicanalíticas?
    
Entregar uma criança para adoção pressupõe mil justificativas, mas o que podemos perceber como mais comuns são:
1) Esta criança não era desejada;
2) Essa mãe não tinha condições psíquicas de lidar com um filho; 
3) Situações sócio-econômicas levaram a tal decisão. 
    
Portanto, nem sempre a criança foi totalmente rejeitada, mas sim a necessidade de criá-la é que não pode ser atendida. Através dos estudos do módulo de Dinâmicas Familiares pretendo achar respostas para as indagações iniciais.
    
Winnicott descreve o desenvolvimento psíquico através de três etapas fundamentais: a integração, a personalização e percepção da realidade. Para passar por elas, e chegar ao estágio de perceber o próprio self, é de suma importância que o desenvolvimento psíquico da criança seja saudável. Para que isso aconteça, o que há de mais importante é a presença de uma mãe suficientemente boa. 
    
O que significa ser uma mãe boa o suficiente? É aquela que está presente, sustentando as transformações deste bebê. Todos os dias esta mãe está ali cuidando, dando amor e suprindo as necessidades básicas deste pequeno ser em formação. 
    
Não é a perfeição que traz o bom resultado, é a constância de uma relação em equilíbrio e este equilíbrio pressupõe os não acertos também. O bebê só será capaz de adquirir a noção de seu corpo e, posteriormente se ver como indivíduo, se houver a segurança que esta mãe se faz presente. 
    
Mas quem é esta mãe? Só a biológica pode fornecer esse amor? O dito popular “mãe é quem cria e não quem põe no mundo” tem sua razão. Uma mãe adotiva presente diariamente, sustentando os choros do bebê, dando os cuidados essenciais e desenvolvendo uma relação com este bebê também é a mãe suficientemente boa de Winnicott. A rejeição inicial pode e deve vir a ser trabalhada posteriormente - talvez em idade adulta - para que esse indivíduo entenda sua origem. Mas isso não diminui o fato de que houve uma mãe constante e que deu amor para este bebê, além das condições para que ele desenvolvesse seu psiquismo de forma positiva.
    
Alessandra Piolontelli desenvolveu uma pesquisa onde a continuidade pré e pós parto é colocada em evidência. Os fetos têm padrões individuais de desenvolvimento dentro do ventre e muitas destas características e movimentos de um feto puderam ser notados durante o desenvolvimento de uma criança em sua primeira década de vida. Podemos olhar isso, em uma criança de lar adotivo, de duas formas:
1) Esse desenvolvimento é interrompido com a mudança de lar;
2) Esse desenvolvimento é uma prova de que há comportamentos da criança que são anteriores ao cuidado materno pós nascimento.
    
Se há a interrupção, cabe a nova mãe descobrir e aprender quem é esse filho que ela não teve a oportunidade de sentir em seu ventre. Qual é essa transgeracionalidade que foi interrompida? Se há comportamentos intrínsecos ao bebê, há características do desenvolvimento psíquico que ocorrerão independente do fato da mãe suficientemente boa ser ou não biológica. Há uma “re-transgeracionalidade” que também será transmitida para esta criança no novo seio familiar em que ela foi inserida. Ambas as alternativas mostram a possibilidade de uma mãe adotiva superar o trauma de uma rejeição inicial enfrentada por este bebê.
    
Se René Spitz lida com a questão do objeto na relação mãe-bebê e coloca esse objeto de relacionamento como resultado dessa interação, fica mais claro ainda a chance de uma mãe adotiva desenvolver um vínculo com seu bebê de forma construtiva.  É da satisfação desta relação inicial que o bebê poderá tomar conhecimento desta mãe e vir a sorrir e entender o sorriso dela. Assim como Melanie Klein, René mostra que é da relação objetal satisfatória que se dará o desenvolvimento psíquico adequado deste ser.
    
