Plataforma da USP ensina a escrever artigo científico





Para melhorar o nível de qualidade na elaboração de artigos científicos por pesquisadores brasileiros, a Universidade de São Paulo – líder em produção científica no país -, lançou o curso de Escrita Científica: produção de artigos de alto impacto. Formatado para a web e oferecido gratuitamente, o curso tem como objetivo auxiliar pesquisadores e estudantes de pós-graduação na elaboração de artigos de maior relevância acadêmica.

Além disso, o site traz uma série de materiais, incluindo apostilas e vídeo-aulas, baseados em quase uma década de experiência do Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, na criação e aplicação de cursos e minicursos em Escrita Científica. Os cursos abordam tópicos em Estrutura e Linguagem, de forma modular, e foram desenvolvidos especialmente para qualificar cientistas, pesquisadores e alunos de pós-graduação para o processamento e produção de Artigos Científicos de Alto Impacto.


A redação de trabalhos científicos, elaborados para serem publicados em revistas de alto impacto (como a Science, Nature e a Clinics) é um dos gargalos para o crescimento da produção científica das universidades, incluindo a própria USP, afirmou o pró-reitor de pesquisa da instituição Marco Antonio Zago, em reunião recente com dirigentes da universidade. “A técnica não é dominada amplamente, em especial pelos pesquisadores principiantes e alunos de pós-graduação”, disse Zago.
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Recomendamos: O Que Me Faz Pular – Naoki Higashida

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Naoki Higashida sofre de autismo severo. Preso em seu mundo individual, muitas vezes ele exibe comportamentos vistos como estranhos, peculiares, “inadequados”. Seja repetindo palavras e frases aparentemente sem sentido ou evitando contato visual com as pessoas, Naoki tem uma enorme dificuldade de se comunicar e de socializar.

Porém, graças à determinação da mãe e de sua professora, ele aprendeu a se expressar apontando as letras em uma espécie de teclado de papelão – e o que tem a dizer traz uma nova luz para a compreensão da mente autista.

“O que me faz pular”, um relato íntimo e perspicaz que explica o comportamento muitas vezes desconcertante de pessoas com autismo. Além de compartilhar suas percepções de tempo, vida, beleza e natureza, o autor apresenta também pequenos contos que provam, sem deixar dúvida, que não lhe faltam imaginação, senso de humor e empatia. 

O livro traz uma nova luz para entendermos a mente autista. O jovem explica o comportamento muitas vezes desconcertante das pessoas com autismo e compartilha conosco suas percepções de tempo, vida, beleza e natureza, apresentadas em um relato e um conto inesquecível. Delicado, poético e profundamente íntimo. Vale a pena a leitura. Para baixar é só clicar no link abaixo. Aproveite!

Download: clique aqui
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O curso que 'ensina a ser feliz', o mais concorrido da Universidade de Yale

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Um quarto dos alunos da Universidade de Yale, nos EUA, se inscreveu em janeiro em uma nova matéria chamada Psicologia e Vida Boa, que ensina como ser feliz.

"O objetivo é que os estudantes aprendam a ciência da felicidade e a ponham em prática", disse Laurie Santos, professora da matéria, ao jornal universitário Yale Daily News.

Com mais de 1,2 mil alunos inscritos, o curso se tornou o mais popular nos três séculos de história de Yale. O recorde anterior datava dos anos 1990, com 1.050 alunos inscritos no curso Psicologia e a Lei, oferecido pelo presidente da universidade, Peter Salovey.

O curso, conhecido como Psyc 157, se fundamenta nos conceitos da psicologia positiva, uma área científica iniciada em 1998 e que estuda a felicidade e o bem-estar.

"Grande parte das aulas se concentra nos conceitos errôneos que associamos à felicidade e em por que nossa mente gera esse tipo de pensamento", diz Santos.

"Revemos as informações sobre o que realmente faz as pessoas felizes e depois fazemos as chamadas reconexões, pequenos exercícios para criar no cérebro novas conexões ligadas aos nossos hábitos", ela acrescenta.

As aulas são dadas duas vezes por semana e incluem a produção de textos, leitura teórica e até questionários. Há também uma prova escrita no meio do semestre, dois projetos de pesquisa e um trabalho final sobre superação pessoal - que precisa ser em primeira pessoa.

O Psyc 157 também tem uma prática chamada hack yourself, emque os alunos têm que ir completando uma série de atividades e tarefas para "ter uma vida mais feliz, saudável e produtiva".  Uma das tarefas, por exemplo, é escrever todos os dias durante uma semana um "diário da gratidão".

Grito por ajuda

Para Santos, o motivo de tanto interesse nas aulas é o desejo dos estudantes por mudança. Segundo ela, nos últimos anos do colégio, muitos deles abrem mão de cuidar de si mesmos para se dedicarem ao processo seletivo para entrarem na universidade. Isso faz com que cheguem a Yale estressados, ansiosos e com outros problemas de saúde mental.

"Aqui eles percebem que não estão tão felizes como poderiam ser e querem tomar uma atitude para mudar isso", disse Santos ao Yale Daily News.

"Acredito que os estudantes querem ter uma conversa sobre saúde mental, os níveis de estresse no campus e sobre o que podem fazer para melhorar as coisas. Essa aula pode ser um catalisador de algumas mudanças culturais positivas."

Diversos alunos têm compartilhado nas redes sociais como o curso os ajuda a lidar com o estresse do meio acadêmico. Há também os que admitem estar cursando a disciplina para conseguir créditos "fáceis" para ser formar.

