Precisa se acalmar? Pesquisadores te mostram como.





Uma das coisas mais inúteis que a gente pode dizer para alguém que está nervoso é: “Se acalme!”. Além de gramaticalmente errado, é inútil – e pode deixar a pessoa ainda mais ansiosa. Até porque mesmo que ela quisesse seguir esse conselho – o que já é difícil no estado em que se encontra – é muito complicado saber como agir, o que fazer objetivamente, para se acalmar.
I
Se quiser ajudar realmente o melhor é dizer: “Respire devagar”. Aí está um comando simples, direto, altamente compreensível e bem mais fácil de colocar em prática. E o melhor: eficaz.

Nós sabemos que a relação entre corpo e emoções é uma via de mão dupla. Quando temos uma emoção intensa  o coração acelera; mas quando o coração acelera as emoções se intensificam. Quando nos sentimos felizes, sorrimos; e quando sorrimos nos sentimos mais felizes. É assim também com a respiração: o estresse súbito, a elevação da ansiedade, tornam a respiração mais rápida e superficial. Por outro lado, se você já viu alguém pegando no sono percebeu como a respiração lenta e profunda está associada a momentos de calma e tranquilidade.

Da mesma forma que o coração tem um marca-passo natural, que gera impulsos elétricos levando à contração rítmica, recentemente foi localizada no cérebro uma região responsável por controlar o ritmo respiratório. Ao contrário da monotonia da pulsão cardíaca, contudo, existe uma variedade maior de comportamentos respiratórios, como bocejo, suspiro e até engasgo. Cientistas conseguiram manipular essa região – diretamente e por meio de engenharia genética -, produzindo ratinhos que respiravam sempre devagar. Para surpresa dos pesquisadores essa única mudança tornou os ratos mais tranquilos, menos inclinados ao estresse. Assim como medicamentos que bloqueiam a taquicardia por vezes impedem os pacientes de ficarem tensos, também impedir a taquipneia (respiração acelerada), parece ser uma boa forma de reduzir a ansiedade.

Não é por outro motivo que grade parte dos exercícios de meditação passam pelo controle voluntário do ritmo respiratório. Hoje em dia há abundantes evidências de que os resultados de tais práticas se refletem em redução do estresse, aumento do bem estar, queda na pressão arterial e frequência cardíaca, só para ficar em poucos exemplos. Essas recentes descobertas das neurociências só vêm comprovar, portanto, o que a experiência prática das meditações já sinalizava.

Para desacelerar a mente, portanto, desacelera o corpo. Como? Simples: inspire, expire. Inspire, expire.

Kwon D. Meditation’s Calming Effects Pinpointed in the Brain. Sciam Issue No: Vol. 28, No. 4 (2017).




Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/daniel-martins-de-barros/inspire-expire-inspire-expire-como-a-respiracao-e-capaz-de-nos-acalmar/

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Chega um momento na vida em que evitar problemas e dramas excessivos é a melhor forma de felicidade

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A gente perde um pouco daquela ansiedade da juventude que quer tudo para ontem, que quer agarrar o mundo com as pernas. A gente começa a entender que cada coisa tem o seu tempo, o seu ritmo, que não adianta dar murro em ponta de faca. Que devemos lutar pelos nossos sonhos, mas se não rolar, não rolou. A gente descobre novos caminhos, novas possibilidades. Nada é tão definitivo. A gente começa a perceber o nosso valor, a bagagem que acumulamos, ficamos menos mendigos afetivamente , menos manipuláveis socialmente. 

Dramas excessivos e peripécias mil são ótimas no cinema. Mas na vida real, o que nos traz bem estar , sentimento de pertencimento, paz de espírito é ficar com quem nos aprecia e com quem apreciamos, é conversar com quem nos entende e nos aceita como somos, é trabalhar naquilo que gostamos , é fazer o que se bem entende no final de semana, mesmo que seja simplesmente vagar pela casa de pijama, lendo jornais e comendo comida chinesa diretamente da caixinha para não sujar pratos.
Chega um momento na vida em que a gente descobre que é bom estar em paz conosco mesmo e com quem está ao nosso redor. A gente descobre que nem tudo é para nós, que a gente não precisa importar um modelo de felicidade aceito pela maioria, que para nós passar o Carnaval vendo Netflix pode ser muito mais divertido, que amor para ser de verdade não precisa ser complicado. Muito pelo contrário.
A gente perde um pouco daquela ansiedade da juventude que quer tudo para ontem, que quer agarrar o mundo com as pernas. A gente começa a entender que cada coisa tem o seu tempo, o seu ritmo, que não adianta dar murro em ponta de faca. Que devemos lutar pelos nossos sonhos, mas se não rolar, não rolou. A gente descobre novos caminhos, novas possibilidades. Nada é tão definitivo. A gente começa a perceber o nosso valor, a bagagem que acumulamos, ficamos menos mendigos afetivamente , menos manipuláveis socialmente.
A gente percebe que ter dinheiro é bom, mas que ter tempo para relaxar e curtir é fundamental. A gente descobre que trabalhar por amor é delicioso, mas que o pagamento precisa ser justo pois as contas não se pagam sozinhas. Às vezes , a gente abre mão de um passeio ou de um projeto porque admite que está cansado, que anda trabalhando demais, que precisa de um tempo para ler aquela pilha de livros deixada sobre a mesinha da cabeceira. Que a gente não precisa ser o super herói ou a super heroína o tempo todo. Que a gente não precisa dizer sim para todos os convites. Que a gente não precisa estar no clima do role todas as sextas à noite. A gente percebe que um vinho de quarta-feira também pode ser muito bom e que réveillon feliz não precisa acontecer necessariamente na praia e que a gente deve tratar a todos com respeito, mas não precisamos ser amigos de todo mundo nem permitir que nos manipulem pois somos bonzinhos.
A gente descobre que pode voltar atrás sim se pegou o caminho errado. Que não há vergonha alguma em se reconhecer meio perdido neste mundo louco. Que a gente não precisa provar nada a ninguém nem a nós mesmos. Que a gente vive do jeito que é possível, que a gente consegue viver. Que a vida não é fácil, mas que a gente não precisa complica-la ainda mais com autoenganos e pessoas que só tumultuam. Que fazer seu trabalho com amor e viver com dignidade podem ser grandes formas de sucesso.