Se analisarmos pelas fases de Margareth Mahler podemos entender que eventuais falhas desta mãe não-biológica podem vir dos momentos iniciais, principalmente a autista e a simbiótica, nas quais eventuais faltas podem levar ao autismo ou esquizofrenia. A partir de um estudo de fases conseguimos concluir também que o momento da adoção desta criança pode ser fundamental para entender o desenvolvimento posterior de sua psique. Essa criança foi adotada recém-nascida? Ficou os primeiros meses de vida em um orfanato? Teve uma mãe biológica no início e depois perdeu? Foi adotada quando já era maior? Cada pergunta remete a análise individual de cada fase que esta criança passou com ou sem uma mãe presente. E isso resultará em formas de desenvolvimento menos ou mais problemáticas. Porque segundo Mahler, “a criança ganha confiança na sua mãe, de que sua mãe a entende, que sua mãe está ali e sempre estará ali”. Isso é a segurança, isso possibilita que a criança não sinta o vazio, o medo da morte.
    
Já Bowlby nos mostra que o “vínculo é uma necessidade psicológica e que os primeiros vínculos vão dar a tônica de todos os outros vínculos do indivíduo até sua sepultura”. A força dessa frase reside em outra afirmação dita por ele de que “os problemas vinculares devem ser investigados no real e não no psiquismo. Nesse real eu encontro respostas às suas perguntas e não no imaginário.” Se levarmos essas afirmações para um lar adotivo podemos compreender que o mais importante para a superação de um primeiro abandono é o vínculo que será estabelecido neste novo lar e eventuais problemas a serem lidados devem ser enfrentados com o que ocorre na vida real e não só em um imaginário de abandono. 
    
Novamente é possível afirmar que uma mãe presente, como amor e cuidados constantes e sendo apoiada por uma família são de fato o que uma criança precisa para o desenvolvimento saudável. E isso independe do fato de ser essa família biológica. 
    
A estrutura familiar se mostra tão importante quando os genes familiares. Lacan explica que “a significação de um indivíduo está em função de uma estrutura e não nele mesmo.” E esta estrutura é o lugar que este filho adquire frente a este pai e a esta mãe. O rompimento de laços afetivos primórdios deixa marcas, mas a qualidade das vivências com uma nova família serão essenciais para a estruturação deste indivíduo.
    
Finalizando com Winnicott - sempre um otimista em relação ao potencial que a criança tem para o desenvolvimento - o ambiente em que uma pessoa será criada é de fundamental importância. Se esse ambiente é com a mãe e família biológica, mas não é adequado, o potencial para desenvolvimento saudável pode vir a fracassar do mesmo jeito e até mais do que com uma família adotiva. Se levarmos em conta que uma pessoa ou um casal que adota uma criança geralmente o faz pela enorme vontade de ter um filho, já vemos um grande ponto positivo na recepção desta criança neste novo lar. 
    
Além de tudo isso, levando em conta que cada indivíduo é singular assim como a sua forma de encarar o mundo e lidar com seu sofrimento e as pessoas reagem de forma única aos eventos psíquicos, podemos dizer que tanto pais adotivos quanto biológicos podem ser ou não ser bem sucedidos em dar o suporte necessário aos seus filhos. Para isso é  essencial proporcionar um ambiente favorável onde haja, principalmente, amor. Ser pai e mãe de fato pressupõe esse amor, essa entrega. E essa doação significa também mostrar a verdade para esta criança e jamais renegar que há uma história dela que ficou para trás, que tomou um novo rumo.

