domingo, 23 de abril de 2017

Estudos relatam por que pensamos tanto antes de dormir.

As vezes nos deitamos, morrendo de sono, achando que vamos ter uma maravilhosa noite de sono e do nada, ficamos pensativos, e é nessas horas que começamos a ter pensamentos e ideias geniais. E porque esses pensamentos e ideias surgem exatamente na hora que estamos indo dormir? Vocês já tiveram essa percepção?


Durante o dia os pensamentos não ocorrem em menor número, na verdade o foco é menor e os níveis de distração são superiores em relação aos mesmos níveis quando estamos na cama à noite. Um estudo realizado pelo professor de neurologia e ciência cognitiva da Johns Hopkins University, Barry Gordon, parece ter a resposta.

“Nós estamos conscientes de uma pequena fração de pensamento que surge nas nossas mentes, e apenas conseguimos controlar uma pequena parte dos nossos pensamentos conscientes,” diz Gordon. “A grande maioria dos nossos esforços de pensamento mantém-se no subconsciente. Apenas um ou dois desses pensamentos são propensos a entrar no consciente num dado momento.”

A maioria das pessoas pensa que são donas do próprio corpo, e até dos pensamentos, e isso levanta aquela velha discussão do pensamento positivo vs negativo, mas a ciência diz o contrário: “Os pensamentos intrusivos que possam experienciar durante o dia ou antes de dormir ilustram o facto desconcertante que muitas das funções da mente estão fora do controlo consciente”, afirma Gordon.

Não deixando de lado o processo de decisão, Gordon ainda afirma o seguinte: “mesmo as decisões deliberadas não estão completamente sobre o nosso poder. A nossa sensibilização apenas define o início e o fim de um objetivo mas deixa a implementação para o processo mental inconsciente.”

A forma como a ausência de poder está relacionada com os pensamentos que surgem no período pré-descanso deriva do foco: “Nós exercemos algum poder sobre os nossos pensamentos, dirigindo a nossa atenção, como um holofote, para se concentrar em algo específico. Embora os pensamentos possam parecer que “saltam” do consciente antes de dormir, os seus percursores cognitivos têm estado, provavelmente, a ferver durante um tempo. Uma vez que esses pensamentos pré-conscientes reúnem força suficiente, o foco total da consciência atua sobre eles.”

Mas afinal, porque pensamos tanto antes de dormir? Um dos problemas com o estilo de vida moderno é que todo mundo provavelmente fica ocupado o dia inteiro, seja lá com o trabalho, com as redes sociais, vendo televisão, e isso faz com que existam poucas oportunidades para uma reflexão silenciosa em que você não é interrompido. Então, qual a hora que conseguimos pensar sem distrações? Exatamente na hora que colocamos a cabeça no travesseiro começamos a ter o famoso diálogo interno.

Mas porque temos as melhores ideias quando estamos menos produtivos?

Bom, um outro estudo feito por Mareike Wieth e Rose Zachs, revela que durante as pausas na produtividade, nós ficamos distraídos com mais facilidade, e essas distrações podem ajudar na nossa criatividade. Para estabelecer isso, eles fizeram aos participantes da pesquisa uma mistura de perguntas analíticas e outras intuitivas. As perguntas analíticas necessitavam de um longo e tedioso trabalho para chegar à resposta, as perguntas intuitivas precisavam de um lampejo de inspiração para decifrar. O resultado? As perguntas intuitivas foram completadas com mais eficácia quando participantes estavam presos na parte tediosa do ritmo circadiano.

Aparentemente, estar menos focado em uma tarefa te torna mais aberto a distrações, e pronto para explorar novas ideias. Então, dependendo do tipo de trabalho que estiver executando, você pode se sair melhor se mudar um pouco os seus horários. Se você está mais produtivo para trabalhar de manhã, tire vantagem disso e faça o trabalho tedioso ou mecânico durante esse período. Dessa maneira, você pode usar as pausas para trabalhos criativos.