O Psyc 157 veio na esteira de uma tendência educativa mais ampla, de universidades de elite dos EUA que estão querendo dar respostas às angústias da geração Y.

Em 2015, por exemplo, uma das matérias mais populares da Universidade de Stanford foi a Desenhando sua Vida, na qual se ensinava como fazer escolhas na vida – tanto pessoas quanto profissionais.

Disponível online

Apesar de sua boa reputação como pesquisadora e diretora de uma das residências estudantis, Laurie Santos se surpreendeu com a popularidade do curso. Ela esperava ter apenas uma centena de alunos.

A universidade também foi pega de surpresa, e teve que mudar as aulas para o principal auditório da instituição.

A popularidade também gerou problemas com outras matérias de horário coincidente, porque gerou uma queda nas inscrições.

Santos disse que não voltará a oferecer a disciplina devido ao transtorno causado por tantas inscrições. No entanto, um resumo do curso será disponibilizado na internet para quem tiver interesse.
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Nova resolução do CFP regulamenta atendimento on-line

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Profissionais da Psicologia vão ter nova resolução sobre os serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância. A decisão de reformular a Resolução CFP 11/2012 foi tomada por delegadas e delegados da categoria reunidos em Brasília, no mês passado (16/12), durante a Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (Apaf).

Realizada pelo menos duas vezes ao ano, a Assembleia do Sistema Conselhos é composta por conselheiros federais e regionais de Psicologia. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) tem até três delegados na reunião e o número de representantes regionais varia de um a três, dependendo da quantidade de profissionais inscritos no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

A nova norma considera ser dever profissional prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional e também nas disposições do Código de Ética e que os meios tecnológicos de informação e comunicação (TICs) são ferramentas que podem ajudar no atendimento síncrono ou assíncrono.

A prestação dos seguintes serviços psicológicos, desde que não firam o Código de Ética, foi regulamentada: as consultas e atendimentos psicológicos; processos de seleção de pessoal; uso de instrumentos psicológicos regulamentados com parecer favorável do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi); supervisão técnica.

Para prestar serviços por meio de TICs, a profissional da Psicologia deve estar cadastrado no CFP.

O atendimento de pessoas e grupos em situação de urgência e emergência de forma on-line foi considerado inadequado e o atendimento em situação de violação de direitos ou de violência, vedado, segundo a nova norma. Ambos devem ser executados de forma presencial.

A nova resolução entrará em vigor 180 ( seis meses) dias após a data de sua publicação (16/12/2017).

Veja a matéria no site do Conselho Federal de Psicologia : CFP



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Sobre números, escolhas e problemas da vida: o por quê escolhi Psicologia

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Vira e mexe alguém me pergunta como escolhi a Psicologia. Como soube que essa seria a minha profissão. Conto a verdade e falo humildemente que tive uma inspiração divina com luzes e trombetas em um sonho e meu lado humanitário e bondoso quis ajudar o próximo , perdido em seus traumas e dores. Mentira! Não foi assim. A minha escolha não tem nada apoteótico ou hollywoodiano. É mais simples do que você imagina. 


Nunca fui aquela criança de sonhar. Não quis ser bailarina e tão pouco astronauta. Não quis ser médica e nem descobrir a cura para algo milagroso. Não sei se não aprendi a sonhar , mas aprendi cedo que a vida não era essa fantasia que as pessoas imaginam ser. Come on, eu era uma criança que assistia noticiário!

Mas eu era uma daquelas crianças que as pessoas por algum motivo que não sei explicar, achavam prodígio. Nunca dei trabalho na escola, nunca peguei recuperação e a única nota vermelha que tirei em toda a minha vida acadêmica foi em matemática, quando eu tinha nove anos. Preste atenção, aqui começa a revelação.

Foi tão traumático aquele momento da minha vida, que nunca mais tirei uma nota vermelha. Mas também nunca mais me simpatizei com essa matéria. Ela se tornou minha rival. Acho que por isso ir para a área de humanas foi tão natural. Eu queria fugir dos números. Pronto ! Você descobriu! Vou repetir: eu queria fugir dos números. Nada de bem humanitário. 

Escolhi psicologia e quão foi a minha triste surpresa , quando descobri que tinha estatística. Sim, pode rir. Não era apenas um semestre, mas dois. A única coisa que eu achava que precisaria dos números nesse ponto da minha vida, era para saber quanto um paciente iria me pagar e só. Terrível engano. Os números me perseguiam novamente, mas dessa vez , eu estava disposta a não me deixar vencer por eles.

Não sei se foi a determinação , o pensamento positivo, ou os tratos que eu fazia com Deus , implorando que me fizesse entender e me deixasse passar. Bom, passei. Mas de longe foi ali que a minha neura com os números pararam.

O tempo passou, a idade chegou pesando aos poucos e com isso os números voltaram a me aterrorizar. Eu sei, agora estou sendo dramática, pois nem cheguei aos 40 . Preciso levar isso para a terapia. Mas é claro que Psicólogo faz terapia e tem problemas , caso você esteja aí se questionando.

É o número do colesterol no exame que me mostra que estou precisando maneirar no hambúrguer. A calça já saiu do 38 faz tempo. Ontem contei e tirei cinco cabelos brancos. CINCO! E não para por aí. Os números estão em toda parte tentando me escravizar e me derrotar. Eles estão no números de horas que não dormi fazendo prontuários, eles estão na minha conta bancária me mostrando que esse mês está tudo bem, mas mês que vem... Só Deus sabe!