* Texto escrito por Paula de Freitas Marcondes
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O direito de ter limites

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Em uma publicação da UNICEF, “Os novos direitos da criança”, seu autor, Luiz Lobo, destaca, entre outros, o direito que toda criança tem de ter limites.
Todos temos direito de ter limites! E por que será que tem sido tão difícil para nós, educadores (pais e professores), conseguirmos cumprir e fazer cumprir a execução de direito humano tão importante? 
não é o primeiro organizador da personalidade humana.
Passeando pela história, encontramos a origem do limite na mão de poderosos, autoritários, carrascos que, utilizando instrumentos próprios, submetiam os mais fracos e demarcavam os seus limites físicos, intelectuais, morais e sociais.
Esta origem permitiu, no decorrer da nossa história, que utilizássemos, como seres humanos, variações da colocação de limites; porém, mantendo em nossas ações as raízes na dicotomia poder x submissão.
Toda a educação tradicional foi calcada no autoritarismo, muito criticado nos, tempos atuais. Sabemos, no entanto, que a história é dinâmica, e o homem começou a valorizar o outro lado da moeda, a liberdade; no caminho histórico, descobriu o incentivo e a compreensão.
Desta forma, passamos a construir uma outra visão de limite. O limite passou a ser visto como algo negativo e, já desde muito pequena, a criança começou a ser livrar dos panos que a apertavam ao nascer, a ser entendida nas suas necessidades rapidamente e a aprender que a frustração é algo ruim.
Diante de tanta insegurança, violência, droga e sexo desregrado, precisamos nos perguntar se tínhamos razão em combater o autoritarismo. A resposta que se delineia a nossa frente não é simples, mas tem a ver com as palavras de Luiz Lobo: “o excesso de liberdade pode ser tão prejudicial quanto a falta dela”.
Sem limites ou com limites frouxos, perdemos o referencial, não nos construímos como seres sociais; com limites apertados, sufocamo-nos e não conseguimos nos tornar autônomos. Então, qual é a saída?
A Psicologia nos diz que o não é o primeiro organizador da personalidade humana. Afirma que é através da frustração que se desenvolve a cognição e conta-nos que o erro é elemento importante para se chegar ao acerto. Fala, também, que é da falta que nasce o desejo, a motivação que nos impulsiona para a ação.
Como educadores, temos receio em dizer não; procuramos evitar que nossos alunos e filhos frustrem-se; fazemos tudo para que não vivam o erro; oferecemos de tudo para que nada lhes falte. Não percebemos quanto mal estamos causando para o seu desenvolvimento.
Quem não sabe ouvir um não não precisa criar alternativas, desenvolver a argumentação, planejar e procurar novas soluções. Quem não experimenta o fracasso não precisa se mobilizar para obter o sucesso. Quem não erra não precisa rever suas hipóteses para se aproximar do acerto. Quem não sente a falta não deseja, pois os seres humanos só podem desejar algo que não têm. Se temos tudo, não há mobilização interior.
A saída é pensarmos numa forma de conscientização de nossos filhos e alunos  sobre a importância das regras, dos limites, para que eles possam interiorizá-los sem precisar de nós para controlarmos o tempo todo e sem ficarem perdidos na ausência de  referencial. Precisamos, sim, é aprender o modelo de pais autoritativos: aqueles que
Colocam os limites, cobram a obediência de seus filhos; porém, num ambiente de diálogo, em que as causas e as conseqüências são apresentadas com firmeza, sem ameaças
Colocar limites é uma arte! Quando colocamos limite, precisamos deixar espaço.

*Esse texto faz parte da coletânea de reflexões “Psicopedagogia e Aprendizagem”, de Laura Monte Serrat Barbosa.
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A vida é o resultado de nossas próprias escolhas. Ninguém irá nos consertar de nós mesmos.