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Uma geração que confunde desejos com direitos – Por Mario Sergio Cortella

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Mario Sergio Cortella, nascido em Londrina/PR em 05/03/1954, filósofo e escritor, com Mestrado e Doutorado em Educação, professor-titular da PUC-SP, na qual atuou por 35 anos. É autor de diversos livros nas áreas de educação, filosofia, teologia e motivação e carreira.

Mario Sergio Cortella fala que os pais estão ficando submissos aos seus filhos, dominados por eles, quando na verdade são os filhos que devem subordinação aos pais. Crianças mal educadas se tornarão adultos que não estão prontos para viver em comunidade. 

“Esta é a primeira geração que confunde desejos com direitos, uma geração que infelizmente acabou sendo formada para achar que tudo é normal”. Para ele, essa forma de pensar faz com que o jovem não dê o valor devido ao esforço e trabalho tido para “conseguir as coisas”.




O que fazer?


Abaixo damos algumas dicas para lidar com crianças que estão fazendo birra ou manha constantemente. Confira:

  • Tenha controle da situação. Lembre-se: quem sabe o que é melhor para as crianças são os adultos e não elas.
  • Seja firme. Não volte atrás em uma decisão. A criança precisa confiar e sentir-se segura com a decisão do adulto.
  • Não sofra. Saiba que dar limites é positivo para a criança. Uma criança mimada é manipuladora e sabe o “ponto fraco” dos pais. Não caia no jogo.
  • Fuja do consumismo. Não tente compensar o tempo que você passa fora com presentes. O que vale é a qualidade do tempo também, portanto, presentes, só em datas especiais.
  • Dê tarefas para que as crianças cumpram de acordo com a idade e maturidade delas. Estimule a independência.
  • Faça combinados e mantenha as regras. Antes de sair de casa para um passeio, lembre os acordos da família: nada de birra, manha ou pedir para comprar alguma coisa. Não dá para fazer tudo o que as crianças querem, isso prejudica um crescimento saudável!

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Quer parar a terapia? Tire oito dúvidas frequentes antes de decidir

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São vários os motivos que levam uma pessoa a iniciar uma psicoterapia, afinal, é uma ferramenta que ajudar a enfrentar fases difíceis na vida, é recomendada para tratar problemas de saúde (como depressão, pânico e ansiedade) ou usada para o autoconhecimento. Mas uma das principais dúvidas diz respeito à alta. Só o terapeuta pode concedê-la? Mas e se o paciente não estiver com vontade de continuar, como agir? Para elucidar essas e outras perguntas, veja respostas para questões comuns sobre o tema:

1. Existe um período pré-determinado para o paciente receber a alta?

Não. Isso varia de pessoa para pessoa. Existem mais de 500 tipos de terapias diferentes, entre clássicas, alternativas e modernas. Cada paciente é único e, por isso, é praticamente impossível determinar quanto tempo o tratamento vai demorar. As terapias breves, indicadas para questões pontuais, como luto ou divórcio, costumam envolver um período que vai de três meses a um ano, mas o processo pode demorar mais do que o previsto e ter continuidade .

2. Somente o psicoterapeuta pode dar alta ao paciente?

Em tese, sim. Mas todo paciente tem autonomia para interromper a terapia quando não estiver se sentindo confortável com as sessões, seja qual for o motivo.

3. A alta pode ser dada de uma hora para outra?

O desligamento costuma ser gradual. Afinal, é formado um vínculo entre paciente e terapeuta que não deve ser cortado abruptamente. Tudo depende da linha de trabalho seguida, mas o recomendável é que o profissional sinalize que vai dar alta em dois ou três meses e que, depois desse período, ambos combinem pelo menos uma sessão de retorno, para acompanhamento.

4. Qual é o principal motivo que leva alguém a querer desistir da terapia?

A falta de empatia com o profissional costuma ser a razão número um. As pessoas procuram a terapia ou são encaminhadas para fazer esse tipo de tratamento quando estão atravessando um sofrimento muito grande. Se não se sentem compreendidas, é comum desejarem abandonar o processo.

O problema é que, apesar do livre-arbítrio, a desistência não é aconselhada para portadores de transtornos de comportamento como depressão, ansiedade, esquizofrenia e problemas de humor, por questões que envolvem a saúde e a própria vida dos pacientes. 

5. A falta de empatia com o terapeuta não seria uma espécie de “desculpa” para não entrar em contato com determinados problemas?

Em alguns casos, sim, por isso o terapeuta precisa ter a sensibilidade de não forçar o paciente a nada. Indicar outro profissional pode ser uma boa ideia. É preciso levar em conta, ainda, que muita gente tem uma visão fantasiosa das sessões e acha que o profissional é um ser capaz de resolver todas as suas dores e preocupações.

O especialista deve deixar claro desde o início que quem vai descobrir as respostas é o próprio paciente e que ele apenas apresentará as técnicas e ferramentas para isso. Toda e qualquer impressão, negativa ou positiva, deve ser sempre levada ao terapeuta, sem medo de julgamentos – o paciente deve saber que julgar não é o papel do especialista.

6. O incômodo provocado pela abordagem de determinadas questões durante as sessões também pode causar a vontade de parar?

Sim. Para muitos indivíduos, o desejo de interrupção aparece justamente quando ela se torna mais necessária e esclarecedora – quando a pessoa começa a entrar em contato com suas emoções mais profundas e fica perto de descobrir coisas importantes sobre si mesma.

Algumas pessoas também pensam em desistir quando percebem que vêm falando sempre sobre o mesmo assunto durante as sessões. Essa repetição é uma parte fundamental da terapia e deve ser discutida com o terapeuta. Existem, ainda, aqueles que são imediatistas e mostram descontentamento com a demora do processo. Por isso, o profissional, logo na entrevista que antecede o início das sessões, deve explicar muito bem o modo como trabalha e como os objetivos serão alcançados.

7. O terapeuta deve convencer o paciente a manter o tratamento? 

Não se trata de convencer, mas de os dois, juntos, avaliarem quais são os prós e os contras de encerrá-lo. Algumas pessoas, mesmo depois de alcançarem seus objetivos com a terapia, optam por dar continuidade às sessões para controlar o estresse, para ter um cotidiano mais leve e equilibrado.