Bom, resumindo a nossa matéria, já que não podemos controlar nossos pensamentos antes de dormir e se eles surgem numa altura de maior foco, isso significa que já estão dentro de si há algum tempo, e o melhor a se fazer é aproveitar esse pequeno controle e pensar no melhor, até porque, se é para pensar em algo antes de dormir, que seja pensamentos que vão adicionar algo na a sua vida.

sábado, 22 de abril de 2017

Príncipe Harry relata como a terapia o ajudou a lidar com a morte da sua mãe.

O filho da princesa Diana comentou que teve dois anos muito complicados antes de entender que precisaria de ajuda para ficar bem.


príncipe Harry comentou sobre como precisou fazer terapia depois de passar por alguns anos 'cheios de caos', há algum tempo.

O príncipe Harry, de 32 anos, falou abertamente sobre a 'guerra' que as pessoas com problemas mentais têm consigo mesmas, incluindo o seu próprio sofrimento após a perda da mãe, a princesa Diana. No primeiro episódio do podcast Mad World, do The Telegraph, Harry contou à jornalista Bryony Gordon como foram os anos que se seguiram à morte da Princesa de Gales.

“Passava a maior parte da minha vida a dizer ‘eu estou bem’ e o que é certo é que a maioria de nós não está preparada para bater tão fundo. Por isso, hoje estou bem, um pouco nervoso e com o peito apertado, mas estou bem”, contou Harry, durante a meia hora de entrevista, onde também se falou da fundação de apoio às pessoas com problemas de saúde mental criada pelo príncipe e pelos Duques de Cambridge, William e Kate Middleton, a Heads Together.

O príncipe referiu que o facto de ter perdido a mãe em 1997 e da morte ter sido tão mediática afetou a sua vida pessoal e pública e, consequentemente, a sua saúde mental. “Posso dizer seguramente que ter perdido a minha mãe com 12 anos e, a partir daí, me ter fechado e não ter expressado as minhas emoções durante os últimos 20 anos teve um impacto muito sério na minha vida pessoal, mas também no me trabalho”, contou.

“A minha maneira de lidar com isso foi enfiar a cabeça na areia e recusar-me a pensar na minha mãe, porque de que forma é que pensar me ia ajudar?”. Depois de anos a evitar esses pensamentos e de ter acumulado esse sofrimento ao longo dos seus 20 anos, o príncipe diz ter vivido o “caos total” durante dois anos.

Com 28, e com o “enorme apoio” do irmão William, Harry começou a procurar profissionais e a fazer terapia. O príncipe começou também a praticar boxe como mecanismo de compensação. “Estava prestes a bater em alguém”, confessou.

Príncipe Harry, disse ainda que decidiu revelar o que passou como forma de incentivar as pessoas a quebrarem o estigma que envolve questões de saúde mental e da necessidade de procurar um psicólogo quando precisa de ajuda.

"Por causa do processo pelo qual venho passando nos últimos 2, 3 anos, eu agora consigo levar o meu trabalho a sério, levar a minha vida pessoal a sério e colocar todo o meu esforço naquilo que realmente faz a diferença", disse. "Não importa quem você é, a conversa precisa ser o começo dessa mudança".

quinta-feira, 20 de abril de 2017

7 coisas que os bebês aprendem antes mesmo de nascerem.



A gestação pode ser dividida em algumas fases, com mais detalhes através de um acompanhamento semana à semana ou de forma mais ampla, a cada trimestre. Em ambos os casos, este acompanhamento é acompanhado de diversas mudanças no corpo do bebê e também no corpo da mulher. Ou seja, é possível acompanhar o feto em desenvolvimento, bem como as alterações no corpo da mamãe durante a gravidez. 

Bom, mas vocês sabiam que os bebês já começam a aprender algo sobre o mundo quando ainda estão na barriga da mãe? Tendo isso em mentem nós resolvemos trazer para vocês algumas uma lista das coisas que todos nós aprendemos quando ainda estávamos no ventre de nossas mães:

1 – Doce x Amargo

Mesmo consumindo apenas leite até mais ou menos o 6º mês de vida, os bebês já podem distinguir os sabores amargos ou doces ainda quando estão no ventre da mãe. Isso porque os sabores que a mãe ingeri estão presentes no líquido amniótico, e esses sabores são transmitidos pelo bebê. Sendo assim, quanto mais a mãe tiver uma alimentação diversificada, melhor será o desenvolvimento das papilas gustativas do bebê.