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Ei, você aí. Se fosse possível deletar da sua memória o que te causa dor, você apagaria? Imagine baixar um programa que tivesse um leitor de recordações, como um scanner, e que através dele fosse possível armazenar e descartar definitivamente os momentos. Seria perfeito, pois manteríamos tudo de bom e esqueceríamos completamente o ruim. 
Não, não seria perfeito. E sabe por quê? Porque precisamos das perdas para valorizar os ganhos, o bom precisa do ruim para ser compreendido e vice versa. Simples assim. Só que o acontece é que geralmente empacamos nos fracassos, nos agarramos às derrotas, e não enxergamos as conquistas e nada de positivo que nos cruze o caminho. Escondemos as recordações bonitas lá no fundo da gaveta, enquanto carregamos as mágoas agarradas pela mão, para cima e para baixo. A dor virou motivo de todas as ações. Ela é o norte, a direção, e nela nos seguramos, com ela seguimos o nosso propósito. Absolutamente vinculados. E assim, esquecemos no mais profundo de nós o amor e todas as lembranças felizes que nos compuseram um dia.
Nos deixamos estragar emocionalmente, tudo por conta da nossa entrega e permissão. Tudo porque houve uma época que levamos no bolso a ingenuidade e a esperança peculiares àqueles que amam.
A desculpa é que o passado não nos solta. E por acaso é possível seguir adiante sem o peso das mágoas, sem o medo de sofrer outra vez? Afinal de contas, nós somos o que somos, o resultado das nossas apostas, a cara quebrada, o pé atrás, o coração partido. São as derrotas que nos diferem uns dos outros, caso contrário, seríamos todos iguais em nossa enfadonha perfeição vitoriosa.
É possível, sim, seguir adiante sem tanta culpa pelo erro e sem o medo de falhar novamente, a partir do momento que entendemos que as quedas são necessárias para que nos tornemos pessoas mais completas, aptas a resolver problemas e encontrar saídas. Então, passamos a enxergar a dor como um mal necessário. Inclusive, é ela que, muitas vezes, nos tira da inércia e nos impulsiona a reagir.
Que graça teria apagar os sofrimentos e lembrar somente dos momentos de glória, cortar anos de memórias, companhias, sensações? Nos tornaríamos marionetes de nós mesmos conduzidos em histórias de finais felizes. Personagens bonzinhos demais, alegrinhos demais, perfeitinhos demais.
Sem a sofrência que nos circunda, não há dúvida de que seríamos emocionalmente estáveis, mas, consequentemente, despreparados. Sim, inaptos ao próximo tombo, à decepção seguinte, e provavelmente viciados em deletar frustrações. Porque as mazelas seriam sentidas sempre como se fosse a primeira vez. E, sem saber como reagir ao golpe, a solução mais fácil e menos dolorosa certamente seria excluí-lo.
Mas não, não é bem assim. É preciso entender os porquês dos estragos e assimilar as razões. Ninguém irá nos consertar de nós mesmos. Usemos as decepções a nosso favor para que nos tornemos grandiosos diante da vida, aptos a receber o que nos mandam e transformar tudo o que vier em aprendizado.
É impossível esquecer as tristezas, mas que elas não sejam lembradas a todo instante.
Fonte: Aqui ó !
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Muito prazer, eu sou o "SINTOMA".