8. É possível “dar um tempo” na terapia? 

Sim. Não é raro que alguns pacientes precisem de certo distanciamento do processo psicoterápico e do próprio terapeuta para elaborar e organizar algumas questões internas que vêm lhe incomodando. Pedir um tempo não uma ruptura. O paciente se sente acolhido e tranquilo porque sabe que pode voltar ao consultório assim que se sentir pronto.
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Os relacionamentos que temos são um reflexo da nossa autoestima

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As interações que temos com outras pessoas só valem à pena quando nos trazem sentimentos de bem estar, confiança, acolhimento mútuo. Compartilhar momentos ao lado de alguém que não faz você feliz mostra que algo no seu interior não vai bem.

Quando nos amamos e nos reconhecemos como merecedores de amor, não aceitamos receber menos do que temos para oferecer.  Uma das formas com que percebemos a qualidade do relacionamento em que estamos é observar como nos sentimos depois de estar com alguém.

Antes de tudo, as duas partes precisam ter o desejo de estabelecer e de manter uma conexão. As relações não são perfeitas e possuem diferentes caminhos até se transformarem em amor em movimento. Cada casal constrói sua história. Porém, é preciso diferenciar quando há um caminho a dois que pouco a pouco vai se desenhando, das tentativas de estar perto de alguém que responde com indiferença.

Se a atração e o sentimento não forem recíprocos e insistirmos, você pode até bater em portas que se abrem, mas apenas momentaneamente, não o convidarão a entrar. Quando isso acontece, a saúde emocional fica comprometida. Permanecer em um relacionamento em que não há sintonia é um processo que leva o indivíduo a se intoxicar emocionalmente.

Ninguém gosta de ser rejeitado, mas é preciso não tomar o não do outro como algo pessoal. Embora a rejeição é um dos sentimentos que mais nos desafiam a manter o equilíbrio emocional, já que ninguém tem controle sobre o desejo da outra pessoa. Em vez de manter a energia investida em alguém que não quer você, direcione-a para outras áreas. Não adianta insistir em estar com pessoas que não estão em sintonia com você.

Uma autoestima fortalecida ajuda a lidar com a frustração do não desejo do outro em relação ao nosso.

Quando cuidamos das nossas próprias necessidades deixamos de buscar no outro aquilo que precisamos nos dar. Ninguém tem a função de preencher carências ou assumir o papel de protetor da vida de outra pessoa. Somente quando nos tornamos comandantes das nossas vidas adquirimos a autonomia para fazer escolhas saudáveis nos relacionamentos.


Não somos metades incompletas, mas seres inteiros.

Se depois de encontrar alguém, frequentemente, você perceber que se sente ansioso, angustiado ou com a energia negativa, comece a questionar o relacionamento que mantém com aquela pessoa.

Outra atitude importante é observar o grau da sua carência afetiva. Quando esta é intensa, em geral, faz com que a pessoa se lance nos relacionamentos como se estivesse diante de uma taboa de salvação.Imagina que o outro corresponde às suas fantasias e se deixa convencer pela idealização que faz daquela pessoa.Termina por misturar o real com o imaginário, abrindo espaço para que as decepções ocorram.

Use a ferramenta da observação.

Ao observar o que a outra pessoa faz você passa a lidar com o real, uma vez que palavras são fáceis de serem ditas e não significam quase nada se não estiverem atreladas à ação.

Uma pessoa sedutora, por exemplo, tem o poder de encantar à primeira vista. Mas, a não ser que suas ações confirmem o que diz, não importam o charme, o poder de convencimento, fique com o que ela faz, pois aí está a verdade dela.

Não acredite em alguém pelo que a pessoa diz, mas a partir do que ela demonstra com suas ações.

Por mais atração que sinta por alguém, mantenha o discernimento, e preste atenção nas histórias que a pessoa conta, e em como se comporta.

Você tem direito a amar e ser amado. Não perca tempo e energia com pessoas que não contribuem para a sua felicidade. Dar e receber são polaridades da mesma energia. O amor só se realiza e se completa na vida a dois quando ambos estão voltados para a mesma direção.
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O que aprendi com a morte da minha mãe

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Uma parte dela está desesperadamente viva em mim, 
e uma parte de mim está para sempre morta com ela”.





26.304 horas .1096 dias. 3 anos. Apenas números por que parece que foi hoje. Falar da morte de alguém que nos amamos é muito difícil, não importa quanto tempo passe. Falar da morte da mãe e tão, par de impossível. Mas depois de três anos, refletindo sobre o buraco infinito que ficou dentro de mim, vejo que aprendi algumas coisas. E agora quero compartilhar com vocês.


Aprendi que o tempo não cura nada e para cada pessoa o processo de luto é diferente. Sim, eu sei que o luto passa por aquelas famosas cinco fases (Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). Mas não importa em que fase eu esteja , ela não tem uma ordem , não é linear e muito menos um tem tempo de duração de cada fase.

Aprendi que as pessoas que amamos são tiradas de nós sem qualquer explicação. A morte não pede licença e muito menos autorização. Ela chega de repente e não te pergunta se você viveu tempo suficiente e aproveitou esse tempo. Aliás, nenhum tempo é suficiente para passar com quem amamos, precisaríamos da eternidade para isso.

Aprendi que palavras de consolo como : você vai ficar bem, ou Um dia você vai se lembrar e sentir apenas saudades, sem dor, são cruéis e nunca devem ser ditas. Impossível não sentir dor quando você se lembra de alguém que já morreu. A saudade sempre estará, assim como a dor, o que irá mudar é o tamanho da dor. 

Aprendi que eu posso me permitir sofrer por que ela se foi e negar meus sentimentos é uma das formas mais masoquistas de me machucar. E ninguém tem nada a ver com isso, assim como ninguém tem nada a ver com quanta noites eu ainda choro com saudades.

Aprendi que as pessoas em geral não tem paciência com o enlutado. Eles querem que você reaja o mais rápido possível e siga a sua vida. Mas eu descobri que viver o luto é seguir a vida e que não posso negar o que sinto só por ué alguém não consegue lidar com a minha dor.