Os números estão em toda parte. Não tenho como fugir deles. Mas esse texto não é para falar sobre eles, embora até aqui eu esteja dando um baita ibope para ele. Tão pouco esse texto é para falar da minha escolha profissional ( te peguei né ?). Esse texto é para te mostrar que sempre teremos algo que será nosso ponto fraco. Algo que nos perturba e nos tira o sono. Pode ser o filho que não obedece, o emprego que não vem, a crise econômica, a dor de cabeça, mas pode ser principalmente , fatores emocionais, como a baixa autoestima, o auto boicote frente as conquistas, a ansiedade, depressão e por aí vai.

A questão aqui é te mostrar que todos nós temos uma ou varias áreas que nos atormentam, que rouba a nossa paz. Porém você pode tentar fugir dela e descobrir que ela irá te encontrar na esquina ou você pode enfrentar e mostrar quem manda nessa bagaça. Leia de novo essa ultima frase. Volta lá, eu te espero.

“Todos nós temos uma ou varias áreas que nos atormentam, que rouba a nossa paz. Porém você pode tentar fugir dela e descobrir que ela irá te encontrar na esquina ou você pode enfrentar e mostrar quem manda nessa bagaça.”

Os números não são meu único ponto fraco. Sou humana e assim como você tenho várias dificuldades, medos e inseguranças. Mas sei que o melhor que posso fazer é enfrentar o que me perturba e quando não consigo enfrentar sozinha procuro ajuda ( calculadora serve né?). 

O importante é você perceber que na vida sempre teremos algo que irá nos perturbar e tentar nos destruir. Pode ser algo simples como os números ou pode ser algo bem traumático. Não importa! A dor e a dificuldade é só sua e portanto, cabe somente a você procurar enfrentar, como e quando irá enfrentar. O modo como você lida com seus problemas é que irá determinar quem sairá vitorioso. Você pode fugir, você pode se esconder, mas você nunca poderá fingir que aquilo que te atormenta não existe. Então , cá entre nós, vamos enfrentar isso e ser feliz?


A escolha é sua! 

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica

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Cientistas mapearam como os genes causam doenças mentais

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É comum dizer que doenças mentais são de família. Embora isso seja verdade, os cientistas possuem pouquíssima sorte quando se trata de entender como os nossos genes influenciam o risco de desenvolvimento de depressão ou esquizofrenia.

Uma nova pesquisa publicada na revista Science parece oferecer uma peça valiosa para entender melhor o tema: um itinerário sobre como os genes são expressados de forma diferente nos cérebros de pessoas com uma das cinco principais doenças psiquiátricas.

Uma aliança internacional de pesquisadores peneirou dados de estudos passados que analisavam a composição genética do cérebro de pessoas – doados após a morte – que foram diagnosticadas com depressão clínica, esquizofrenia, transtornos do espectro do autismo, alcoolismo ou transtorno bipolar. Os estudos envolveram 700 pessoas no total.

Os pesquisadores analisaram especificamente as moléculas de RNA encontradas dentro das células cerebrais no cortex cerebral, que “leem” e traduzem o DNA que compõe cada célula. Isso permitiu que vissem de forma ampla e então mapeassem como as células realizavam as instruções genéticas com as quais foram codificadas. Por fim, utilizaram cérebros de pessoas com uma condição não psiquiátrica, a síndrome do intestino irritável, como grupo de controle.

Eles descobriram muitas sobreposições distintas de atividade molecular entre os cérebros de pessoas com transtornos psiquiátricos, o que não foi encontrado nos cérebros “saudáveis”, indicando que muitos dos mesmos tipos de disfunções biológicas os sustentam.

“Essas descobertas oferecem uma assinatura molecular e patológica dessas doenças, o que é um grande avanço”, disse o autor sênior Daniel Geschwind, professor de neurologia, psiquiatria e genética humana do Centro de Tratamento e Pesquisa de Autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, em comunicado.

As descobertas podem mudar a forma como conceitualizamos certas doenças mentais. Por exemplo, a assinatura molecular observada nos cérebros de pessoas com transtorno bipolar era a mais parecida com a assinatura de pessoas que sofriam de esquizofrenia. Isso foi uma surpresa para os cientistas, já que os sintomas são muito diferentes entre si.

Há algumas diferenças chaves surpreendentes, também. Os cérebros das pessoas que sofriam de alcoolismo não compartilhavam quase nada em comum com os outros. O que é um confronto a pesquisa anteriores que sugerem que depressão e alcoolismo geralmente estão geneticamente conectados.

Os genes não são de nenhuma maneira a influência única sobre como as células realizam (ou falham ao realizar) o trabalho que lhes é dado; o ambiente no qual passamos a nossa vida também possui um papel importante. E não existe nenhuma mutação genética que explicará por que uma pessoa tem tendência a desenvolver depressão.

Mas agora os cientistas entendem melhor que o risco genético de doença mental de uma pessoa provem de muitas variações genéticas quase insignificantes – algumas incrivelmente comuns, algumas raras – que interagem umas com as outras de maneiras que ainda não compreendemos.

Geschwind e sua equipe acreditam que a pesquisa oferecerá muitas pistas novas aos cientistas. E essas pistas talvez levem não apenas a testes de diagnósticos, mas também a tratamentos.