2 – Reconhecer a voz da mãe

Lá dentro do ventre da mãe não é um silêncio completo, na verdade, o bebê escuta sons produzidos pelo estômago da mãe e o bater compassado do seu coração. Mas o som mais significativo que existe para uma criança que ainda está no ventre é a voz da mãe. Eles conhecem tanto que ao nascer, os bebês se aninham perfeitamente e ficam tranquilos quando vão para os braços da mãe. Quando bebê está no sétimo ou oitavo mês, seus batimentos cardíacos diminuem quando escutam a voz da mãe, e isso indica que que a voz materna tem um efeito calmante sobre a criança.

3 – Ouvir sons

Como citamos acima, os bebês já reconhecem a voz da mãe quando estão no ventre, mas também aprendem a ouvir. Um grupo de cientistas da Finlândia fez um experimento com dois grupos de mulheres grávidas. Um grupo escutava canções de ninar diariamente, o outro grupo não. O resultado foi que os bebês do primeiro grupo reagiram as músicas enquanto o outro grupo de bebês era indiferente. Os pesquisadores chegaram a conclusão que o primeiro deve ter aprendido as canções de ninar enquanto estavam dentro do útero, o que faz muito sentido.

4 – Eles percebem a luz

Acreditem, mesmo protegido dentro do útero, o feto começa a perceber a luminosidade a partir da 28ª semana de gestação. Dependendo da maneira como se aponta uma lanterna para a barriga, o bebê pode mudar de posição, como se estivesse se protegendo a exposição à luz. Talvez seja por isso que algumas pessoas afirmam que o bebê deve nascer em uma local com pouca iluminação, para que ele se adeque a intensidade da luz extrema.

5 – Soluço

Vocês sabiam que os bebês podem soluçar dentro do útero? Isso fica mais evidente no terceiro trimestre, e as vezes a mãe teve que isso seja o bebê tendo desconfortos. Mas o que acontece é exatamente ao contrário, pois o soluço na vida intrauterina pode significar bem-estar. Na verdade, esse movimento é uma das coisas que os médicos usam para servir como parâmetro para medir a vitalidade fetal.

6 – Aromas

O líquido amniótico além de transportar o sabor dos alimentos também absorve os odores dos alimentos. Alguns médicos aconselham que o recém nascido seja colocado no peito da mãe assim que ele nasce para reconhecer de imediato o cheiro materno.

7 – Sonhos

Alguns especialistas afirmam que bebês começam a sonhar quando ainda estão no úteo da mãe. Isso porque a análise de comportamento dos fetos durante a realização das ecografias, permitiu analisar os bebês fazendo movimentos rápidos com os olhos, indicando que estão sonhando.

Nomofobia: quando a tecnologia escraviza.


Você consegue ficar longe de seu aparelho celular por 10 minutos ou mais? Ou já parou para perceber quantas vezes durante uma hora desbloqueia a tela de seu equipamento apenas para averiguar as coisas? Se você se identifica com essas situações fique atento, pode ser que seja uma pessoa “nomofóbica” – nomenclatura dada a pessoas que sofrem com o desconforto ou a angústia causados pela incapacidade de comunicação através de aparelhos celulares ou computadores.


Algumas pessoas chega a abrir mão de várias coisas, como por exemplo, sair com amigos, por causa do celular. E por conta disso, alguns especialistas afirmam que essa pode ser a doença que tem os sintomas dos maiores vícios do futuro.


O fenômeno da nomofobia foi apontado em pesquisa realizada em 2012 na França. Durante um estudo no país, 34% dos jovens de 15 a 19 anos por lá achavam “impossível” ficar mais de um dia sem celular. Quando os números se referem ao Brasil, a situação não parece ser muito diferente. Atualmente, há mais de 276 milhões de aparelhos celulares com linhas ativas no país, o que ultrapassa em mais de 70 milhões o número de brasileiros.