Aprendi que devo continuar vivendo a minha vida. Que devo perdoar por ela ter me deixado, mas principalmente, me perdoar por ter sobrevivido. Aprendi que ela partir não foi uma escolha dela e portanto, no fundo mesmo, não há nada a ser perdoado, eu preciso apenas aceitar a morte como parte da vida.

Aprendi que não devo parar de amar e cuidar das pessoas que ficaram. Isso seria injusto comigo e com quem ficou também. Meu pai e minhas irmã precisam de mim e ama-los é uma forma, talvez a única forma de honrar a morte da minha mãe.

Aprendi que o tempo é curto, que sou uma mortal e que devo sempre, aproveitar a vida da melhor forma. Seria um pecado se minha mãe descobrisse que não estou vivendo como ela sonhou e desejou que fosse minha vida.

Aprendi que preciso de ajuda e que não tem problema nenhum eu ficar quase todas as sessões de terapia falando dela, e que não tem relação problema se eu ainda não consigo falar dela fora da terapia , ou se não consigo ver fotos e vídeos da minha mãe ainda. Aprendi que respeitar o meu tempo é a melhor forma de ser curada.

Aprendi que posso ficar sozinha e me recolher na dor. Mas que no dia seguinte terei que levantar a cabeça e seguir adiante. O mundo não para para a gente se curar e que tudo bem, eu posso ter dias de altos e baixos.

Aprendi que nunca devo esquecer os conselhos da minha mãe e que existem momentos que preciso dos seus conselhos e como ela não está mais aqui, posso pedir para outra pessoa. Ela não vai ficar ofendida e o conselho não será o mesmo, mas tudo bem também. Cada pessoa pode me ajudar eu só preciso me abrir .

Aprendi que a vida é breve, que sou mais frágil que imaginei e que não existe dor maior que perder sua mãe (ou se pai ). Aprendi que não quero ter memórias dela, quero ter a minha mãe comigo. E não me importa quantas vezes alguém me fale que isso não é possível mais, eu continuo querendo.

Aprendi que eu posso ainda me divertir, sorrir novamente e que isso não é denegrir ou esquecer a minha mãe. Aprendi que devo lutar contra meus desejos de me boicotar e que não preciso ficar triste o tempo todo para eu saber que eu sinto a falta dela e que ainda me dói a sua morte.

Aprendi que minha vida nunca mais será da mesma forma, e que nada será igual. Mas isso não significa que será ruim. Será doloroso e sempre sentirei a falta dela, mas eu posso e devo me permitir viver a vida da forma como ela viveu: intensa, feliz e sempre cuidando do outro.

Aprendi que apesar de ser psicóloga, não sei lidar com a dor sozinha. Que preciso de terapia e que tudo bem ficar deprimida. Sou humana e irei fraquejar em varias momentos. Mas tenho que aceitar ajuda e virar paciente, para lidar com a minha perda como qualquer outro ser humano.

Aprendi que a saudade é dolorosa, que amar inclui perder , que amor igual ao da minha mãe eu nunca mais terei. Mas aprendi que tenho outros amores ( pai e irmãs) e que eu perdi minha mãe, mas não a minha família.

Aprendi que apesar das dores, das lágrimas, da raiva, a vida continua...e a única coisa eu posso fazer é continuar vivendo. Até o dia que nos encontraremos de novo. Pois isso é o que minha mãe faria, desistir não era uma palavra em seu vocabulário, e eu espero que todos os ensinamentos que ela me passou, o viver com intensidade, sem desistir, apesar de tudo, seja o mais forte na minha vida.


Te amo, mãe. Ontem, hoje e sempre.




Debora Oliveira
Psicóloga clínica

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14 manias mais comuns dos brasileiros

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Aquele quadro pendurado na parede torto para um lado incomoda ou não incomoda? 

Um quadro – uma poltrona, uma mesa, um bibelô etc etc etc – torto incomoda muita gente. Especificamente falando, mais de um terço dos brasileiros têm mania de arrumação e ficam irritados quando alguma coisa está fora do lugar. Uma pesquisa recente da PUC do Rio Grande do Sul entrevistou 15.490 brasileiros e descobriu nossas manias mais comuns. Veja quais são (e sinta-se menos um peixe fora d’água):

1. Não mexa, não toque

37,6% dos entrevistados se irritam se alguém muda de lugar coisas que já foram arrumadas.

2. Tudo no lugar

32,4% se incomodam se os objetos não estão devidamente arrumados em seus lugares.

3. Acumuladores

31,7% das pessoas evitam jogar coisas fora.

4. Espírito de porco

30,2% pensam coisas desagradáveis das pessoas. Têm mania de desconfiar dos outros, por exemplo.

5. Macaquinhos na cabeça

28,3% dos participantes da pesquisa não conseguem controlar seus pensamentos. (Um remédio simples para esses seria começar a praticar meditação).

6. Nos seus míiinimos detalhes

25,9% querem que as coisas fiquem arrumadas em uma determinada ordem. Todas as camisas brancas, todas as azuis, todas as rosas agrupadas dentro do guarda-roupas, por exemplo.

7. Será que eu desliguei o forno?

24,1% das pessoas verificam as coisas mais vezes do que o necessário. Tipo olhar três vezes se mandou mesmo aquele e-mail para a pessoa certa.

8. Quase uma superstição

13,2% dos entrevistados acreditam que há números bons e números ruins. O seu número “da sorte”, qual é?

9. Colecionadores

13% dos participantes da pesquisa disseram colecionar coisas de que não precisam. Eles são diferentes dos acumuladores: enquanto esses últimos juntam de tudo, os colecionadores acumulam coisas de um determinado gênero (como milhares de clips, por exemplo).

10. Tranquei a porta?

Dentre os que verificam demais as coisas, há um grupo com uma mania especial: a de portas, janelas e gavetas. 10,7% dos pesquisados verificam repetidamente esses três itens.

11. Mania de limpeza

Todo mundo sabe que lavar as mãos previne diversas doenças – como infecções alimentares e gripe, para citar somente duas. Mas 9,1% dos participantes da pesquisa exageram, e lavam as mãos muito mais vezes do que o necessário.