Segundo o conteúdo da Science Magazine, alguns dos pesquisadores estão procurando um estudo clínico para testar um tratamento para autismo, baseando-se nos fatos deste estudo e outros que sugerem que determinadas células cerebrais chamadas micróglias parecem ser hiperativas nos cérebros daqueles que possuem a condição.

Mas boa parte desse trabalho ainda está por vir.

“Mostramos que essas mudanças moleculares no cérebro estão conectadas a causas genéticas subjacentes, mas ainda não entendemos os mecanismos pelos quais esses fatores genéticos levam a essas mudanças”, disse Geschwind. “Então, embora tenhamos algum entendimento das causas, e esse novo trabalho mostre as consequências, precisamos ainda entender os mecanismos nos quais isso ocorre, para desenvolver a capacidade de mudar esses resultados.”


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O trabalho intenso do cérebro quando estamos divagando

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Sente-se, relaxe e não pense em nada. É difícil? Pode existir uma boa razão pela qual a mente divaga e se direciona para os mais diferentes pensamentos, mesmo quando se tenta desligá-la: nosso cérebro nunca descansa realmente.


E ao contrário do que se pensa normalmente, "sonhar acordado", como os psicólogos chamam, pode até mesmo trazer benefícios à mente e ao corpo.

Por muitos anos, cientistas assumiram que nossos cérebros trabalham duro quanto têm um trabalho a fazer e "desligam" quando não somos estimulados. É por isso que você costuma ler sobre experimentos em que voluntários têm que realizar tarefas como bater o dedo na mesa, fazer contas de cabeça ou olhar para determinadas imagens enquanto se submetem a uma ressonância magnética.

A ressonância revela quais partes do cérebro se tornam mais ou menos ativas durante cada tarefa. Mas os neurocientistas se surpreenderam ao descobrir que, quando o cérebro está supostamente descansando, ele na verdade está mais ativo do que nunca.

Os resultados de pesquisas recentes sugerem que divagar pode ser uma estratégia do organismo para organizar a memória, preparar-se para o futuro e até mesmo para manter o corpo funcionando corretamente - inclusive naqueles momentos em que você deveria estar prestando atenção em outra coisa.

"A divagação por muito tempo foi vista como algo negativo. Queremos produtividade das pessoas, queremos que elas prestem atenção. A escola é basicamente um treinamento para isso. Mas nos últimos anos, o que tem se notado é que o cérebro está sempre indo de um lugar para outro", disse o neurocientista Daniel Margulies, pesquisador do Instituto Max Planck para Ciências Cognitivas e do Cérebro Humano, na Alemanha.

"Nos momentos em que estamos atentos e focados em algo nós conseguimos apenas controlar um pouco essa atividade. Então, como o cérebro está divagando o tempo todo, começamos a achar que isso deve ter uma função metabólica e psicológica."

Uso de energia

A equipe de pesquisadores coordenada por Margulies tenta descobrir o que examente acontece dentro da sua cabeça enquanto você divaga. Mas o interesse no assunto, segundo o cientista, é recente.

"Sempre assumimos que a atividade contínua do cérebro humano - essas flutuações que parecem ondas gigantes - era uma espécie de ruído. Demorou algum tempo para que os cientistas desse campo reconhecessem que havia, nesse ruído, sinais com algum significado."

Um dos primeiros estudos que levantava essa hipótese foi publicado em 1995. Dois anos depois, em 1997, um levantamento analisou resultados de diversas pesquisas sobre a rede de neurônios que "acende" no cérebro quando estamos prestando atenção em algo - e encontrou um resultado surpreendente.

Os estudos davam a entender que os momentos de maior atividade no cérebro dos pacientes era quando estavam apenas deitados sem fazer nada, e não quando estavam realizando atividades.

"Não só o cérebro trabalha, como há algumas regiões específicas que ficam consistemente mais ativas quando a pessoa não está fazendo nada, em comparação com diversas outras atividades. Também estamos estudando o que exatamente estas regiões estão fazendo nesse estado padrão", diz Margulies.

Isso ajudaria a explicar por que o cérebro gasta um percentual tão alto da energia do corpo - cerca de 20% da Taxa Metabólica de Repouso (RMR, na sigla em inglês), a energia que o organismo usa durante um dia sem muita atividade física.

"Estamos justamente tentando entender este mistério: o que o cérebro está fazendo com tanta energia, se ela não parece estar sendo gasta nas atividades diárias às quais ele se dedica, e, sim, nos pensamentos aleatórios? Essa questão não é só psicológica, mas fisiológica também."

Muitas tarefas

Se sonhar acordado requer tanto trabalho e energia, não é de espantar que este seja um dos principais motores da criatividade humana, de acordo com os pesquisadores.

"A divagação é provavelmente o momento em que as coisas mais interessantes que fazemos acontecem. É muito importante para o pensamento criativo", disse  Charles Fernyhough, professor de psicologia na Universidade de Durham, no Reino Unido.

"Esse momento está muito ligado à memória e ao processamento do passado e ao planejamento do futuro. Além disso, também refletimos sobre nossos relacionamentos com outras pessoas e sobre problemas que precisam ser resolvidos, o que eu chamo de 'jardinagem social'."

Os ganhos específicos do cérebro nos momentos em que divagamos ainda são, no entanto, uma incógnita para os pesquisadores.

Ao entrar em um avião, por exemplo, é comum pensar: "E se ele cair?". Para Margulies, esse tipo de projeção pode ser também uma forma que o cérebro encontra de estar preparado para diversos cenários.

