A Importância dos Sonhos para a Psicanálise

“O sonho é o fiel guardião da nossa saúde psíquica, da nossa alegria de viver, uma vez que a vida não passa de uma contínua procura do prazer, contrariada pela realidade”. (Teoria do Princípio do Prazer). 

As descobertas de Freud, de que os sonhos têm um conteúdo psicológico fundamental, revolucionaram o estudo da mente. Antes, os sonhos eram tidos como meros efeitos de um trabalho desconexo, provocados por estímulos fisiológicos. Os conhecimentos desenvolvidos por Freud trouxeram os sonhos para o campo da Psicologia e demonstraram que estes são tão somente a realização de desejos, disfarçados ou não, satisfeitos em pleno campo psíquico.
“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”. (FREUD, 1898 e1899). Antes de Freud, os sonhos eram considerados apenas símbolos, analisados como se fossem manifestações sobrenaturais. Quando Freud escreveu, então a sua obra-prima - “A Interpretação dos Sonhos”, e a partir da análise dos sonhos, mostrou que a essência dos sonhos é a realização de um desejo infantil reprimido e a partir daí elaborou bases do método psicanalítico. Por meio dessa análise, mostrou a existência do inconsciente e transformou algo que era tido pela consciência como o “limbo dos pensamentos”, no caso dos sonhos, em um forte instrumento revelador da personalidade humana. Constatou que os sonhos mostram uma óbvia preferência pelas impressões dos dias anteriores, ou seja, das mais primitivas da nossa infância, e fazem surgir detalhes desse período de nossa vida, que acreditávamos ter caído no esquecimento.
Para que aconteça a interpretação de um sonho é importante que não procuremos entendê-lo em sua totalidade em um primeiro momento, pois como é formado no inconsciente, existem fragmentos da realidade, logo vai parecer no primeiro momento, muito confuso. Ele deve ser dividido em partes, de acordo com o contexto vivido e assim vai sendo decifrado lentamente, sem adotar um critério cartesiano, pois o mesmo conteúdo pode guardar sentido diferente, variando de pessoa para pessoa ou situações diferentes.
O sonho é considerado o fenômeno da vida psíquica pelo qual os processos do inconsciente são revelados de uma forma clara e acessível ao estudo. Para Freud, o sonho é produto da atividade do inconsciente e sempre tem sentido intencional, ou seja, a realização, ou não, de um desejo reprimido. Assim eles vão revelando a natureza do homem e são meios os quais podemos ter acesso ao conhecimento do interior oculto da mente.
Segundo Freud (A interpretação dos sonhos, p. ),existem quatro tipos de fontes de sonho: 1 - Excitação sensorial externa (objetivas, onde todo ruído indistintamente percebido provoca imagens oníricas correspondentes); 2 - Excitações sensoriais internas (subjetivas) dos órgãos dos sentidos; 3 - Estímulos somáticos internos (orgânicos) e 4 - Fontes psíquicas de estimulação: material importante para chegar ao inconsciente, muito necessário para o tratamento psicanalítico.
São diversas as causas para o esquecimento dos sonhos, geralmente esquecemos, e temos dificuldade de lembrar o que nos parece desordenado e confuso, não damos muita importância aos nossos sonhos, daí a facilidade de esquecimento.
Embora uma boa parte dos sonhos deva pertencer a um evento mental corrente, esse não é suficiente para produzi-lo, ele só se forma quando esse evento recente entra em contato com um impulso passado, quase sempre um desejo infantil. O que aparece na consciência durante o sono e que quando acordamos chamamos de sonho é o resultado de uma atividade mental inconsciente durante um processo fisiológico que interfere com o próprio sonho, que ao invés de acordar a pessoa sonha.
Nas crianças, os sonhos são frequentemente pura realização de desejos e são desinteressantes comparados aos adultos, pois não levantam problemas para serem solucionados, contudo são importantes para provar que representam realizações de desejos.
Existem sonhos que têm como tema central a frustração de um desejo ou algo claramente indesejado, esses sonhos podem ser elaborados quando um paciente se encontra em um estado de resistência ao analista ou está relacionado a um componente masoquista na constituição sexual de muitas pessoas, pois os sonhos desprazeirosos são realizações de desejos, pois satisfazem suas inclinações masoquistas. Já os sonhos de angústias se originam da vida sexual e corresponde à libido que se desviou de sua finalidade e não encontrou aplicação, ou seja, um desejo recalcado encontrou um meio de fugir à censura. 
Já o sonho recorrente é quando o sujeito teve, pela primeira vez, o sonho na infância e depois ele reaparece constantemente, de tempos em tempos, nos sonos adultos. Os que ocorrem com situações de morte, de parentes queridos encontramos a situação extremamente incomum de um pensamento onírico formado por um desejo recalcado, no caso da morte, que foge inteiramente à censura e passa para o sonho sem modificações.
Os sonhos, em sentido teórico, possuem três entidades distintas: o sonho manifesto, os pensamentos oníricos latentes e o funcionamento do sonho. Tudo que o paciente recorda e relata como sonho, sonho manifesto, é uma mensagem que exige decifração. As ideias e os sentimentos, subjacentes ao sonho, muitos pertencentes ao presente, outros do passado, alguns pré-conscientes outros conscientes, é o chamado conteúdo latente. Já os pensamentos latentes dão origem ao sonho manifesto.
Entretanto,o sonho pode tornar-se um veículo de oposição à análise. O analista não deve se sentir perdido quando o sonho for relatado tardiamente, para que possa ser abordada na sessão, sua transferência positiva ou negativa, pode converter-se em uma fonte de resistência obstinada. Quanto mais o paciente aprende da prática da interpretação dos sonhos, mais obscuros seus sonhos posteriores vão se tornando. As pessoas que não sonham quando analisadas apresentam recalques profundos, ou até possuem problemas estruturais graves, são psicóticas, daí serem de difícil análise.
Com isto, podemos afirmar que o sonho é um meio pelo qual a inconsciente procura alertar a consciência para o que ela não percebe ou não quer aceitar e tenta equilibrar a psique.
Caso pergunte-se se é possível interpretar todos os sonhos, a resposta deve ser negativa. Não se deve esquecer que, na interpretação de um sonho, têm-se como oponentes as forças psíquicas que foram responsáveis por sua distorção.