12. Turma do gás

Também há os que têm mania de verificar o gás, a torneira e os interruptores de luz: são 9% dos mais de 15 mil entrevistados, que insistem em dar uma segunda (e terceira, talvez quarta e até quinta) checada se desligaram e fecharam tudo certinho.

13. Os micróbios!

A gente sabe que precisa tomar aquele banho depois de fazer uma trilha no meio do mato, tomar uns tombos e se sujar todo de terra. Porém, 7,2% dos voluntários da pesquisa precisam de mais do que isso. Eles se lavam constantemente, porque sempre acham que estão contaminados.

14. Eca, pessoas

5,9% dos voluntários confessou não gostar de tocar em objetos quando sabem que ele já foi tocado por outras pessoas antes. Se elas estavam pensando em notas de dinheiro ou nos ferros de se segurar no metrô/ônibus, bem, não dá pra dizer que elas não tenham alguma razão.

Se você se identificou com alguma dessas manias, pode ficar tranquilo – você não está sozinho! Mas, atenção: essa mania atrapalha alguma coisa na sua vida? Você deixa de fazer alguma coisa, briga com as pessoas, rende menos no trabalho por causa dela? Se sim, é hora de procurar um médico, pois sua mania pode estar se transformando em um transtorno.

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9 Perguntas de Autoconhecimento que você precisa responder

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Fazer todas estas perguntas é, antes de tudo, uma oportunidade real, de aqui e agora, mergulhar profundamente em si mesmo e começar a adquirir maior autonomia sobre sua vida, seus resultados e sua história. Ao dispor das respostas, você terá mais chances de definir claramente os seus objetivos e, com isso, traçar planos de ações mais efetivos para realizá-los.


1. Quem eu sou na essência?

Quais são seus sentimentos, emoções, medos e motivações? Do que você gosta e não gosta? Em quem se inspira? Qual frase melhor te define? Quais seus livros preferidos? Quais são seus sonhos?

2. O que verdadeiramente me faz feliz?

Como é quando se sente feliz? O que faz você sentir-se pleno e realizado? Quando se sente em paz e equilibrado?

3. Qual o meu propósito de vida?

O que te faz levantar todos os dias? Pelo que você trabalha, luta, vive e dedica as suas energias? Nossa missão de vida é a guia de todos os nossos passos e realizações.

4. Quais os meus dons, talentos e habilidades?

O que eu tenho de melhor? O que me destaca dos demais? No que eu sou diferenciado, especial? Eu utilizo estas habilidades ao meu favor? Eu as conheço verdadeiramente?

5. Quais são os meus pontos de melhoria e como trabalhá-los?

Quais os comportamentos e atitudes sabotam meus resultados? Qual o meu plano de ação para eliminar ações que prejudicam minha carreira e relações pessoais? O que estou fazendo, verdadeiramente, para melhorar isso? Quero realmente mudar?

6. Onde e como eu quero estar daqui a 5,10, 20 anos?

Como eu desejo ser conhecido daqui a 20 anos? Quero estar no Brasil ou em outro país? Como eu quero ser visto pelos meus filhos? Qual será a minha renda? Estarei trabalhando para os outros ou em minha empresa?

7. Quais são as minhas principais conquistas até aqui?

Do que eu posso me orgulhar? O que eu fiz por mim, por minha família e sociedade que são dignos de reconhecimento? Terminei minha graduação, especialização? Tive meu primeiro filho? Comprei meu carro, minha casa própria? Realizei um grande sonho?

8. Como as pessoas ao meu redor me veem?

Sou respeitado, querido e amado por minha família? Eles reconhecem meus esforços para termos um futuro melhor? Sou visto como alguém solidário, prestativo e humano ou como uma pessoa egoísta e mimada?

9. Qual legado eu quero deixar para o mundo?

Como eu quero que as pessoas se lembrem de mim quando eu não estiver mais aqui? Por mim ou pelos meus feitos? Quero que me amem e me respeitem pelo que sou ou pelo que tenho? O que eu deixarei para minha comunidade? Como meu trabalho e minhas atitudes contribuirão para um mundo melhor?

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ALERTA: Por que os casos de HIV dispararam entre os jovens brasileiros?

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Os dados divulgados por um levantamento realizado pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde assustam: de 2006 a 2015, o número de brasileiros infectados pelo vírus da AIDS saltou, na faixa etária de 15 a 19 anos, de 2,4 para 6,9 para cada cem mil habitantes.

No caso de jovens com idades entre 20 e 24 anos, o número passou de 15,9 para 33,1; e para homens com idades entre 25 e 29 anos, de 40,9 para 49,5. Estatisticamente, os números revelam algo mais preocupante do que apenas números de grandes projeções: o vírus da AIDS voltou a crescer, principalmente entre os jovens.

Diferentemente da epidemia de HIV que assolou o Brasil na década de 80, a doença tem se alastrado de forma silenciosa entre os jovens. “O medo da morte, as imagens cadavéricas de pessoas que definhavam na segunda ala do hospital Emílio Ribas [localizado na região central da capital paulista] ficaram para trás, mas a doença ainda é grave. Naquela época, todo mundo tinha um amigo ou conhecia alguém que estava muito mal de AIDS”, explica o Dr. Paulo Olzon, infectologista e clínico geral da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Há um consenso de que o fato de a luta contra a doença, nos anos 1980, não ter sido vivida pela geração que hoje tem até 30 anos gera uma sensação de "normalidade". Não que apenas isso justifique o risco e o aumento de detecção, mas entidades e governo afirmam que é preciso mudar as campanhas e o meio de abordagem. Continuamos com essa visão hipócrita de que falar sobre sexo incita os mais jovens, e não damos ferramentas para que eles tomem decisões mais seguras em relação à sexualidade

As gerações mais velhas viram formas graves da Aids e tomaram outras atitudes. A juventude, com esses novos métodos [de tratamento], fica mais tranquila. É preciso achar novas formas de falar com os jovens sobre a infecção. A saúde pública precisa usar as mídias sociais, os aplicativos de encontro. As outras populações estão respondendo bem, a dificuldade é chegar ao jovem. 