"Ainda há uma certa confusão no nosso entendimento do porquê divagamos e por que a nossa atividade cerebral permanece contínua", admite.

Uma das teorias mais aceitas, segundo o neurocientista, é a de que sonhar acordado é também o tempo que o cérebro usa para organizar sua lista de afazeres.

"Para mim, o cérebro parece estar fazendo faxina e manutenção da atividade corrente e das necessidades metabólicas. É um sistema enorme para manter funcionando, são muitas células."

"Então é provável que só uma parte pequena dessa atividade seja realmente responsável por nosso estado mental - se estamos estressados ou relaxados. Pensamos que estar num estado meditativo apenas é estar num momento em que o cérebro está mais calmo. Mas continua tendo muitas coisas a fazer", explica.
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Dias traiçoeiros

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“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.” 
(Chico Buarque)

Sabe aqueles dias em que não deveríamos ter saído da cama? Sabe aqueles momentos em que desejamos sumir? Sabe aquelas situações em que nos encontramos aparentemente sem saída, sem respiração, coração saindo pela boca? Nada disso é gratuito; muito pelo contrário.


Nossas vidas são pontuadas por momentos preciosos e outros nem tanto – e há aqueles dias de lágrimas e tristeza sem fim. É inevitável termos de passar por isso, por esses reveses que machucam, esgarçam nossa alma, atropelam nossos sentidos. Parece que, por não conseguirmos conter dentro de nós tanta coisa boa que acontece, as rasteiras e os imprevistos vêm aparar isso tudo, como uma poda de sobrevivência. A alegria ininterrupta acabaria por descaracterizar a si própria, neutralizando-se e tornando-nos toleráveis à sensação de ganho e plenitude. Perderíamos, assim, a capacidade de deslumbramento frente ao contentamento e à beleza, uma vez que seria algo fácil, excedente, trivial. E o comum não nos provoca nada, não nos chacoalha os sentidos, não nos impele a agir.

Instalada de vez em nossas vidas, a felicidade não seria mais o objetivo de ninguém e, se não lutamos por ganhos, perdemos todos. Quando agimos em busca do bem, da felicidade, nossas ações atingem a várias pessoas, pois o raio das boas e das más ações é infinito. Atingindo-se o fim por inteiro, então o percurso finda e nada mais se alcança. Porque a vida é aquilo que acontece enquanto se vive. A felicidade, da mesma forma, é aquilo que se experimenta e se dissemina enquanto se procura. À medida que corremos atrás dela, vamos deixando pessoas felizes pelo caminho e nos fortalecendo, tornando-nos mais humanos, mais gente. Essa busca constante é mágica e imprescindível. Tanto nós mesmos quanto os indivíduos à nossa volta dela dependem. Afinal, não estamos sozinhos e as conseqüências de nossas atitudes atingem a muitas pessoas, seja positiva ou negativamente.

Nosso primeiro impulso, em meio às tempestades da vida, é querer que essa dor fira a tudo e a todos, pois nosso egoísmo, da mesma forma como nos provoca a inveja da felicidade alheia, não aceita que nós soframos sozinhos. Muitas vezes, em meio a essa escuridão, tentamos puxar para dentro dela quem se encontra à nossa volta, ofendendo, agredindo, violentando e culpando o outro pelos resultados de nossas próprias escolhas. Creio que muitos relacionamentos desmoronam por conta das cicatrizes que esses dias imprimem, pois o entendimento não consegue adentrar tanta dor e ressentimento e o amor vai morrendo aos poucos sob as violências verbais, os gritos, as ofensas e toda escuridão que transborda e inunda as vidas envolvidas. E, embora a dor fira, ela também ensina, incita à reflexão, à ponderação, obrigando-nos a rever nossos atos e a tentar aprimorá-los – a vida muitas vezes está nos dando a chance de recomeçar, embora seja quase impossível enxergarmos algo no calor de nossas emoções. Não há dúvidas de que sofrer nos fortalece, mas é preciso muita coragem e força de vontade para não nos deixarmos sucumbir, para não ruirmos por dentro e destruirmos nossos laços com quem caminha conosco diariamente.

Embora pareça injusto comparar uma dor à outra, existem ventanias que passam e nos retiram nossas maiores referências, o chão que nos sustenta, revestindo-se de tragédias avassaladoras, como a perda de um filho, de um braço ou de uma perna, das faculdades mentais, de nossa alma gêmea. Intensas demais, ou de menos, nossas perdas e frustrações nos clamam por nos despirmos de todo e qualquer fingimento, para que desçamos às profundezas mais recônditas de nossa escuridão solitária, sintamos essa dor dilacerante em toda sua crueldade, em todo o desespero e impotência que ela carrega, para que renasçamos, retirando força do que nos sobrou em nós mesmos e das presenças que insistem ficar ao nosso lado - pois há quem nunca desiste da gente -, para que nos impulsionemos de volta à vida, cujas cores e tonalidades aos poucos se descarregam do cinza, cujo ar então se torna menos rarefeito, menos sufocante. O enfrentamento corajoso daquilo que nos aniquila é uma viagem só nossa, por isso atrair os outros aos nossos vazios e pesadelos emocionais é covarde e injusto.