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Olá, tenho muitos nomes: dor de joelho, abscesso, dor de estômago, reumatismo, asma, mucosidade, gripe, dor nas costas, ciática, câncer, depressão, enxaqueca, tosse, dor de garganta, insuficiência renal, diabetes, hemorroidas e a lista continua. Ofereci-me como voluntário para o pior trabalho: ser o portador de notícias pouco agradáveis para você.
Você não entende, ninguém me compreende. Você acha que eu quero lhe incomodar, estragar os seus planos de vida, todo mundo pensa que desejo atrapalhar, fazer o mal, limitar vocês. E não é assim, isso seria um absurdo. Eu o sintoma, simplesmente estou tentando lhe falar numa linguagem que você entenda.
Vamos ver, me diga alguma coisa. Você negociaria com terroristas, batendo na porta com uma flor na mão e vestindo uma camiseta com o símbolo da “paz” impresso nas costas? Não, certo?
Então, por que você não entende que eu, o sintoma não posso ser “sutil” e “levinho” quando preciso lhe passar uma mensagem. Me bate, me odeia, reclama de mim para todas as pessoas, reclama de minha presença no seu corpo mas, não para um minuto para pensar e raciocinar e tentar compreender o motivo de minha presença no seu corpo.
Apenas escuto você dizer: “Cala-te”, “vá embora”, “te odeio”, “maldita a hora que apareces-te”, e muitas frases que me tornam impotente para lhe fazer entender mas, devo me manter firme e constante, porque devo lhe fazer entender a mensagem.
O que você faz? Manda-me dormir com remédios. Manda-me calar com sedativos, me suplica para desaparecer com anti-inflamatórios, quer me apagar com quimioterapia. Tenta dia após dia, me calar. E me surpreendo de ver que às vezes, até prefere consultar bruxas e adivinhos para de forma “mágica” me fazer sumir do seu corpo.
A minha única intenção é lhe passar uma mensagem, mesmo assim, você me ignora totalmente.
Imagine que sou a sirene do Titanic, aquela que tenta de mil maneiras avisar que tem um iceberg na frente e você vai bater com ele e afundar. Toco e toco durante horas, semanas, meses, durante anos, tentando salvar sua vida, e você reclama que não deixo você dormir, que não deixo você caminhar, que não deixo você trabalhar, ainda assim continua sem me ouvir…
Está compreendendo?
Para você, eu o sintoma, sou “A doença”.
Que absurdo! Não confunda as coisas.
Aí você vai ao médico e paga por tantas consultas.
Gasta um dinheiro que não tem em medicamentos e só para me calar.
Eu não sou a doença, sou o sintoma.
Por que me cala, quando sou o único alarme que está tentando lhe salvar?
A doença “é você”, é “o seu estilo de vida”, são “as suas emoções contidas”, isso que é a doença e nenhum médico aqui no planeta terra sabe como as combater, a única coisa que eles fazem é me atacar, ou seja, combater o sintoma, me calar, me silenciar, me fazer desaparecer. Tornar-me invisível para você não me enxergar.
É bom se você se sentir incomodado por estar lendo isso, deve ser algo assim como um “golpe na sua inteligência”. Está certo se estiver se sentindo frustrado, mas eu posso conduzir o teu processo muito bem e o entendo. De fato, isso faz parte do meu trabalho, não precisa se preocupar. A boa notícia é que depende de você não precisar mais de mim, depende totalmente de você analisar o que tento lhe dizer, o que tento prevenir.
Quando eu, “o sintoma” apareço na sua vida, não é para lhe cumprimentar, é para lhe avisar que uma emoção contida no seu corpo, deve ser analisada e resolvida para não ficar doente. Deveria se perguntar a si mesmo: “por que apareceu esse sintoma na minha vida”, “que pretende me alertar”? Por que está aparecendo esse sintoma agora?Que devo mudar em mim?
Se você deixar essas perguntas apenas para sua mente, as respostas não vão levar você além do que já vem acontecendo há anos. Deve perguntar também ao seu inconsciente, ao seu coração, às suas emoções.
Por favor, quando eu aparecer no seu corpo, antes de procurar um médico para me adormecer, analise o que tento lhe dizer, verdadeiramente, por uma vez na vida, gostaria que o meu excelente trabalho fosse reconhecido e, quanto mais rápido tomar consciência do porquê do aparecimento no seu corpo, mais rápido irei embora.
Aos poucos descobrirá que quanto melhor analisar, menos lhe visitarei. Garanto a você que chegará o dia que não me verá nem me sentirá mais. Conforme atingir esse equilíbrio e perfeição como “analisador” de sua vida, de suas emoções, de suas reações, de sua coerência, não precisará mais consultar um médico ou comprar remédios.
Por favor, me deixe sem trabalho.
Ou você acha que eu gosto do que eu faço?
Convido você para refletir sobre o motivo de minha visita, cada vez que eu apareça.
Deixe de me mostrar para os seus amigos e sua família como se eu fosse um troféu.
Estou farto que você diga:
“Então, continuo com diabetes, sou diabético”.
“Não suporto mais a dor no joelho, não consigo caminhar”.
“Aqui estou eu, sempre com enxaqueca”.
Você acha que eu sou um tesouro do qual não pretende se desapegar jamais.
Meu trabalho é vergonhoso e você deveria sentir vergonha de tanto me elogiar na frente dos outros. Toda vez que isso acontece você na verdade, está dizendo: “Olhem que fraco sou, não consigo analisar, nem compreender o meu próprio corpo, as minhas emoções, não vivo coerentemente, reparem, reparem!”.
Por favor, tome consciência, reflita e aja.
Quanto antes o fizer, mais cedo partirei de sua vida!