A pesquisadora do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Anna Lucia Spear King, conta que em um estudo, 34% dos entrevistados sem problemas psicológicos afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto. E 54% definiram como “pavor” o fato de ficar sem o aparelho.


“A nomofobia não costuma aparecer sozinha. Em geral, está associada aos transtornos de ansiedade, que podem ser síndrome do pânico, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, entre outros. Tratando essas doenças com remédios e terapia, a nomofobia também desaparece”, disse Anna.


A revista Time e Qualcomm realizaram uma pesquisa em diversos países sobre o assunto e chegaram a conclusão que o uso de celular está cada vez maior. Durante a pesquisa cinco mil participantes foram entrevistados, destes, 79% disseram que se sentem mal sem o telefone. No Brasil, a pesquisa também foi aplicada, e 58% disseram que usam o celular a cada 30 minutos, outros 35% a cada dez minutos.


Sintomas


Angústia, ansiedade, falta de ar, náuseas e depressão são alguns dos sintomas que uma pessoa namofóbica pode apresentar seguido de hábitos como manter o celular ligado 24 horas por dia e dormir com o celular embaixo do travesseiro, mentir sobre tempo gasto na rede, carregar consigo mais de uma bateria, carregadores ou aparelhos reserva, conferir obsessivamente as chamadas, e-mails e mensagens de aplicativos, deixar de fazer atividades que gosta para ficar no celular ou na internet e colocar relacionamento ou trabalho em risco por conta do aparelho.


“Quando você repete determinado comportamento, como, por exemplo, o jogo compulsivo, depois de poucos minutos ocorre a liberação de dopamina (conhecida como “hormônio do prazer”), que faz com que a motivação seja aumentada, renovada, criando assim um círculo vicioso. No caso do smartphone, este comportamento leva a pessoa à necessidade de ficar cada vez mais conectada, em contato com o aparelho”, disse o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu.


Ainda segundo ele, as consequências desse vício podem ser sentidas no organismo. Uma pesquisa realizada na Coreia do Sul, comparou os efeitos no cérebro de pessoas que costumam passar muito tempo na internet com dependentes de álcool e outras drogas. E, de acordo com Nabuco, em todos os casos analisados houve desgaste significativo na bainha de mielina – uma substância branca que envolve o neurônio e aumenta a velocidade de condução do impulso nervoso, algo que já era uma consequência neuroquímica conhecida do consumo abusivo de drogas, mas ainda não havia sido relatada em dependentes digitais.


Tratamento


A psicoterapia é vista como um tratamento para a doença, dependendo da dependência, se ela estiver associada a outros transtornos psiquiátricos, pode ser que precise usar medicamentos.


Especialistas afirmam que algumas atividades também podem ajudar no tratamento ou evitar que a pessoa se torne nomofóbica, como, por exemplo, fazer atividades que estimulem convívio social e a saúde, como a prática de esportes, ficar atentos a possíveis surgimentos de problemas emocionais que tenham relação com o uso da tecnologia, como briga com a família, e evitar o uso de dispositivos em atividades em que é possível priorizar o convívio com familiares, como encontros e festas.




Ouvir a dor . Acolher o sofrimento.




"Toda pessoa viva já pensou na morte. Pensar na morte faz parte da vida. O que diferencia alguém vivo de alguém morto é que o vivo ainda não morreu. Vida e morte são coisas claramente separadas, apenas nas palavras. Viver é morrer um pouco a cada dia. Morrer é parar de morrer. 

Uma vez, uma aluna minha, do curso de psicologia, disse que o “problema da vida” é que a gente já nasce morrendo. Assim, pensar na morte, faz parte da nossa constituição psíquica. É normal, não tem nada de errado com quem pensa na morte.

Porém, a gente não pensa na morte de modo uniforme, ao longo de toda a vida. Se tem um tempo onde é mais comum pensar na morte, esse tempo, certamente, é a adolescência. 