Os sobrevivente às intempéries físicas e sentimentais estão à nossa volta, ao nosso redor, ali na mesa do bar, no carro ao lado, nas manchetes dos jornais, no seio de nossa família. A mãe que visita o túmulo do filho, o jovem que se adapta ao braço mecânico, o moço que brada no pronto-socorro pelo atendimento à esposa deitada no chão frio, o catador de lixo que passa em concurso público, enfim, os exemplos de luta, enfrentamento e superação convivem conosco, mostrando-nos que nossa lida não é mais nem menos penosa e que deve ser combatida em tudo o que nos entristece, enfraquece e aniquila. E, assim como colhemos de acordo com a qualidade de nossas sementes, teremos uma ou mais mãos amigas e fortes nos amparando e nos resgatando de nossas misérias emocionais, de acordo com a forma como cultivamos nossos relacionamentos diários. Infelizmente, os invernos emocionais são recorrentes em nosso caminhar. Felizmente, eles haverão de passar, para que a dinâmica da vida prossiga mais forte, mais lúcida, acolhendo-nos, nesse ciclo, cada vez mais confiantes e prontos para amarmos e sermos felizes de novo – pelo menos até a próxima estação...

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As 4 coisas que toda criança deveria aprender para 'se proteger' de abusos

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Em entrevista à BBC Brasil, a nadadora Joanna Maranhão, vítima de abuso na infância, defendeu que a educação sexual é mais importante do que a caça a pedófilos no combate à violência sexual contra crianças.

No Brasil, esse é um tema considerado tabu e "restrito para adultos"; por isso, poucas escolas adotam um programa específico para tratar questões como abuso sexual, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), diversidade sexual, entre outras.

No entanto, já existem correntes de pensamento que defendem o ensino de educação sexual para crianças nas escolas justamente com o objetivo de ajudar a evitar esses problemas no futuro.

"Quando a criança já sabe alguma coisa de educação sexual, ela aprende a lidar com o que está acontecendo, fica preparada para isso", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, que promove a capacitação de professores na área.

"Já a criança não preparada se torna um alvo muito mais fácil para abusos. A descoberta sexual começa na infância, se você não trabalha isso, você exclui a sexualidade da criança."

Para preencher o que veem como "lacuna" nas escolas, algumas ONGs e institutos oferecem atividades para crianças e treinamento para professores sobre educação sexual.

A própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou uma cartilha mundial em 2010 com uma "Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade" para ser usada como base nas escolas.

A BBC Brasil consultou especialistas e preparou uma lista com estratégias que podem ser adotadas para ensinar educação sexual para crianças.

1) Reconhecimento do corpo: diferenças entre meninos e meninas

A primeira coisa que pode ser ensinada às crianças é o reconhecimento do corpo delas e as diferenças entre os meninos e as meninas. "Passamos para as crianças a ideia de que os corpos de menino e menina são diferentes e aí trabalhamos a questão do respeito", explica Vilela. "Na hora que ela perceber que não está sendo respeitada, significa que é para parar ali."

Para Vilela, o tema é um forte tabu para muitos pais. "Quando eles sabem que os professores estão falando algo para os filhos sobre sexo, eles já acham que os filhos vão começar a transar e ficam preocupados. Há uma grande resistência."

"O reconhecimento do corpo não vai fazer nenhum mal para as crianças, só vai fortalecê-las."

Em sua cartilha, a Unesco diz que "pesquisas de todo o mundo indicam claramente que a educação sexual raramente leva a um início sexual precoce, se é que o faz".

"A educação sexual pode levar a um comportamento sexual mais tardio e mais responsável, ou pode não ter nenhum impacto discernível sobre o comportamento sexual", diz o documento.

Vilela afirma ainda que é importante também ensinar a criança a cuidar de seu corpo. "O objetivo é fazer essa criança se tornar uma pessoa autônoma nesses cuidados. Quanto menos ela precisar de alguém que a limpe, que a lave, menos exposta ela vai estar e mais autonomia ela tem."

2) O que pode e o que não pode, partes do corpo que são 'públicas' e outras que são 'privadas'

Outra questão importante é explicar para a criança quais partes do corpo podem ser tocadas e quais não podem. "Elas precisam entender o conceito de público e privado. Entender que essas partes privadas do corpo, as pessoas não podem tocar", disse a educadora do Instituto Kaplan.

Vítima de abuso na infância, a nadadora Joanna Maranhão trabalha essa questão em atividades que promove com a ONG que fundou, a Infância Livre.

"A gente tem que explicar que existem partes que podem e outras que não podem ser tocadas, a não ser que seja por um médico ou pelo pai e pela mãe por causa de algum exame", disse Joanna à BBC Brasil.

"Tem até um joguinho, um pingue-pongue que eu faço com as crianças mostrando: mão aqui pode, mão aqui não pode. E tem vezes que tem menino que confunde, que acha que pode. Tem como ser de uma forma lúdica, mas ao mesmo tempo de uma forma séria."

3) O dono do seu corpo é você

Além de ensinar o reconhecimento do corpo à criança, é preciso também passar para ela a ideia de que aquele corpo tem um dono.

"Seu corpo é seu: ninguém pode tocá-lo sem sua permissão. Estabelecer uma comunicação direta com as crianças logo cedo sobre as partes privadas do corpo, usando os nomes corretos para as genitais, vai ajudar as crianças a entender o que é permitido para adultos que estejam em contato com eles. E vai ajudar a identificar comportamentos abusivos", diz a cartilha elaborada pelo Conselho da Europa para defesa dos Direitos Humanos sobre o tema.

"Elas precisam entender o funcionamento desse corpo, que ele tem sensibilidade, tem sensações, que essas sensações podem ser gostosas, mas podem também não ser. Vale pra qualquer parte do corpo. Carinho é uma coisa que a gente só recebe quando quiser", afirmou Vilela.