A prevenção é fundamental

Os jovens estão deixando de usar camisinha. Apesar dos alertas de que o preservativo evita DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) ou gravidez indesejada, diferentes justificativas aparecem e a ausência da camisinha vira hábito.

Para ter uma ideia, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que 9 em cada 10 jovens de 15 a 19 anos sabem que usar camisinha é o melhor jeito de evitar HIV, mas mesmo assim, 6 em cada 10 destes adolescentes não usaram preservativo em alguma relação sexual no último ano.

Nem aqueles que são ainda mais jovens e estão no início da vida sexual dão atenção para o preservativo. A Pense (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar), publicada pelo IBGE, mostrou que em 2015, 33,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos que já tinham começado sua vida sexual não usou camisinha na última transa --o índice é nove pontos percentuais maior do que em 2012.

Quando perguntados, as justificativas para deixar de lado a proteção mesclam a falta de preocupação, de informação e o descuido.

Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, realizada em 2008 pelo Ministério da Saúde, revelou alguns fatores que contribuem para o aumento da vulnerabilidade de adolescentes e jovens ao HIV. Entre eles estão com dificuldade no acesso à informação e à formação; o pouco reconhecimento de direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens; os estigmas e preconceitos (de gênero, identidade de gênero, raça/etnia, orientação sexual, geração, viver com HIV/Aids, entre outros); pouco diálogo com as famílias, especialmente, sobre sexualidade; e baixa frequência de adolescentes e jovens nos serviços de saúde. 

A forma de se prevenir é através do uso de preservativo durante as relações sexuais. Hoje, não se vê mais campanhas, incentivos governamentais falando sobre o assunto. É preciso que essas informações cheguem aos jovens, que são muito diferentes dos portadores da década de 80, por exemplo. É muito raro morrer de AIDS hoje, mas isso não tira todo o estigma e sofrimento que essa pessoa vai passar durante a sua vida. É um tratamento para o resto da vida.

Deixar de usar camisinha não acarreta apenas na possibilidade de transmitir o vírus HIV, existem diversas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) que podem prejudicar a tua saúde. Em 2015, a sífilis teve um aumento de 32,7% entre os adultos, chegando a 65.878 casos no Brasil.


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LEI ESPECÍFICA PARA TDAH E DISLEXIA, ENTENDA O PL 7081/10

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Sobre as etapas e o andamento do projeto

O Projeto de Lei 7.081/10 específico para TDAH e Dislexia, inicialmente apresentado pelo ex-senador Gerson Camata – PMDB/ES em 2010, foi elaborado em conjunto com a ABDA – Associação Brasileira de Déficit de Atenção. Nos últimos 7 anos, a presidente da Associação, Iane Kestelman, tem acompanhado de perto a tramitação do projeto, lutando e se dedicando para conscientizar os membros das várias comissões necessárias para sua aprovação.

Em 2013, em uma das etapas necessárias para aprovação, o projeto foi analisado pela CEC – Comissão de Educação e Cultura, sob a relatoria da deputada Mara Gabrilli – PSDB/SP, que acabou sendo aprovado e seguiu para as etapas seguintes.

Até o momento o projeto já passou por quase todas as etapas necessárias para sua aprovação, resta ainda ser votada pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), que irá analisar sua constitucionalidade. Aprovada na CCJ, seguirá para votação dos 513 Deputados Federais, depois sanção Presidencial para, finalmente, virar lei.


Seu atual relator, Deputado Rubens Bueno – PPS/PR, irá apresentar e defender sua constitucionalidade junto à CCJ. Em 29/11/2017, a assessoria do deputado informou que o parecer favorável está sendo elaborado e em poucos dias será levado à Comissão.
Como a lei irá impactar na sociedade em favor da causa TDAH

A importância deste projeto é enorme e causará impactos positivos, como:

– Combater o preconceito e crenças equivocadas, como a que o TDAH não existe, dentre outros;
– Implantar, na formação docente, educação especial para informar e qualificar os professores sobre o tema. Professores qualificados são fundamentais na observação comportamental e possível encaminhamento para diagnóstico;
– Criar e implantar programas oficiais de diagnóstico e tratamento de crianças com TDAH e Dislexia;

Trata-se, até então, do principal projeto de lei para amparo das crianças com o TDAH e/ou Dislexia, desde a primeira infância.

Segue um resumo retirado do site da ABDA:

“O projeto de Lei 7081/2010, de autoria do Senador Gerson Camata (PMDB), cuja relatoria é da Deputada Federal Mara Gabrilli – PSDB – SP (Durante a apreciação pela CEC), tem por objetivo instituir, no âmbito da educação básica, a obrigatoriedade da manutenção de programa de diagnóstico e tratamento do TDAH e da Dislexia. O projeto já foi aprovado no senado e faltam apenas 3 comissões para ser aprovado na Câmara dos Deputados.

O projeto estabelece que as escolas devam assegurar aos alunos com TDAH e Dislexia acesso aos recursos didáticos adequados ao desenvolvimento de sua aprendizagem, e que os sistemas de ensino garantam aos professores formação própria sobre a identificação e abordagem pedagógica”
O que está incluso no projeto de lei e a quem se aplica

O projeto inicial define diretrizes constitucionais que garantem amparo à criança com TDAH ou Dislexia, ajudando-a a enfrentar e superar suas dificuldades naturais. Todavia, o projeto contempla apenas a educação básica, período considerado essencial para o diagnóstico e intervenção precoce nessas crianças. Quanto mais cedo for detectada as dificuldades e iniciada a intervenção necessária, maior a chance da criança se adaptar à vida escolar e menor a chance de sofrer as consequências de suas dificuldades, garantindo inclusão, qualidade de vida e um futuro próspero durante a fase escolar.

Atualmente o Projeto foi apensado (combinado com outros Projetos de Lei semelhantes) com os PLs 3040/08, 4933/09 e 5700/09. Esta medida é importante para facilitar sua aprovação junto às comissões, bem como reforçar e combinar benefícios e medidas de acesso para todo público alvo dos Projetos de Lei.