Isso porque, na primeira infância, a gente vive como se fosse objeto do outro. “Sou da mamãe”, “sou do papai”, “sou da dinda”, dizem os bordados nos macacões e babadores que os bebês usam. Quer dizer, somos do outro. 

É no fim da infância e no começo da adolescência que vamos tomando posse do nosso corpo. É só aí que vamos entendendo, (inconscientemente, porque geralmente não percebemos que pensamos nisso) que nós pertencemos a nós mesmos. 

Se por um lado isso pode ser libertador, pois “se sou de mim mesmo, posso fazer o que eu quiser da minha vida” – por outro lado, isso pode ser vivido como pura angústia: “não sou de ninguém, então, não há ninguém por mim”.

O encontro com essa descoberta em torno da liberdade/solidão, próprio da adolescência, pode levar vários jovens a imaginarem como seria a sua morte, como seria a reação das pessoas diante da morte dele. E pode levar os jovens ao desejo de morte – não como quem quer morrer, mas como quem quer levar o outro a sentir sua falta.

No texto “Luto e melancolia” Freud diz que ninguém tem energia suficiente para tirar a própria vida, a não ser que entenda que, tirando a própria vida, está matando alguém em si. Nesse sentido, fica fácil entender como algumas pessoas podem tentar ou até mesmo conseguir tirar a própria vida. Nada parece mais eficaz para fazer falta no outro do que a eternização de uma falta.

Assim, é comum na adolescência, certa melancolia. Os sentidos que os pais deram aos seus filhos para a vida, até então, demonstram falir. 

Até que os adolescentes encontrem seus próprios motivos para viver, por meio dos amigos, das causas e dos amores, um luto pode advir. É preciso que o adolescente possa expressar sua tristeza, porque vai descobrindo que seu modo de ver a vida, não é exatamente o mesmo que o dos pais.

É por aí que ideias suicidas podem aparecer, e é bem aí que o jogo a baleia azul pode “cair como uma luva”. Um desastre.

Se o adolescente consegue elaborar sua tristeza dizendo do que o incomoda, isso é uma coisa – e tem solução. Mas se ele não pode elaborar isso, se ele não encontra palavras para falar dessa tristeza, e então, se depara com o jogo da "baleia azul", então temos um problema de solução mais difícil, bem mais difícil. 

Um adolescente que levava a ferro e fogo as palavras dos pais, diante da falência das palavras deles, pode encontrar no jogo da "baleia azul", algo que substitua o que os pais disseram. É aí que mora o perigo.

Por isso, pais, é de extrema importância que a gente fale com nossos filhos adolescentes. Não sobre o jogo da baleia azul, ou sobre o GTA (que é aquele video-game super agressivo que deixa muita gente de cabelo em pé) ou sobre o 13 reasons why, mas sobre as coisas da vida. Sobre a vida do vizinho, sobre a matéria do jornal, sobre o filme que passou na tevê, sobre propagandas,  trivialidades, sobre qualquer coisa.

O desejo de morrer, ou as fantasias sobre a morte, que esses jovens nos trazem, não devem nos assustar e assim nos levar a apressadamente a calá-los - mas deve nos convocar a escutá-los, deve nos levar ao  convite para falarem mais disso.

A palavra é o único modo de elaborarmos. Com aquilo que vira palavra podemos fazer algo. Mas aquilo que não vira palavra, nos faz refém dos acontecimentos.

Então, bora falar e ouvir."

Ana Suy 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Baleia rosa: Página lança desafios em favor da vida em oposição a "Baleia Azul".


Com uma caneta rosa, escreva na pele de uma pessoa quanto a ama"; "Pense na situação que te deixou mais feliz na sua vida... Pensou? Agora aproveite essa lembrança. ;-)". São desafios desse tipo que a página Baleia Rosa propõe aos internautas como uma resposta positiva ao jogo suicida que tem dado o que falar nos últimos dias.