4) Estratégia: não gostou? Conte para alguém de confiança

Outra medida de proteção contra abusos é conscientizar as crianças de que, caso alguém faça alguma coisa que elas não gostem, é preciso contar isso para uma pessoa de confiança.

"Vá embora! Conte. Essa é uma das estratégias que devem ser ensinadas às crianças para que elas estejam preparadas a dizer 'não' a contatos físicos que julgarem inapropriados e para fugir de situações pouco seguras. Além disso, elas precisam contar o que aconteceu a um adulto de sua confiança o quanto antes", é a orientação da cartilha europeia.

Muitas vezes, o abusador da criança é alguém muito próximo, da família. Sendo assim, é importante também que os adultos próximos estejam preparados para ouvir o que a criança tem a dizer e não desacreditá-la logo de cara.

"Esse é um trabalho ainda mais complicado, com o adulto. Ele precisa dar ouvidos à criança", diz Vilela.

"Porque geralmente (o abuso) é com uma pessoa próxima. A reação dos pais normalmente é 'não seja mal educado'. O adulto precisa estar atento à mudança de comportamento da criança e, quando ela fizer a queixa, investigar em vez de logo desacreditá-la", concluiu Vilela.
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5 hábitos que você precisa abandonar se quiser fazer mais coisas úteis no seu dia

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Quem é que nunca sofreu ao se dar conta de que perdeu o dia inteiro fazendo coisas inúteis e não conseguiu terminar a única coisa que realmente precisava fazer, não é mesmo? Ou então levou um dia inteiro para acabar um trabalho besta.

Na área de administração e gestão, fala-se da chamada Lei de Parkinson, segundo a qual “O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização”. Segundo o historiador e administrador inglês Cyril Northcote Parkinson, vamos sempre nos ajustar para usar todo o prazo disponível para terminar uma tarefa – por mais simples que ela seja. Se você tem um dia todo para escrever um artigo que demoraria uma hora a ser feito, tende a usar esse dia todo para terminá-lo. Mas é claro que essa “lei” diz respeito a uma tendência que pode ser evitada. E alguns hábitos favorecem erros desse tipo. Veja cinco deles.

Fazer várias coisas ao mesmo tempo

Precisamos aceitar de uma vez este fato: não somos capazes de fazer mais de uma coisa que exija a concentração ao mesmo tempo. Ou você lê um livro ou assiste à TV; ou escreve um texto ou lê um artigo na internet. Fazer essas coisas ao mesmo tempo é impossível. Você só está, na verdade, alternando tarefas e perdendo mais tempo, já que perde a concentração cada vez que para de fazer uma coisa e vai para outra.

Trabalhar com o e-mail aberto

Ler e responder e-mails enquanto trabalha entra na categoria “fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo”, então a regra acima se aplica também aqui. É uma prática comum entre pessoas produtivas só checar o e-mail durante alguns períodos específicos do dia – logo de manhã, na hora do almoço e no fim da tarde, por exemplo. Deixe seus colegas saberem que, se tiverem algo urgente para tratar com você, devem lhe telefonar.

Ficar procurando coisas inúteis no Google

Você está concentrado no seu trabalho, mas aí olha para a janela, vê uma nuvem estranha e começa a se perguntar se vai chover. Então fica pensando em como sua avó conseguia prever o tempo só olhando para o céu, e resolve pesquisar no Google como fazer isso porque você também quer aprender. Quarenta minutos depois, você se vê assistindo a um vídeo sobre teorias da conspiração e não faz ideia de como chegou ali.

É meio perturbador se ver pesquisando sobre armas secretas da Rússia, sereias ou civilizações do centro da terra quando alguns minutos atrás você estava super determinado a terminar um relatório, mas às vezes essas grandes questões da vida aparecem na nossa cabeça e aparentemente a única solução possível é parar tudo e ir para o Google. Mas você sabe que esse é um hábito horrível se você tem trabalho a fazer, né? Parar uma tarefa para fazer outra no lugar quebra sua concentração e faz com que você perca um tempo valioso. Quando lhe vier à mente algo sobre o qual queira pesquisar ou alguma outra ideia, anote num papel e volte a fazer o que estava fazendo. Sim, isso já é uma interrupção, mas você já havia perdido o seu foco e pelo menos está lidando com isso de uma forma que não lhe faz perder ainda mais tempo.



Não priorizar as coisas

É legal ter um plano B para a sua vida caso as coisas não corram exatamente como você espera, e talvez seja com ter um plano C também (especialmente se você for jornalista). Mas muita gente dá um peso igual a todos esses planos enquanto ainda ataca outros objetivos menos importantes. É importante ter interesses variados e diversificar suas atividades, mas se perder de vista quais são as coisas mais importantes para você, vai ficar à deriva e nem saberá mais por que está fazendo as coisas que faz.

Isso vale não só para grandes planos de vida, mas para o seu planejamento de tarefas do dia a dia também. Por isso, lembre-se sempre de priorizar. Anote seus planos todos e depois separe os dois ou três que são realmente importantes – e foque neles. O mesmo com suas atividades diárias: organize-as em ordem de importância e siga essa ordem na hora de executá-las. Assim, se não conseguir concluir algo durante esse dia, pelo menos terá completado o que for mais importante. É bem provável que você acabe percebendo que as tarefas do fim da lista são dispensáveis. Ou pode perceber que é preciso delegá-las para outra pessoa fazer.