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“Como esse cara me convenceu de que eu era tonta?”: o abuso machista que ninguém parece ver

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Marina é o nome fictício —a seu pedido expresso— de uma mulher de 37 anos que durante dois anos sofreu maus-tratos psicológicos por parte de seu namorado. Concretamente, uma forma de abuso conhecida como gaslighting. Trata-se de um abuso sutil, manipulador, mediante o qual se desgasta a autoestima e a confiança da mulher em si mesma a ponto de anulá-la, de transformá-la em um punhado de dúvidas e medos.

A vítima quase nunca tem consciência de estar sendo abusada. Ou, pelo menos, não como se entende geralmente o termo, já que não há uma agressão clara. Simplesmente, quanto tudo é colocado em dúvida, tudo se discute e seus pontos de vista são sempre menosprezados, a mulher vai se fechando em si mesma. Trata-se também, consequentemente, de uma forma de abuso muito difícil de explicar para a vítima e ainda mais complicada de denunciar.

Marina conta: “Ele discutia sobre tudo. Tudo colocava em dúvida. Até as coisas que não têm discussão, como meu estado de espírito ou meus sentimentos. Tudo era um exagero meu, uma invenção ou uma paranoia. Tudo estava em minha cabeça, então acabei acreditando. Acabei acreditando que era eu que não estava à altura e, para não continuar decepcionando-o, me calava. Parei de opinar, parei de responder e simplesmente de me expressar. Fiquei completamente anulada como pessoa e ele tinha controle total sobre mim”.

Marina estava esgotada. “Fiquei sem forças, sem energia, todo dia preocupada em não aborrecê-lo, em não decepcioná-lo. Até que compreendi que aquilo não era normal, que não podia viver assim e que alguma coisa estava acontecendo.”

E quando Marina compreendeu, esbarrou na incompreensão. “Isso não é abuso, me dizia uma amiga. Você está exagerando... Isso me afundou mais. O pior golpe que recebi foi quando decidi denunciar. Quando já não conseguia mais porque ele me insultava, me depreciava, isso me gerou ansiedade e problemas psicológicos. Fui ao juizado e arquivaram meu caso. Disseram que não era abuso, que não havia provas...”. Marina chora. E, quando recupera o fôlego, acrescenta: “Cheguei a pensar: tomara que me arrebente a cabeça. Tomara que me dê uma pancada assim posso ir ao juiz sangrando e vão fazê-lo se afastar de mim”.

O gaslighting quase nunca exige o uso da violência explícita

O nome desse tipo de violência vem do filme Gaslight, de 1944. É um retrato da violência machista psicológica. No filme, o marido manipula sua mulher com sutileza até convencê-la de que ela imagina coisas, lembra mal as discussões e até a faz duvidar de sua cordura. Nisso basicamente consiste esse tipo de abuso psicológico. O abusador altera a percepção da realidade da vítima fazendo com que não seja consciente que padece de um abuso ou de uma situação que deve denunciar.

Bárbara Zorrilla é psicóloga especializada em atendimento a mulheres vítimas de violência de gênero. “O abuso gaslighting é uma forma de violência muito perversa, porque é contínua e se consegue mediante o exercício de um assédio constante, mas sutil e indireto, repetitivo, que vai gerando dúvidas e confusão na mulher que o sofre, a ponto de chegar a se sentir culpada das condutas de violência do abusador e duvidar de tudo que acontece à sua volta.”

Segundo Beatriz Villanueva, consultora especializada em gênero, esse tipo de abuso é tão frequente quanto invisível. “É um tipo de violência que encontro muito nas consultas. São mulheres que chegam esgotadas. A maioria vem sem ter consciência de que estão sofrendo maus-tratos psicológicos. Vêm porque estão cansadas, para baixo, anuladas. E é falando, raspando, que se dão conta de que estão o dia todo tentando se defender, tentando fazer valer seu ponto de vista, mas não conseguem nunca. E chegam a considerar que não valem nada.”

Há alguns dias, Beatriz conversou com uma jovem que lhe dizia sentir-se triste, temerosa, insegura. Mas não associava nenhuma dessas frustrações à possibilidade de estar sofrendo violência psicológica por parte de seu namorado, por quem dizia estar apaixonada. Beatriz lhe fez ver a situação que estava sofrendo. “Costuma haver uma incredulidade: ‘Eu? Maltratada?’ Mas em seguida, recapitulando, se dão conta de que foram anuladas por seus parceiros. E que isso as consumiu, as deixou sem forças.”

O gaslighting costuma passar por um processo reconhecível. “No início o abusador manipula constantemente as interações com o parceiro. Se ela lembra algo do tipo: ‘É que você me prometeu tal coisa’, ele responde com expressões do tipo: ‘Eu não te prometi nada’, ‘Por que você inventa essas coisas?’, ‘Está louca?’. Também invalida o ponto de vista da mulher quando expressa seus sentimentos ou se queixa de algo. ‘Eu não vi isso, você está exagerando; que filme você criou; como pode dizer isso...’. Tudo isso se sustenta com discussões constantes que desgastam ao extremo e deixam a mulher sem força, duvidando de seu próprio julgamento e sentindo-se uma pessoa pouco confiável ou inútil”.

“Como esse cara me convenceu de que eu era tonta?”

María tem 44 anos e ficou com seu parceiro por 13. Durante cada um deles sofreu maus-tratos psicológicos e só na última fase da relação teve consciência do que estava sofrendo.

María nasceu no Equador e muito jovem se mudou para a Espanha. Ela nos atende por telefone com a condição de manter o anonimato. Diz continuar tendo muito medo. “Minhas opiniões eram sempre sem sentido. ‘Você é de fora, não faz ideia.’ ‘Você não sabe o que está falando.’ No início, me falava até com educação, mas pouco a pouco ia anulando todas as minhas opiniões. Também as que tinham a ver com o que eu sentia. ‘Mas o que você está dizendo, como pode se sentir assim? Você é de fora, deveria estar agradecida...’ E, claro, eu pensava: ‘É verdade, deve ser assim’.”

“Com o tempo ele se tornou mais violento na forma de falar, invalidava tudo que eu dizia de forma agressiva. Mas fazia na frente das crianças, para que eu não respondesse nem me defendesse, porque ele sabia que eu não queria discutir na frente de nossos filhos. Então me dizia que era uma inútil ou que não servia para nada e eu me calava. De tanto dizer isso, acabou me calando sempre. Porque, claro, se eu respondia ficava pior. E preferia não discutir”.