"Eu fiquei muito impressionada quando soube desse jogo. Eu e um amigo decidimos então criar essas atividades que fossem positivas, que ajudassem na autoestima das pessoas. A gente queria incentivar as pessoas a fazerem bem para outras", conta a idealizadora da iniciativa, uma publicitária de 30 anos que preferiu não se identificar porque tem recebido muitas mensagens e não quer dar um rosto à baleia.


Criada no dia 13, a página já tem cerca de 119 mil seguidores e está gerando uma corrente do bem entre os usuários que, além de compartilhar os desafios, tiram fotos e postam nos comentários para provar que cumpriram as missões.


Além dos compartilhamentos, a página também tem recebido muitas mensagens de adolescentes pedindo ajuda. Por isso, a dupla de criadores buscou uma psicóloga que está respondendo às mensagens mais complexas. Eles estão surpresos com a repercussão, mas felizes. "A gente quer que isso se espalhe, que vire algo bom para as pessoas, que possa ajudar essas crianças

domingo, 16 de abril de 2017

15 sinais que ajudam a definir um relacionamento abusivo


1. Em qualquer conversa é comum ele fazer você sentir que não entende nada ou que está sempre errada.

Nem precisa ser uma discussão. E a forma de fazer isso pode ser sutil: não precisa ser uma frase direta, como um "nossa, que burro isso que você disse", mas a impressão é a de que você nunca fala nada de bom e está sempre completamente equivocada.

Quando se fala em relacionamentos abusivos é muito comum pensar na violência física, por ser a mais visível. Mas ela não é a única. Nesse caso, temos a violência moral. "O principal na violência moral é a desqualificação da companheira e a humilhação", explica Marina Ganzarolli, advogada, doutoranda em Sociologia Jurídica (USP) e cofundadora da DeFEMde-Rede Feminista de Juristas. Ele nunca encostou a mão em você, mas está sempre fazendo você se sentir um lixo.

2. Quando você não concorda com ele, ouve coisas como "você é louca", que "isso é coisa da sua cabeça" ou que você está fazendo drama à toa.

Isso se chama gaslighting e é o abuso emocional em que o parceiro faz com que você comece a questionar sua própria compreensão da realidade.

3. Ele se acha no direito de controlar a sua vida e as suas escolhas.

Pode ser que ele queira que você troque de roupa. Que tire seu batom vermelho. Ou não goste que você tenha amigos homens. Ou, ainda, tente controlar onde você "pode" e "não pode" ir. Já ouviu algo como "mulher minha não faz/usa/fala isso"?

Ciúmes, possessividade e tentar ser controlador são comportamentos clássicos do companheiro que podem levar uma mulher para uma relação de violência, explica a juíza Teresa Cristina Cabral, da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo (Comesp).

Isto também pode extrapolar para a violência patrimonial: passa a não ser só uma vontade, ele de fato controla suas contas, suas roupas, dá o dinheiro que você pode gastar, etc.

4. Você faz coisas contra a sua vontade por medo de como ele pode reagir. Ou ele não respeita quando você diz "não", inclusive durante o sexo.

Você não tá a fim de transar, mas ele insiste. Ou então você "acaba cedendo" porque quer agradá-lo. "A agressão sexual acontece também em relacionamentos", diz a jurista Marina Ganzarolli. "Ele faz você se sentir culpada ou na obrigação de satisfazê-lo. E pode acontecer o estupro mesmo, como o sexo anal forçado durante o sexo, por exemplo".

5. Ele "nunca te bateu", mas você costuma ter hematomas causados por ele ou ele usa a força física "para te acalmar".

A agressão física não é só um tapa, um empurrão. Ela também passa pelo beliscão ou por aquele hábito dele de "te segurar com força" quando vocês estão discutindo, deixando as marcas dos dedos deles nos seus braços, ou quando ele tenta te abraçar à força quando você não quer mais ficar perto dele, por exemplo.

6. Ele te fala que ninguém nunca vai te amar, te aceitar ou te querer além dele.

Estas são falas típicas da violência psicológica, que pode ser feita a partir da chantagem, da ameaça e do controle. Frases como "se você fizer isso quer dizer que não me ama" e "se você não fizer isso eu vou embora" também se encaixam.