Deixar as tarefas mais importantes para o fim do dia

Você chega ao trabalho ainda meio sonolento e prefere começar com tarefas mais fáceis e deixa o que for mais pesado, embora mais importante, para depois? Se a resposta for sim, saiba que está no caminho errado. Pode parecer a saída mais esperta, mas seus efeitos vão contra você: não só nossa energia, mas também nossa força de vontade diminuem ao longo do dia. Logo, se você deixar o que for mais importante para depois, as chances de não conclui-las são altíssimas. Priorize suas coisas – de preferência, na noite anterior – e comece o dia já atacando o que tem de ser feito primeiro.



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O melhor jeito de convencer alguém a mudar hábitos

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O que você faria para convencer pessoas a economizar água? Ou a reciclar o lixo? Talvez a primeira coisa que lhe venha à cabeça seja fazer uma campanha persuasiva que explique a importância disso. Mas uma série de testes que compõem um estudo recente indica que existe um meio bem mais efetivo – e sutil – de promover mudanças comportamentais. Esse meio é convencer as pessoas de que as normas sociais relativas a esse hábito já estão mudando.


A gente sabe como é difícil mudar costumes. Parar de fumar, comer menos carne, passar a se preocupar mais com o meio ambiente, fazer exercícios físicos, tudo isso dá trabalho. Mas nossos comportamentos podem mudar. E comportamentos coletivos também.

Quer um exemplo recente? Até pouco tempo atrás, era impossível passar um tempo em um bar ou casa noturna sem sair cheirando a cigarro. As pessoas fumavam em lugares fechados e mal dava para imaginar um lugar público sem essa fumaça. Hoje, todo mundo parece ter se adaptado muito bem às novas regras. Outro exemplo é o uso do cinto de segurança: já foi um incômodo, mas é uma prática padrão hoje.

“Uma questão que nos interessa do ponto de vista psicológico é como as mudanças sociais ocorrem. O que leva as pessoas a revogarem um status quo?”, diz Gregg Sparkman, aluno de doutorado em psicologia da Universidade de Stanford e um dos autores do estudo. Ele diz que, embora as mudanças de comportamento geralmente ocorram de forma lenta, elas acontecem – e talvez mais frequentemente do que pensamos.

Para descobrir quais fatores influenciam as pessoas a mudarem, Sparkman e o professor Greg Walton realizaram quatro experimentos relacionados ao consumo de carne. Eles escolheram esse hábito por ser descrito por Sparkman como “bem enraizado, altamente visível e algo que você faz todos os dias na presença de outros”.

Como parar de comer carne

Em um dos experimentos, participantes de várias regiões dos Estados Unidos leram duas declarações sobre como comer menos carne. Uma declaração descreveu como alguns americanos estavam tentando diminuir esse consumo, enquanto a outra falava sobre como alguns americanos estão mudando e agora comem menos carne.

Percebe a diferença? O primeiro texto era mais estático e mostrava pessoas ainda tentando parar de comer carne. Já o segundo era mais dinâmico e mostrava essa mudança como um movimento que já estava ocorrendo.

Quem leu a declaração dinâmica relatou mais interesse em reduzir o consumo de carne do que aqueles que leram o texto estático. Um dos motivos é que os participantes do primeiro grupo foram levados a enxergar essa mudança como algo que continuaria no futuro, o que os levou a se conformar desde já com essa nova regra.

Outro experimento testou a probabilidade de estudantes pedirem um almoço à base de carne no restaurante universitário de onde estudavam. Eles também foram divididos em dois grupos: o primeiro ficou exposto, enquanto estava na fila para pegar a comida, a textos que descreviam como algumas pessoas ” limitaram a quantidade de carne que comiam” (estática). Outro grupo leu sobre como as pessoas de modo geral “estavam começando a limitar a quantidade de carne que comiam” (dinâmico). Os frequentadores que leram a declaração dinâmica eram duas vezes mais propensos a solicitar uma refeição sem carne do que os outros.

Sutileza é fundamental

Um aspecto importante desses estudos, dizem os pesquisadores, é que os participantes nunca foram convidados a mudar seu comportamento, ou sequer ouviram os benefícios de fazer isso. 

“Nós não pedimos às pessoas que não comessem carne ou comessem menos carne”, diz Walton. “Eles apenas receberam informações sobre mudanças”.

Os autores também fizeram um experimento envolvendo o desperdício de água durante a recente seca da Califórnia. Para isso, colocaram anúncios em lavanderias universitárias com duas mensagens diferentes. A versão estática dizia algo como “A maioria dos residentes da Universidade Stanford economiza água”, enquanto a outra mensagem, dinâmica, dizia “Os residentes de Stanford estão mudando: agora a maioria economiza água”. Resultado: 30% dos estudantes que viram a mensagem dinâmica passou a usar menos água durante a lavagem de roupa (colocando mais roupas na máquina de uma só vez), quanto apenas 10% dos que viram a mensagem estática haviam feito o mesmo. Não houve mudanças entre pessoas que não viram anúncio nenhum.

Agora, os autores querem entender se é possível aplicar esse método a outras iniciativas de sustentabilidade, como reduzir o uso de eletricidade. “As mensagens dinâmicas podem desempenhar um papel importante na mudança social”, diz Sparkman. 

“Saber que outras pessoas estão mudando já pode instigar todos esses processos psicológicos que motivam mudanças”.

O estudo foi publicado no periódico Psychological Science.

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