“Pouco a pouco fui me convencendo de que não sabia me defender. Tinha medo de quase tudo. Mas não tinha consciência de que era por causa dele. Fui me anulando como pessoa. Não me atrevia a expressar opiniões na frente dele ou discutir alguma coisa. Se estávamos com amigos eu ficava quieta, não me atrevia nem a rir se alguém fazia alguma piada.”

“Cheguei a pensar: tomara que me arrebente a cabeça. Tomara que me dê uma pancada assim posso ir ao juiz sangrando e vão fazê-lo se afastar de mim”.

“O pior é que acreditava que ele tinha razão, que minhas opiniões não valiam e que era melhor ficar calada. Me eliminou como pessoa. Eu ficava esgotada, porque estava sempre preocupada em não incomodar, não discutir. Isso é esgotador. Tive ansiedade e engordei 20 quilos. Não conseguia mais.”

Beatriz Villanueva conta que o processo transforma a mulher em “uma pessoa insegura, em dúvida, que se questiona se está dizendo bobagens. Uma pessoa convencida de que suas opiniões não valem, que tem medo de falar, discutir, expressar seus pontos de vista...”.

Os últimos anos da relação de María foram os mais difíceis. “Foi o que me fez reagir”, explica. “Começou a exigir que o tratasse de senhor e me proibiu de dirigir. Foi quando me dei conta de que isso não era possível, que isso não é normal. E pedi ajuda à família e à justiça. O que acontece é que não me compreendiam totalmente. Não conseguiam ver que isso fosse abuso. E a juíza, que era uma mulher, arquivou meu caso. Aí desabei. Desabei totalmente. Ainda bem que segui adiante e por fim ele já recebeu uma ordem de afastamento.”

“Agora olho para trás e me dou conta de muitas coisas. De que me fez chegar a duvidar de se eu era uma inútil, me convenceu disso. Mas eu nunca fui tonta. Como esse cara conseguiu me convencer disso?”.

“Não há justiça para mim”

“Continuamos sem identificar a violência quando não há agressões físicas, sem entender que os efeitos dos maus-tratos psicológicos podem ser devastadores e até irreversíveis”, explica a psicóloga Bárbara Zorrilla.

Em não poucas ocasiões, o próprio entorno da vítima não percebe que essa situação seja um abuso. Em geral costuma ser interpretado como problemas de casal ou altos e baixos. Um cenário que empurra a mulher para se fechar em si mesma, não compartilhar a problemática e até, às vezes, convencer-se de que, assim como não param de repetir, não está sendo vítima de abuso.

“A própria vítima não tem consciência. Como a pessoa que me ama vai me maltratar? Quando por fim compreende, é muito doloroso. É muito difícil”, explica Beatriz Villanueva.

Ana, uma mulher de 45 anos de Valência, se separou de seu agora ex-marido quando este a agarrou pelo pescoço e a empurrou contra a parede. Foi só a ponta de um enorme iceberg de sofrimento psicológico. De fato, o empurrão, como ela reconhece, foi o que desencadeou sua reação depois de mais de dois anos de abuso sutil e incessante.

Um dos problemas que Ana enfrenta agora é que seu ex-marido continua assediando-a. “Me manda mensagens ou whatsapps dizendo que não sei cuidar de nossa filha e que não sirvo para isso. O que me dizia sempre quando estávamos juntos. Me manda fotos pornográficas dizendo que assim é que teria de ser...”.

Ana foi a um quartel da policia militar espanhola com as mensagens e tentou explicar os maus-tratos psicológicos aos quais o marido a submetia havia anos. “Mas nem me deram bola. Me disseram que não havia insultos ali, que ele nem tinha me batido. E que não podiam fazer nada. Que isso não era abuso.” A voz de Ana embarga.

Foi também ao juizado, mas seu caso foi arquivado. “Estou abatida, tenho ansiedade. Não tenho forças, nem vontade de me arrumar nem de sair de casa. Consigo me convencer de que não sirvo para nada. E tudo sem insultos nem golpes. Então não há justiça para mim. Não há justiça...”.

A violência gaslighting, como explica Beatriz Villanueva, quase nunca exige o uso da violência explícita. Inclusive, muitas vezes, se reveste de um certo bom mocismo: “Eu só quero ajudar, apesar de parecer que faço tudo errado; me ouça, confie em mim, é para o seu bem...”. Por isso, às vezes, também os homens sofrem de gaslighting por parte de suas parceiras. Nesses casos ainda é mais difícil para a vítima, e sobretudo para o entorno, detectar que o homem está sofrendo abuso.

“A tática é o afeto intermitente. Demonstrações de amor e carinho, arrependimento, condescendência e promessas de felicidade futura fazem a mulher acreditar que se ela mudar, ele também o fará e que só poderá encontrar a felicidade a seu lado porque só tem a ele”, explica a psicóloga Bárbara Zorrilla. “A violência explícita é reprovada e castigada. Qual é a alternativa? Usar a manipulação, o vitimismo. O gaslighting”, acrescenta Beatriz.



Isso desemboca em cenários muito graves. Muitas mulheres só são capazes de reagir quando são agredidas fisicamente. Também, às vezes, é quando o entorno e as autoridades abrem os olhos.

Frequente e entre jovens

“Este tipo de abuso é muito mais frequente do que se vê e percebemos. Também em gente jovem. Se perpetua, e responde a papéis os casais assumem”, explica Beatriz.

A psicóloga Bárbara Zorrilla considera que instituições e autoridades devem melhorar e ampliar sua formação em violência de gênero: “As mulheres precisam que tanto seu entorno como a administração publica, por meio de seus recursos de atenção especializada, as ajude a identificar essa violência, sua intencionalidade, seus mecanismos e suas consequências. Para isso é preciso continuar trabalhando na sensibilização da população em geral e na formação de todos os profissionais que as atendem, não só no âmbito judicial, mas médico, policial... para que possam acompanhá-las, ajudá-las a construir seu relato, dotá-las de credibilidade e devolver-lhes a liberdade que lhes hão roubado”.




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