7. Ele não reage bem a suas conquistas e às coisas boas que acontecem na sua vida.

O dia em que vocês saem para comemorar uma coisa boa que te aconteceu inclui uma discussão besta sobre qualquer outra coisinha que mostre que você não é boa o suficiente, fazendo você questionar a si mesma.

8. Ele não gosta que você fale com outras pessoas, especialmente longe dele, ou tenta te fazer acreditar que a única opinião que você deve ouvir é a dele.

Este isolamento ajuda a provocar seu afastamento da família ou de amigos que possam te ajudar a sair do relacionamento abusivo.

9. Ele faz você sentir que a culpa por ele ser agressivo ou ameaçador é sua.

Esta é uma das maiores mentiras da relação abusiva. Lembre-se que a culpa pelas ações dele nunca é sua. Nunca. Você não "está pedindo". Você não "tirou ele do sério". Ele é responsável pelos atos dele, não você. Não se culpe.

10. As ações dele fazem você se sentir estranha ou questionar se o que aconteceu foi normal.

Não releve o que você está sentindo e aproveite para conversar com alguém em quem você confia, como uma amiga que você sabe que vai te ouvir sem te julgar. Nem sempre percebemos o que está acontecendo e falar pode te fazer entender melhor a situação. "Quando a mulher tenta falar e descrever as situações, ela percebe que aquilo não é normal ou natural", diz Marina.

11. Ele fala que em briga de homem e mulher outras pessoas não devem interferir e que seus problemas são "coisa de casal".

No Brasil, dois terços dos casos denunciados de violência contra a mulher são praticados por atuais ou ex-companheiros, segundo boletim de novembro de 2016 da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM).

"Se a gente olha de forma estatística, você vê que não se trata de um problema doméstico, individual, mas sim de saúde pública, de educação. Tudo o que esta mulher está passando a vizinha tá passando, a mulher da rua de baixo está passando, a mulher de outro bairro está passando", diz Marina Ganzarolli.

12. Ele não te agride, mas desconta a agressividade batendo em mesas, portas e outros objetos.

Isto é sim uma forma de ameaça, de demonstrar a força dele e de dizer que você pode ser a próxima.

13. Ele grita com você.

Lembre: violência não é só física. E tanto a juíza Teresa Cristina Cabral quanto a jurista Marina Ganzarolli reforçam: é muito comum que haja um escalonamento da violência. O que começa com um grito pode sim se tornar um tapa no futuro.

14. Ele te agride.

Pode parecer óbvio, mas é sempre bom lembrar: não, não está tudo bem, isso não é certo, você não merece e – novamente – isso não é sua culpa.

15. Ele sempre é agressivo ou violento, mas toda vez promete que não vai mais fazer isso.

Marina Ganzarolli explica que no ciclo da violência, após o momento da explosão (a briga, a agressão, a violência), logo vem o período conhecido como "lua de mel".

É quando ele se mostra arrependido, diz que sabe que fez merda, promete que vai mudar, que vai fazer terapia, te dá presentes, fala o quanto te ama, te valoriza, te ouve, muda de sapo para príncipe. É nessa hora que a mulher desiste de denunciar o abusador.

"A mulher não quer se livrar do companheiro, quer se livrar da violência", diz Marina. Nesse período, parece que vai ficar tudo bem. "Mas pode demorar horas, dias, um mês, um ano: o ciclo de violência sempre dá a volta".

Se você está em um relacionamento abusivo ou conhece alguém que está em um relacionamento abusivo, procure ajuda.

Você pode conversar com alguém de sua confiança, ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher que funciona sete dias por semana e 24 horas por dia, ou procurar uma Delegacia da Mulher.


Segundo o o Mapa da Violência 2015 | Homicídio de Mulheres no Brasil , duas a cada três vítimas de violência atendidas pelo SUS são mulheres. Mas, vale lembrar, não são apenas homens que podem ser violentos em relacionamentos.