Atenciosamente,
O sintoma
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A tristeza dói. Ser feliz dói mais ainda.

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Viver dói. E não estamos pensando somente nas dores de dente e nem nas cólicas renais que nos desafiam a sorrir. Muito menos na artrose que nos retardam a caminhada. É que sabemos o que está escondido atrás das fotos sorridentes nas redes sociais, das dificuldades de lidar com sonhos frustrados e do silêncio pesado de uma noite mal dormida. Sim, é isso que dói. 
Vejamos bem. Começar outra vez não é para os fracos. Sempre haverá críticas e julgamentos sobre a decisão de quem resolveu mudar mesmo não tendo certeza do que está fazendo. Mas precisamos seguir em meio às nossas próprias dores e dúvidas para assumir a mudança. Somente assim iremos atrás de um futuro, mesmo que incerto, mas cheio de vida no presente.
Porque da morte, chegam as nossas desgraças diárias, nas discussões por bobagens, com as picuinhas de gente competitiva e invejosa. Da morte, bastam as guerras estúpidas e sem sentido que ocorrem todos os dias, do outro lado do mundo e na esquina. Chega. Nós escolhemos viver o agora, viver já, o quanto antes de morrer dia após dia.
E não tem problema se não sabemos como. Viver é atrever-se. É ser mais que uma pessoa feita de sonhos e fantasias, mas correr atrás da sorte. É pegar na mão do hoje para abraçar o amanhã. É questionar o porquê das coisas e escolher o que nos preenche. Porque procuramos alguém que possamos ver, e não somente um prêmio para dizermos que temos companhia.
Porém, algumas vezes o atrevimento demora. Primeiro, porque confiar nos próprios instintos requer coragem. Como reconhecer que somos estrelas perdidas tentando iluminar a nossa própria escuridão. Depois, porque ainda temos que encarar o espelho de nossos próprios medos.
A aflição está aqui dentro, na incompreensão da morte e na brevidade da vida. Nos romances que acabam, nas crianças que morrem. Nos lares que despencam com o vendaval da natureza ou da discórdia. Nas flores que murcham quando não recebem esperança. Nas doenças crônicas, nos filhos que não nascem e no amor que nunca chega.
É por isso que, vira e mexe, a tristeza aparece impiedosa, arrastando alicerces e desfazendo certezas. O sonhado atrevimento fica sem jeito, procurando sentido nesse mundo que gira rápido demais enquanto a dor não passa, enquanto uma explicação não aparece.
Deixemos, pois, a tristeza entrar. Recebendo-a, aprendemos a lidar com ela. Perceba, a beleza nasce da tristeza. Rubem Alves disse “O pôr do sol é triste porque nos conta que somos como ele: infinitamente belos em nossas cores, infinitamente nostálgicos em nosso adeus”. É nos dias silenciosos que as palavras ganham novos sons, é depois da tempestade que nasce o arco-íris. A dor nos fortalece para o amor. O nosso e o dos outros.
Que nossas lágrimas se tornem a bebida de nosso hoje; e que nossas melhores memórias nos guiem ao depois de amanhã. Que o olhar cuidadoso de nós mesmos transforme nossa visão de dentro para fora, nos lembrando de que somos capazes, mesmo com as incertezas que compõem as belezas do dia a dia.
Sejamos o passarinho que canta em nossa janela amanhecendo a alegria. E que a lembrança desse canto sempre nos traga a compreensão e o alívio para nossa dor. “A liberdade é o alimento do amor”.
A tristeza dói. Ser feliz dói mais ainda. Porque nos atrevemos a sermos livres!
Fonte : Aqui ó !
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